Evidências de Deus , uma fé racional

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“Manual de Defesa da Fé – apologética Cristã”

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Caros amigos, recentemente li numa excelente obra moderna, de bastante sucesso nos Estados Unidos, publicada agora em Português, no Brasil, pela Editora Central Gospel. Trata-se do “Manual de Defesa da Fé – apologética Cristã”, de autoria de Peter Kreeft & Ronald K. Tacelli.
Foi uma excelente obra que li (por isso a recomendo), que é útil não só para nós evangélicos, ou para nós cristãos, mas para todos nós teístas de um modo geral. Peter Kreeft é professor de Filosofia da Religião no Boston College – EUA, e é autor de várias outras obras. Este é um riquíssimo ensinamento da filosofia que, deveríamos compartilhar com todos os cristãos.
Muitas vezes, quando não conhecemos uma obra ou um livro, temos receio de adquiri-lo (pensamos que, talvez pagaríamos caro em algo que não vale a pena, e posteriormente poderíamos até nos arrepender). Quando assim, buscamos informar-nos primeiro sobre a obra, pra ver se vale a pena. Assim sendo, nada melhor do que ouvir o depoimento de quem a leu por completa.
Eu não possuo nenhum motivo para fazer “propaganda” deste livro, e insistir no fato de ele possuir um valor muito além daquilo que eu descrevo, se de fato ele não fosse tão bom quanto eu digo. Não estou no intuito de fazer propaganda, muito menos de vender livros (por favor, não me interpretem mal). Além de argumentos racionais que realmente convencem pessoas honestas sobre a existência de Deus, o livro procura tratar e responder às principais objeções da modernidade ao Cristianismo, como questões sobre o céu, sobre o inferno, se realmente existe vida após a morte, a confiabilidade da história bíblica, salvação, verdade objetiva, Cristianismo e outras religiões, milagres e mitos, fé e razão o problema do mal, a divindade de Cristo – tudo isto, COM ARGUMENTOS LÓGICOS, CONVINCENTES E RACIONAIS.
“Ambos ensinamos Filosofia da Religião na Universidade de Boston, e nossos alunos com freqüência nos perguntam onde podem encontrar um livro com os principais argumentos para os ensinamentos cristãos mais relevantes, sobre os quais são desafiados pelos descrentes atualmente. Nossos alunos querem um livro com ensinamentos sobre a existência de Deus, a imortalidade da alma, a confiabilidade das Escrituras, a divindade e a ressurreição de Cristo, bem como as respostas para as objeções mais comuns e mais fortes a essas doutrinas.
Ficamos surpresos ao descobrir que não existia tal livro! Há milhares de obras de apologética, algumas excelentes, mas nenhuma que tratasse a fundo essas questões. Nosso livro foi escrito para 'ajudar' a preencher esta lacuna”...
Segue em anexo um arquivo do Word com o capítulo 4 do livro: “vinte argumentos a favor da existência de Deus”. É claro que, muitos de nós não temos essa dúvida, pois temos vivido experiências reais com o Senhor; mas muitas pessoas que conhecemos as possuem. Várias pessoas têm passado por isso, talvez em silêncio, e muitas, perdem a fé. Essas argumentações ajudarão a sanar a dúvida de muitos e a abrir suas mentes. Além disso, não devemos pensar egoistamente apenas em nosso próprio benefício, pois este livro pode nos tornar mais equipado para que possamos fornecer este tipo de ajuda para quem precisa, ou está perdendo a fé. Quem é missionário, missionária ou estudante de teologia, sabe que, com certeza, precisamos da Apologética, (e este é o manual ideal).
Ao ler o arquivo em anexo, você verá que não estou mentindo. Se achar que isto pode ser útil, REPASSE ESTE E-MAIL (COM O ANEXO) AOS SEUS AMIGOS.
Caso não consiga abri-lo, retorne o e-mail.

Argumentos filosóficos pela existência de Deus

Percebemos que muitas pessoas, tanto teístas como não-teístas, duvidam de que seja possível provar racionalmente a existência de Deus ou sequer debater a respeito disso. Um argumento racional e eficiente talvez seja o primeiro passo para abrir a mente para a possibilidade da fé, e retirar alguns dos obstáculos que impedem as pessoas de aceitar a possibilidade da revelação divina.
Se os nossos argumentos forem bem-sucedidos nessa tarefa, teremos obtido êxito em nosso objetivo: demonstrar racionalmente a realidade do Criador, que não somos “acidentes cósmicos”. O cético deveria ser mais cético em relação a si mesmo, e menos cético em relação ao Criador.
Não temos o desejo de fazer declarações exageradas nessas demonstrações nem confundir a boa razão com provas científicas. Entretanto, acreditamos que há muitos que desejam e precisam do tipo de ajuda que essas argumentações proporcionam, mais do que eles possam estar dispostos a admitir de início.
Alguns argumentos não são conclusivos, mas cabe ao leitor sincero e honesto consigo mesmo, refletir ao analisá-los, e dizer-nos se eles fazem sentido ou não, de fato.

VINTE ARGUMENTOS A FAVOR DA EXISTÊNCIA DE DEUS

Argumento da mudança

O mundo material que experimentamos à nossa volta está em constante mudança. Podemos conhecer uma mulher que chegou a ter uma estatura de 1.75 m, mas ela nem sempre foi desse tamanho. O grande carvalho que vemos na floresta cresceu a partir de uma pequena semente. Quando algo chega a determinado estado, esse não pode produzir sua própria existência. Isso porque, até que algo venha a existir, não pode ser considerado; e se ainda não existe, não pode causar nada.
Quanto ao ser que sofre a mudança, embora tenha a capacidade de ser aquilo que se tornará um dia, isso ainda não aconteceu, ou seja, ele ainda não se tornou o que um dia virá a ser. Uma semente de Carvalho, ainda não se encontra no seu último estado, que atingirá no futuro (o de uma grande árvore formada).

Nada pode dar a si próprio aquilo que não possui, e o objeto que sofre mudança não pode ter agora mesmo aquilo que possuirá apenas no futuro. O resultado da mudança não pode existir realmente antes que a mudança ocorra. O objeto que sofre a mudança começa apenas com o potencial para mudar, mas precisa receber a atuação de coisas fora de si para que esse potencial se torne realidade. Do contrário, ele nunca poderá mudar.
Nada pode mudar a si próprio. Objetos que aparentemente têm movimento próprio, como corpos vivos, são movidos pelo desejo e pela vontade – algo diferente de meras moléculas. E quando o animal ou o ser humano morre, as moléculas permanecem, mas o corpo não mais se move, porque o desejo e a vontade [a alma] não está mais presente para produzir o movimento nas moléculas.
Agora, vejamos outra questão. As coisas fora do objeto que sofre mudança também mudam? E os objetos que fazem estas coisas se moverem também estão se movendo? Se isso for verdade, todos esses elementos permanecem, a cada instante, com a necessidade de receber uma atuação de outras coisas, caso contrário não poderão mudar. Não importa quantos itens existam na série, cada um deles precisa de algo fora de si para tornar realidade seu potencial de mudança.
O universo é a soma total de todos esses objetos móveis, independente de quantos sejam. O universo como um todo está em processo de mudança. Entretanto, já percebemos que essa mudança em qualquer ser exige uma força externa para torná-la real. Portanto, existe alguma força do lado de fora (que se acrescenta) ao universo, algum Ser real que transcende o universo. Essa é uma das coisas que consideramos quando pensamos em Deus.

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Em poucas palavras, se não há nada fora do universo material, então não existe nada que possa causar mudança no universo. Entretanto, este está sofrendo mudança. Portanto, tem de haver algo além de mera matéria, além do universo material, que é a soma total de toda matéria, do espaço e do tempo. Essas três grandezas dependem uma das outras. Portanto, tal ser externo está “fora da matéria, do espaço e do tempo”. Ele não sofre mudança. Ele é a Fonte imutável da mudança. Ele é Deus.

Argumentos a favor da existência de Deus (II): Argumento da “Causalidade Eficiente” ..?

Argumento da causalidade eficiente

Este argumento tenta provar que, todas as coisas não poderiam simplesmente “surgir do nada” sem uma causa inicial, mas que necessitam de uma causa eficiente para existirem.
Podemos notar que, algumas coisas causam outras coisas (fazem com que elas tenham início, que continuem a existir, ou ambos os efeitos). Um homem tocando piano, por exemplo, está “causando” a música que ouvimos. Se ele parar, o mesmo acontece com a melodia.
Agora faça a si mesmo a seguinte pergunta: Todas as coisas que existem neste exato momento estão sendo causadas à existência? Suponhamos que sim. Suponhamos que NÃO exista um Ser não-causado, nenhum Deus. Então, NADA poderia existir agora mesmo. Lembremos que todas as coisas precisam de uma causa presente fora de si mesmas para que possam existir. Portanto, agora mesmo, todas as coisas, incluindo todas aquelas que estão causando outras, precisam de uma causa. Elas podem gerar algo apenas se estiverem sendo trazidas à existência. Tudo o que existe, portanto, tem necessidade de ser causado à existência.
Afirmar que Deus não existe é equivalente a dizer que toda a realidade seria dependente do 'nada'.
A existência é como um presente dado pela causa ao seu efeito. Se não há ninguém que possua o presente (existência), este não pode ser passado adiante na cadeia de receptores, não importando o quanto seja curta. Se todas as pessoas precisarem tomar emprestado determinado livro, mas ninguém tiver a obra, nenhuma delas irá consegui-la. Se não existisse um Deus que possui auto-existência e cuja natureza é eterna, então o dom da existência não poderia ser passado adiante às criaturas, e nós nunca poderíamos recebê-lo. Entretanto, nós existimos. Portanto, tem de existir um Deus, um Ser não-causado, que não precisa receber a existência como nós ou como qualquer outro elo da cadeia de receptores.

Agora vejamos a seguinte questão: Por que necessitamos de uma Causa “não-causada”? Por que não poderia haver uma série infinita de causas, sem uma causa inicial para tudo o que existe?

A hipótese de que tudo o que existe tem uma causa, mas que não há um ser não-causado é ridícula! Tem de haver, obrigatoriamente, algo não-causado, algo do qual todas as coisas que precisam de causa eficiente para existirem sejam dependentes. Do contrário, haveria uma sucessão de causas infinitas, sem que houvesse uma causa inicial (primária). Tudo o que existe teve um começo: portanto, tem de haver uma causa primeira para que tudo existisse. Entretanto, a causa primária só seria a “Primeira Causa” não sendo causada por nenhuma outra; se houvesse algo que a causasse, haveria Causas anteriores a ela (este 'algo'), e ela não seria a “primeira”. Portanto:
• a “Primeira Causa” não pode ter nenhuma causa anterior a si; não poderia haver algo que a causasse.
Somente assim, ela pode ser a causa inicial: tendo sido uma causa 'não-causada'. Assim, necessitamos de uma Causa não-causada, e não poderia haver uma série infinita de causas, sem uma causa inicial para tudo o que existe.
Uma causa que foi capaz de gerar - além de coisas e seres inanimados, - seres animados, racionais e inteligentes, não poderia ser simplesmente “uma coisa” (como se pode pensar), mas tem de ser necessariamente, “um Ser” racional e inteligente, visto que nenhum efeito é maior que sua causa. Por que então, uma causa que gera seres racionais e inteligentes, seria irracional e não-inteligente?

Observe que, mesmo enquanto lê esse texto, você depende de outras coisas para existir. Você não poderia existir nesse instante sem elas. Suponhamos que haja várias dessas coisas (como água, ar, calor, alimento, por exemplo). Se elas não existissem, você também não existiria. E considere que todas essas coisas dependem de outras para existirem. Sem estas outras, estas “coisas” das quais você depende para existir não existiriam, e você também não.
Agora pense no universo inteiro. Se não houvesse nada além desse universo de coisas mutáveis e dependentes, então o universo – e você como parte dele – não poderia existir. Isso porque tudo o que existe agora mesmo tem a necessidade de receber existência; e, neste caso, não haveria nada capaz de fornecê-la: tudo o que existe necessitaria, ao mesmo tempo de ser trazido à existência, mas não poderia existir nada para produzir tal existência; não haveria nada capaz de fornecê-la. No entanto, você existe, bem como tudo o mais à sua volta. Portanto, tem de haver Algo existente além do universo de coisas interdependentes – Algo que não possua essa dependência como nós.
Enquanto imaginamos um número, talvez inimaginável, de coisas que necessitam de receber existência, essa necessidade – de existir, de ser algo – não pode ser produzida a partir de dentro desse grupo. Mas é óbvio que tal necessidade foi satisfeita, uma vez que existem seres contingentes. Portanto, existe uma Fonte de existência da qual nosso universo material depende nesse instante, e que está fora dele.



Vocês conhecem o “Argumento da Contingência”, um argumento a favor da existência de Deus?
Argumento da contingência

A fórmula básica desse argumento é simples.
1. Se algo existe, tem de existir também aquilo que foi necessário para que esse algo surgisse.
2. O universo – o grupo de seres no espaço e no tempo – existe.
3. Portanto, tem de existir o que foi necessário para trazer o universo à existência.
4. O que foi necessário para que o universo existisse não pode estar dentro do universo nem limitado por espaço e tempo.
5. Portanto, o que foi necessário para que o universo viesse à existência tem de transcender tanto o espaço como o tempo.

Se alguém negasse a primeira premissa, insistindo que X não necessita que sua causa geradora exista, lembraríamos que algo foi necessário para trazer X à existência, logo há uma condição ou várias condições para a existência de X. Então, é correto afirmar que X existe apenas se sua causa geradora (Y) existir; que sem Y, não pode haver X. É indispensável que subsista o que foi necessário para trazer o universo à existência!
Mas o que foi necessário para que isso acontecesse? Dissemos que o universo é o grupo de seres no espaço e no tempo. Consideremos um ser semelhante a esse: nós mesmos. Existimos e somos, pelo menos em parte, materiais. Isso significa que somos finitos, limitados e passíveis de mudança, porque a matéria está sujeita à mudança e à limitação. Pelo fato de sermos limitados e estarmos em transformação, sabemos que, neste exato momento, somos dependentes de seres [e fatores] externos a nós para termos nossa existência.
Não nos referimos aos nossos pais e avós. Eles podem não estarem mais vivos. Neste instante, dependemos de muitas coisas para que possamos existir – por exemplo, do ar que respiramos. Ser dependente dessa maneira é ser contingente: existimos apenas se algo mais existir agora mesmo. Entretanto, nem tudo pode ser assim porque, do contrário, tudo precisaria receber existência, mas não haveria nada capaz de fornecê-la. Não haveria aquilo que é necessário para que tudo, qualquer coisa existisse. Portanto, tem de haver algo que não exista condicionalmente; algo que não exista apenas se algo mais também existir; algo que exista por si mesmo. O que é necessário para esse algo existir tem de estar em seu próprio Ser.
Diferente de uma realidade material mutável, não há distância por assim dizer, entre o que este Ser é e o fato de que ele existe. Obviamente, o grupo de seres mutáveis no espaço e no tempo não poderia ser esse tipo de ser. Portanto, o que é necessário para que o universo exista não pode ser idêntico ao próprio ou a alguma parte dele.

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Questão: Mas por que deveríamos chamar essa Causa de Deus? Talvez exista algo desconhecido de nós que dê base para o universo mutável no qual vivemos.

Resposta: O que nós humanos conhecemos diretamente, pelos nossos sentidos, é o mundo mutável em que habitamos. Também sabemos que é necessário existir algo para que o universo exista. Portanto, sabemos que esse universo mutável (o todo ou qualquer parte dele) não pode ter em si próprio o que é necessário para promover sua existência. A causa das coisas mutáveis não poderia ser uma outra coisa mutável ou natural, como por exemplo, um átomo primordial, pois outra coisa mutável, natural e finita exigiria uma causa anterior a si e, consequentemente, uma sequência sem fim de causas, e não haveria uma que as precedesse.
Pense: Como Algo poderia estar fora do universo se fosse igual a tudo que existe no espaço, no tempo e na matéria?
Não temos um conhecimento direto sobre a Causa das coisas mutáveis; sabemos apenas que é necessário existir uma Causa e que essa Causa não pode ser finita nem material — que ela tem de transcender tais limitações, e consequentemente, ser sobrenatural. Logo, o que essa Causa é em si permanece, até então, um mistério. Entretanto, as evidências investigadas também contribuíram para o conhecimento real de que o universo foi criado e é mantido por uma Causa que não possui os limites da matéria e do tempo, que transcende o tipo de existência que nós humanos conhecemos diretamente.
Através da investigação ou observação, por exemplo, podemos chegar à conclusão de que a morte de alguém teve uma causa, foi por assassinato, e não por acidente, sem saber exatamente quem a cometeu e por quê. Isso pode nos deixar frustrados e insatisfeitos, mas pelo menos sabemos que linha de investigação seguir; e sabemos que alguém cometeu um ato, não foi um acidente. O mesmo acontece com as evidências que nos permitem saber que a existência do universo é um ato criativo de um Doador que transcende todos os limites da matéria.
Essas evidências não nos dizem muito a respeito de quem é esse Doador, mas apontam numa direção bem definida. Sabemos que o Doador da existência não pode ser material. Sabemos que é pessoal, inteligente, tem vontade e sua essência transcende a matéria, está fora da matéria criada. Sabemos que a Causa das coisas a transcende e não pode ser menor do que elas; pelo contrário, tem de ser infinitamente maior do que as mesmas. O quanto, e de que maneira não sabemos. Até certo ponto esse Doador permanece desconhecido à razão humana. E não deveríamos esperar que fosse diferente [uma vez que somos limitados, e ele ilimitado, infinito]. Contudo, a razão pode, pelo menos cooperar para que saibamos que Alguém realizou o ato. E isso já é de grande valor!
Podemos investigar a Causa usando a razão, mas há muito mais que Deus revelou sobre si, pois somente Ele seria capaz de se auto-descrever e revelar-se corretamente para nós. Somente uma pessoa é capaz de auto-descrever-se corretamente, pois ninguém a conhece melhor que ela mesma. Por isso, para um conhecimento do Criador, fora exigida uma revelação, uma descrição pessoal; uma versão, um testemunho do próprio.

Argumento sobre o mundo ser um todo que interage

Este argumento é semelhante a uma nova versão do argumento do desígnio, apresentado por alguns filósofos cultos. Nós o apresentamos da seguinte forma, resumida e revisada, para reflexão:

PONTO DE PARTIDA. Esse mundo nos foi entregue como um sistema dinâmico e ordenado com muitos elementos ativos. A natureza desses elementos (propriedades naturais) são ordenadas para interagir com outros em relacionamentos estáveis e recíprocos, que nós chamamos de leis da Física. Por exemplo, cada átomo de hidrogênio em nosso universo está ordenado para combinar com átomos de oxigênio na proporção de 2:1 (o que implica que cada átomo de oxigênio está ordenado para combinar com átomos de hidrogênio numa proporção de 1:2). O mesmo acontece com as valências químicas de todos os elementos básicos. E todas as partículas que possuem massa são ordenadas para se moverem em direção uma das outras, de acordo com as proporções fixas da lei da gravidade.
Em um sistema dinâmico, interconectado e interligado como esse, a natureza ativa de cada elemento é definida por sua relação com os demais. Isso pressupõe a existência de vários elementos para que haja integibilidade e capacidade de agir de algum outro.
A ciência contemporânea nos revela que nosso sistema mundial não é meramente um conjunto de leis distintas, separadas e não-relacionadas, mas um todo rigorosamente interligado, onde o relacionamento com o todo gera estrutura e determina as partes. Estas não podem mais ser compreendidas em separado do todo; a influência dele permeia todas elas.

ARGUMENTO. Em um sistema como o mencionado anteriormente (o nosso mundo) nenhum componente ou elemento ativo pode ser auto-suficiente ou auto-explicativo. Isso porque cada parte pressupõe todas as outras; e todo o sistema já existe para combinar-se com suas próprias propriedades racionais. Nenhum elemento pode agir a menos que as outras partes estejam presentes para interagir reciprocamente com ele. Qualquer outra parte poderia ser auto-suficiente apenas se fosse a causa do restante do sistema – o que é impossível, uma vez que nenhuma parte pode agir exceto em colaboração com as demais.
Tampouco o sistema como um todo explica sua própria existência, pois ele é feito de partes componentes, e não é algo separado, existente em si próprio, independente do restante. Além disso, nem as partes nem o todo são auto-suficientes; e nenhuma parte pode ser tomada para explicarmos a existência atual de tal sistema de interação dinâmica.

TRÊS CONCLUSÕES:

1. Uma vez que as partes só têm sentido dentro do todo, e nem mesmo o todo nem as partes podem explicar sua própria existência, então um sistema como nosso mundo exige uma Causa eficiente unificadora que gere a existência de um todo unificado.

2. Uma Causa desse tipo – que traga o sistema à existência de acordo com uma idéia unificadora – tem de ser uma Causa inteligente. A unidade do todo – e de cada uma das leis físicas cósmicas e globais, que fazem com que os elementos interajam entre si – é o que determina e correlaciona as partes. Portanto, esta unidade deve estar de alguma maneira presente como um fator efetivo e organizador.
Entretanto, a unidade, a integridade do todo, transcende qualquer uma das partes; logo, não pode estar contida em nenhuma destas. Para estar realmente presente de uma vez só como um todo, essa unidade pode ser apenas uma idéia unificadora e organizadora. Isso porque apenas uma idéia poderia manter juntos muitos elementos de uma única vez sem destruir ou mesclar os aspectos distintos de cada um. Isso é quase a definição de uma idéia.
Uma idéia real não pode existir de modo operante e eficiente a não ser em uma “Mente” verdadeira, que tenha o poder criativo de trazer tal sistema à existência. Portanto, para que haja um sistema universal ordenado (como o nosso) precisa haver, em última instância, uma “Mente coordenadora e criativa”. A ordem cósmica exige um Ordenador cósmico, que só pode ser uma Mente.

3. Tal Mente ordenadora precisa ser independente do próprio sistema, ou seja, transcendente a ele, e não pode depender do sistema para existir e operar.
Se dependesse do sistema ou de parte dele, teríamos de pressupor este sistema como pré-existente para poder operar; ele teria simultaneamente que preceder a si mesmo e causar-se. Isso é absurdo – e a modernidade fracassa filosoficamente, ao pressupor que nosso sistema ordenado tenha surgido de parte primordial de si; nosso universo material exige necessariamente como razão suficiente para a sua existência como um todo operante, uma Mente Criativa e Transcendente, que já existia e era capaz de operar antes e independe do sistema criado.

Argumento do milagre

Esse argumento não funciona como prova, mas como um indício poderoso da existência de Deus.
1. Um milagre é um evento cuja única explicação adequada é a intervenção direta e extraordinária de Deus.
2. Existem inúmeros milagres bem testificados.
3. Portanto, existem inúmeros eventos cuja única explicação adequada é a intervenção direta e extraordinária de Deus.
4. Portanto, Deus existe.

Obviamente, se acreditamos que algum evento extraordinário é um milagre, então acreditamos na atuação divina e acreditamos que tal atuação estava operando para que o evento acontecesse.
Mas a questão é: esse evento foi realmente um milagre? Se os milagres existem, então Deus tem de existir. Mas será que milagres realmente existem? Que eventos escolhemos para caracterizar como milagres?
Em primeiro lugar, milagres precisam ser feitos sobrenaturais ou acontecimentos extraordinários. Existem muitos acontecimentos extraordinários (como as chuvas de granito ou de meteoros) que não se qualificam como milagres. Por que não? Primeiro, porque eles podem ser causados por algum fenômeno natural; em segundo lugar, porque o contexto em que ocorreram não era religioso. Esses eventos podem ser qualificados como singulares, estranhos, mas para serem considerados um milagre, precisam ter conotação religiosa, estar relacionado à fé que alguém depositou em Deus.
Agora, suponha que um homem santo se dirija para o centro de uma cidade, e comece a exortar seus habitantes ao arrependimento, e como sinal de sua mensagem, ele declara que Deus fará chover pedras do céu. Então, momentos depois, - tum, tum, tum! - pedras começam a cair do céu. A palavra “milagre” pode vir facilmente
à nossa mente, pelo acontecimento estar relacionado à mensagem (e à fé) religiosa. Isso não significa que todos precisam acreditar em Deus para testemunhar um evento como esse; mas se aquele homem pareceu um profeta genuíno e sua mensagem tocara as pessoas, fazendo-as pensar que ele estava falando a verdade, seria muito difícil considerar o que aconteceu como um mero engano ou uma coincidência extraordinária.
As circunstâncias de um suposto milagre, o caráter e a mensagem da pessoa com quem o evento está relacionado, também são extremamente importantes. Existe um caminho mental desde o acontecimento de um milagre até sua interpretação como tal. E o que estimula esse raciocínio não é apenas o evento em si, mas os muitos fatores que o circundam e que estimulam tal interpretação.
Os milagres acontecem. E realmente existem vários testemunhos confiáveis a respeito deles em muitas épocas, muitos lugares e muitas culturas.
Portanto, a Causa dos milagres também existe.
E a única Causa admissível para eles é Deus.
Portanto, Deus existe.

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Argumento do desígnio divino

Esse argumento tem um apelo amplo e perene. Praticamente todas as pessoas admitem que uma reflexão acerca da ordem e da beleza da natureza estimula algo em nosso íntimo. Entretanto, será que a ordem e a beleza são produtos de um desígnio inteligente e um propósito consciente? Para os teístas, a resposta é afirmativa. Os argumentos a favor do desígnio divino são tentativas de defender essa resposta; de demonstrar por que ela é a mais razoável a ser oferecida. Tais argumentos foram formulados de maneiras tão ricamente variadas quanto a experiência na qual estão arraigados.
As declarações a seguir, demonstram seu âmago, sua idéia central.

1. O universo revela uma quantidade surpreendente de integibilidade tanto no interior das coisas que observamos como na maneira como essas coisas se relacionam com outras externas. Podemos, então, dizer que a maneira como elas existem e coexistem demonstram uma ordem bela e intricada e uma regularidade que pode deixar perplexo até mesmo o observador mais casual.
É a norma natural que muitos seres diferentes trabalhem em conjunto para produzir o mesmo fim valoroso — por exemplo, os órgãos em nosso corpo trabalham para manter nossa vida e nossa saúde.
2. Essa ordem inteligível é produto de um desígnio inteligente, não de mero acaso.
3. Nada acontece por mero acaso.
4. Portanto, o universo é produto de um desígnio inteligente.
5. O desígnio surge da mente de alguém que o estabelece.
6. Portanto, o universo é produto de um Projetista inteligente.

A premissa 1 é verdadeira. Até mesmo os que discordam do argumento concordam com ela. Só uma pessoa extremamente patética e obtusa não concordaria. Uma molécula de proteína possui uma ordem impressionante, e mais ainda uma célula. E muito mais ainda um órgão como o olho, em que as partes ordenadas de enorme e delicada complexidade trabalham juntas com inúmeras outras para alcançar um único fim. Até mesmo os elementos químicos são ordenados para combinar com outros elementos de determinada maneira e sob certas condições. A aparente desordem encontrada em certas situações na natureza é um problema exatamente por causa da imensa abrangência da ordem e da regularidade. Portanto, a premissa 1 se sustenta.
Se toda esta ordem, não é de alguma maneira o produto de um desígnio inteligente, então o que seria? Obviamente, ela teria simplesmente acontecido; e as coisas alcançado o estágio em que se encontram por mero acaso. Mas, se toda essa ordem não é produto de forças sem propósito e ocasionais, ela resulta de algum tipo de propósito; que só pode ser um desígnio inteligente. A inteligência não surge da não-inteligência. Portanto, a segunda premissa também se sustenta.
Obviamente é a premissa 3 que se mostra crucial. Em última instância, os não-crentes afirmam que é realmente pelo acaso, e não por desígnio divino, que o universo de nossa experiência existe, da maneira como o conhecemos. Para estes, ele simplesmente passou a ter essa ordem, e fica a nosso cargo o dever de provar como isso não poderia ter acontecido apenas por mero acaso. Entretanto, a afirmação dos incrédulos é incorreta. Logo, são eles que deveriam produzir uma alternativa mais crível que a idéia do desígnio divino.
Um computador não seria confiável se fosse programado pelo acaso, e não por um ser racional. O cérebro e o sistema nervoso humano, apesar de muito mais complexos e superiores que um computador, igualmente não seriam confiáveis se fossem programados pelo acaso. A teoria do acaso é simplesmente insatisfatória. Não podemos compreender o acaso apenas analisando-o sobre um pano de fundo ordenado. Dizer que algo aconteceu por acaso é irracional e ilógico. É afirmar que algo aconteceu de maneira diferente do que havíamos esperado, de um modo que não tínhamos imaginado. Em vez de pensarmos no acaso, analisando-o sobre um pano de fundo ordenado, somos convidados a pensar sobre a ordem – que se mostra intricada e presente – sobre o pano de fundo sem propósito e aleatório do acaso. Francamente, isso não é crível! Portanto, é perfeitamente razoável validar a terceira premissa: nada acontece por acaso. Assim, a única conclusão lógica é que o universo é produto de um desígnio inteligente. O que deseja o questionador que pensemos? Que não é necessário existir algo que traga todas as coisas à existência? Que o efeito precederia a causa?

Objeção: Talvez apenas em nossa região no universo passamos encontrar a ordem. Talvez haja outras partes deste totalmente caóticas, e desconhecidas por nós. Como então, ficaria o argumento?
Resposta: O nosso mundo de experiência comum apresenta uma ordem abrangente e inteligível. Não temos como negar este fato. Mas antes de especular a respeito do que pode existir, precisamos lidar sinceramente com o que temos diante de nossos olhos; precisamos reconhecer de maneira resoluta a extensão surpreendente da ordem e integibilidade que há em nosso universo.
Podemos perguntar: É possível supor que habitamos uma pequena ilha de ordem, cercada por um oceano de caos? Consideremos como através da ciência temos alcançado um conhecimento fantástico sobre o universo nas últimas décadas; atentemos para os diversos elementos microscópicos – todos eles, complexos – que o compõem. O que essa expansão de nossos horizontes revelou? Sempre a mesma coisa: mais, e não menos integibilidade; mais, e não menos ordem complexa e intricada. Não existe razão para crermos em um caos que nos rodeie; e ao mesmo tempo, há muitas razões para não fazer isso.

Argumento dos graus de perfeição

Ao observarmos o mundo, notamos que as coisas variam de diversas maneiras. Uma cor, por exemplo, pode ser mais clara ou mais escura do que outra; uma torta de maçã que acabou de sair do forno está mais quente que outra que foi retirada horas antes; a vida de uma pessoa que oferece e recebe amor é melhor do que a de outra que não age assim.
Então, designamos as coisas com base em elas terem um grau maior ou menor de determinada característica. Quando o fazemos, naturalmente pensamos nelas com base numa escala, que varia de um valor menor até outro maior. Pensamos, por exemplo, que um objeto mais claro aproxima-se do branco puro, e outro mais escuro está mais próximo da opacidade do preto. Isso significa que pensamos com base em várias “distâncias” a partir dos extremos, no grau (maior ou menor) em relação aos extremos. Às vezes, a distância é literal a partir de um extremo que faz toda a diferença entre ter ou ser mais ou menos. Os objetos, por exemplo, são mais quentes quando estão mais próximos de uma fonte de calor. Essa fonte comunica aos objetos o calor que estes possuem. Isso significa que a quantidade de calor é causada por uma fonte externa.
Agora, pensando na bondade dos seres, parte do que queremos dizer está relacionado simplesmente àquilo que eles são. Cremos por exemplo, que uma existência relativamente estável e permanente é melhor do que uma que se mostre precária e efêmera. Todos reconhecemos que um ser inteligente é melhor que um não-inteligente; que um ser capaz de dar e receber amor é melhor do que um que não pode fazer isso; que nossa existência é melhor, mais rica e mais completa do que a de uma pedra, uma flor, uma minhoca, uma formiga, etc.
Entretanto, se esses graus de perfeição estão relacionados ao ato de existir e se esse ato é causado em criaturas finitas, então é necessário que exista um Ser melhor, uma fonte e um padrão verdadeiros de toda a perfeição que reconhecemos. Este Ser absolutamente perfeito — a “Existência de todos os seres”, a “Perfeição de todas as perfeições” — é Deus.

Questão: O argumento pressupõe a existência de algo melhor e verdadeiro. Entretanto, todos os nossos julgamentos de valor comparativo não são meramente subjetivos?

Resposta: A própria formulação dessa pergunta já serve para respondê-la. O questionador não teria feito a pergunta a menos que pensasse ser melhor fazê-la do que não fazê-la; e realmente é melhor tentar encontrar a “verdadeira” resposta do que não procurá-la. Ora, se todos os nossos julgamentos de valor comparativos fossem “meramente subjetivos”, não seria subjetivo, apenas uma opinião pessoal, julgar que não existe algo melhor e verdadeiro? Como o questionador busca a “verdadeira” resposta, se supõe que todos nossos julgamentos e avaliações não passam de opiniões subjetivas, e que não há “verdades” universais? Os nossos julgamentos de valores comparativos não são meramente subjetivos, nem dependem da opinião de cada um, porque, de fato, existem diferentes níveis (graus) de valores de ética e moralidade.

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Argumento contra a idéia de um universo eterno

Este é um argumento de origem árabe, (também conhecido como “Kalam”), contém argumentos de que o mundo não pode ser infinitamente antigo, e portanto, tem de ter sido criado por Deus. Ele contesta a teoria que a maioria dos ateus deseja manter: a de que o universo surgiu a partir de um todo de matéria auto-sustentada em mudança infinita, em um tempo eterno.
Este tipo de argumento tem tido um apelo amplo e duradouro entre muçulmanos e cristãos. Sua forma é simples e direta:
1. Seja o que for que venha a existir, precisa de uma causa para que possa existir.
2. O universo começou a existir.
3. Portanto, o universo tem uma causa.
Vejamos a primeira premissa. A maioria das pessoas considera a primeira premissa não apenas como provavelmente verdadeira, mas como certa e obviamente verdadeira.
E a segunda premissa? É verdadeira? O universo – a coleção de todas as coisas restritas ao espaço e ao tempo – teria começado a existir num determinado momento? Essa premissa nos últimos séculos recebeu um forte apoio da ciência natural, principalmente com a cosmologia do Big Bang. Mas há também argumentos filosóficos a favor dela. Vejamos.
Se o universo não começou a existir, teríamos um passado infinito. Surgem algumas questões para pensarmos: Por que algo (o universo) que não tivera início, teria um fim? Por que algo que tivera um “passado infinito”, teria um “futuro finito”?
Será que uma tarefa infinita poderia ser realizada ou completada? Se, para alcançar determinado fim, etapas infinitas tivessem de antecedê-lo, será que algum dia poderemos alcançar o fim? É claro que não – nem mesmo em um tempo infinito. Isso porque o “tempo infinito” não teria fim, assim como as etapas. Em outras palavras, nunca alcançaríamos o fim da seqüência. A tarefa infinita nunca poderia e nunca seria completada.
Se o universo nunca teve início, ele sempre teria existido. Então, seria infinitamente antigo. Mas, para isso ser verdade, uma quantidade infinita de tempo teria de ter passado antes do dia de hoje, por exemplo. E um número infinito de dias deveriam ter sido completados para que o dia atual pudesse acontecer. Entretanto, isso cria um paralelo idêntico ao problema da tarefa infinita, pois, se o dia de hoje foi alcançado, então uma seqüência infinita de eventos históricos o teria levado a este ponto no presente.
Isto significa que se a tarefa foi completada até este ponto do presente, o todo do passado precisa ter acontecido. Contudo, uma seqüência “infinita” de etapas nunca poderia ter alcançado esse momento presente. Logo, ou o dia atual não foi alcançado, ou o processo para que isso acontecesse não foi infinito. É muito óbvio que o dia de hoje está acontecendo, portanto, o processo para alcançá-lo não foi infinito. Em outras palavras, o universo teve início, portanto ele tem de ter uma causa para que viesse a existir, ou seja, um Criador.

Primeira questão: Como podemos saber que a Causa geradora do universo ainda existe? Talvez, ela tenha dado início ao universo e deixado de existir.

Resposta: Lembremos que buscamos uma Causa para a existência espaço-temporal. Essa Causa criou todo o universo de espaço e de tempo, e estes, em si mesmos, têm de ser parte dessa criação. Portanto, a Causa não pode ser outro ser espaço-temporal; ela tem de estar, de alguma maneira, fora dos limites e das limitações do espaço e do tempo.
É difícil compreender a um Ser assim. Mas sabemos que um ser que pertence ao nosso universo, certamente deixará de existir um dia; chega um instante no tempo em que este é fatalmente afetado por algum agente externo. Contudo, essa realidade é apropriada para nós e para os seres que estão limitados ao espaço e ao tempo. Um Ser que não esteja limitado não pode deixar de ser, mas tem de existir eternamente.

Segunda questão: Mas essa Causa seria Deus, um Ser, e não simplesmente uma coisa?

Resposta: Suponhamos que a causa do universo tenha existido eternamente e que NÃO fosse pessoal; que ela teria dado origem ao universo não por escolha própria (visto não poder escolher), mas simplesmente por existir (ou por acaso). Nesse caso, seria difícil imaginar um universo que não fosse infinitamente antigo, uma vez que todas as condições necessárias para a existência dele (contidas nessa coisa) existiriam por toda a eternidade.
Mas de acordo com o argumento que estamos estudando, o universo não pode ser infinitamente antigo. Portanto, a hipótese de uma causa eterna impessoal parece levar a uma contradição.
Então, qual a solução para a questão? Um universo que tenha surgido como resultado de uma escolha pessoal. Uma causa eterna poderia ter dado início a um efeito temporalmente limitado.
Como já dito, uma causa que gera seres inteligentes e capazes de raciocinar, não poderia ser algo irracional e não-inteligente; e sendo algo racional e inteligente (em maior escala que o seu efeito), não seria simplesmente uma coisa, mas um Ser.

Terceira questão: Os cristãos crêem que irão viver para sempre com Deus. Logo, eles crêem num futuro infinito. Por que então o passado não pode ser sem fim?

Resposta: É diferente. Os cristãos acreditam que sua vida com Deus nunca irá terminar. Entretanto, isso só pode ser verdade se toda a realidade criada teve início num determinado momento.
O futuro infinito que aguarda os cristãos será operado pelo Ser que está fora das limitações do espaço e do tempo, pela mesma causa que gerou o espaço e o tempo.
O que se encontra limitado ao espaço e ao tempo é a matéria, não Deus. A matéria não é capaz de ser auto-suficiente, nem de por si mesma possuir uma existência infinita, (sendo que sua eternidade seria causada pelo ACASO). Nada existe eternamente pelo acaso! Somente Deus é capaz de ser auto-sustentável e existir eternamente. Ele pode sim, nos levar para uma nova dimensão criada, que não esteja limitada ao espaço e ao tempo, no futuro. Os cristãos não estarão na eternidade na mesma dimensão criada que conhecemos hoje, e que está limitada a tais condições.

Argumento da percepção

Quando nos damos conta da tremenda ordem e integibilidade presente no universo, travamos contato que nossa inteligência pode apreender.
A inteligência é parte do que encontramos no mundo. Entretanto, o universo não é, por si mesmo, intelectualmente consciente. Por maiores que sejam as possibilidades da natureza, ela não sabe avaliar sua própria existência. No entanto, nós seres humanos temos a capacidade intelectual de conhecer as possibilidades da natureza e a nós mesmos.
O fato de o universo ser organizado de forma tão inteligente e harmônica, e de nós, seres humanos, sermos dotados de inteligência racional ratifica o “Argumento do desígnio divino”. Existem similaridades entre estes ambos argumentos.
1. De acordo com nossa experiência, percebemos que o universo é inteligível. Esta integibilidade significa que o universo pode ser assimilado pela nossa inteligência.
2. O universo inteligível e a nossa mente finita adequada para assimilá-lo são produtos de uma inteligência superior.
3. Tudo isso não veio a existir por mero acaso.
4. Portanto, o universo finito e nossa mente adequada para assimilá-lo são produtos de uma inteligência superior; de Deus.
Queremos focar agora nossa atenção na terceira premissa, a de que tudo o que existe não surgiu por mero acaso. Na obra “Milagres”, de C.S. Lewis, o autor apresenta no terceiro capítulo, um forte argumento contra o naturalismo (a filosofia naturalista) e sua visão de que tudo – incluindo nosso pensamento e nosso julgamento – pertence a um sistema vasto e interligado de causas e efeitos meramente naturais. Lewis mostra que o naturalismo não oferece um bom motivo para acreditarmos que sua concepção do mundo seja verdadeira, porque todos os julgamentos seriam igualmente e em última instância, resultados de forças naturais não-racionais.
Se a doutrina naturalista fosse verdadeira, o que chamamos de mero acaso seria a maneira como a natureza física operaria em última instância – isenta de qualquer plano racional e propósito. Portanto, o argumento de C.S. Lewis é coerente, e a terceira premissa de nosso argumento se sustenta, pois o mero acaso não pode ser a fonte de nossa inteligência; não pode ter produzido-a.

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Argumento do desejo

1. Todo desejo inato e natural em nós corresponde a um objeto real que pode satisfazer esse desejo.
2. Entretanto, existe em nós um desejo que nada ao longo do tempo, nada nesta terra e nenhuma criatura pode satisfazer.
3. Portanto, tem de existir algo mais ‒ do que o tempo, esta terra e as criaturas ‒ que possa satisfazer tal desejo.
4. Isso é algo que as pessoas chamam de Deus e de vida eterna com Deus.

I → A primeira premissa implica uma distinção entre dois tipos de desejo: o inato (natural) e o externamente condicionado (artificial). Naturalmente desejamos coisas como alimento, bebida, sexo, descanso, conhecimento, amizade e beleza; e evitamos coisas como a fome, a solidão, a ignorância e a feiúra. Também desejamos – de uma forma não natural – coisas como um carro, um ótimo cargo, poder voar, ver nosso time ser campeão, desejarmos ir à Londres, à terra de Oz, etc.
Existem diferenças cruciais entre esses dois tipos de desejos. A maioria de nós não sente a privação dos desejos artificiais. Não sentimos a falta de Oz, mas sentimos muito a falta de descanso. Além de serem mais importantes, os 'desejos naturais' vêm de dentro, de nossa natureza; enquanto os 'artificiais' vêm de fora, sugeridos pela sociedade, pela época, propagandas ou pela ficção. Assim sendo, isto gera uma terceira diferença entre esses dois tipos de desejos: os desejos naturais estão presentes em todos nós, mas os artificiais variam de acordo com o indivíduo.
A existência dos desejos artificiais não significa necessariamente que os objetos por eles desejados existam. Alguns sim, outros não. Existem carros e Londres, mas não a terra de Os.
Entretanto, a existência dos desejos naturais significa, em cada caso, que os objetos de desejo existem. Todo desejo natural corresponde a um objeto real, (e este tipo de desejo está naturalmente em todo ser humano). Ninguém nunca ouviu falar de um desejo inato para com um objeto inexistente.

II → A segunda premissa exige apenas uma introspecção sincera. Alguém poderia dizer que, nem todos sentem o desejo por Deus (visto que a crença em Deus varia de acordo com o indivíduo), e que, portanto, o desejo por Deus seria algo “artificial”. Esta porém, é uma interpretação equivocada, pois de fato, este desejo inato que todos possuímos e que nada neste mundo pode satisfazer, em última instância, é o desejo por Deus, como veremos. Por isso, esta premissa exige honestidade para consigo mesmo da parte do leitor. Alguém pode dizer que é uma pessoa perfeitamente feliz, em todos os momentos da vida, e em todas as possíveis e diversas situações. É possível encontrar indivíduos assim na história humana. Neste caso, podemos apenas perguntar: Isso é verdade mesmo? Ou podemos apenas fazer um apelo à pessoa para pensar, refletir melhor, mas nunca criticá-la. Até mesmo o ateu Jean-Paul Sartre admitiu que “chega uma hora em que a pessoa mais satisfeita com a sua vida, se pergunta: Há algo mais? Isso é tudo o que há?”
E esta é uma realidade: por mais bens que possuamos, por mais objetivos que conquistemos, chega um momento em que nos cansamos daquilo, e nos perguntamos se isto é tudo o que há, se não existe algo mais, - pois sentimos a falta desse “algo mais”.
Todos (de Aristóteles a Freud) que já observaram amplamente o comportamento humano e pensaram profundamente sobre ele notaram que agimos por fins, metas e propósitos e também que o único fim, objetivo e propósito que motiva todos o tempo inteiro é a felicidade. “Todos sentimos falta de uma felicidade maior, como se a felicidade não pudesse ser completamente satisfeita apenas neste mundo”, disseram alguns pensadores.
O Argumento do Desejo defende apenas que haja um Algo mais que possa satisfazer em nós o desejo que nada ao longo do tempo, nada nesta terra e nenhuma criatura pode satisfazer.
Existe em nós um desejo que nada nesta vida pode satisfazer, - seu objeto é inatingível, inalcançável nesta vida; e a mera presença desse desejo na alma é sentido como mais prazeroso do que qualquer outra satisfação.
Por mais inadequada que seja nossa maneira de entender o que queremos, nós todos queremos o paraíso, o céu, a eternidade, uma vida eterna; algo profundo em nossa alma não fica satisfeito com esse mundo inteiro de tempo e mortalidade.
Também reclamamos do tempo. Nunca parece haver tempo suficiente – mesmo agora, muito menos quando estivermos morrendo; portanto, deve haver mais tempo: deve haver a eternidade.
Nós nos queixamos desse mundo. Ele não é suficientemente bom. Portanto, deve haver outro mundo que seja “suficientemente bom”.

Argumento da origem da idéia sobre Deus

Esse argumento se tornou famoso com René Descartes, e possui certa semelhança com o argumento ontológico. Ele começa com a idéia sobre Deus, e procura demonstrar que apenas o próprio Deus poderia ter feito essa idéia surgir em nossa mente.
Seria impossível reproduzirmos todo o contexto que Descartes apresenta a favor dessa argumentação, e seria inútil adotar seu vocabulário erudito. Apresentamos a seguir um resumo sucinto de seu argumento e uma discussão a respeito:

1. Temos idéias sobre muitas coisas.
2. Essas idéias necessariamente têm de surgir de nós mesmos ou a partir de coisas externas a nós.
3. Uma das idéias que temos é sobre Deus – um Ser infinito e totalmente perfeito.
4. Essa idéia não poder ter sido produzida por nós mesmos, pois temos ciência de que somos limitados e imperfeitos, e nenhum efeito pode ser maior do que sua causa.
5. Portanto, a idéia sobre Deus tem de ser produzida por algo externo a nós, que possua as mesmas qualidades de Deus.
6. Mas apenas o próprio Deus tem essas qualidades.
7. Portanto, o próprio Deus tem de ser a Causa da idéia que temos a respeito dele.
8. Logo, Deus existe.

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Analisemos a seguir uma objeção a este argumento bastante comum. A teoria de que a idéia sobre Deus poderia surgir facilmente ao notarmos os graus de aperfeiçoamento entre os seres finitos – alguns são mais (ou menos) complexos do que outros. Logo, para alcançarmos a idéia sobre Deus, poderíamos simplesmente projetar esta escala de perfeição ao infinito. Sendo assim, não haveria necessidade de que Deus realmente existisse para provarmos a existência dessa idéia; tudo o que necessitaríamos seria uma experiência com seres e fenômenos em vários graus de complexidade e uma mente capaz de avaliar as limitações perceptíveis de cada um.
Todavia, será que isto bastaria? Como poderíamos avaliar tais limitações e imperfeições a menos que primeiro as “reconhecêssemos”? E como seria possível reconhecê-las desta maneira, a menos que já tivéssemos alguma noção de perfeição infinita? - Para reconhecermos algo como sendo imperfeito e finito, precisaríamos possuir um padrão de pensamento que tornasse esse reconhecimento possível.
Isso não significa que crianças já poderiam pensar sobre Deus, (pois estas, estão incapacitadas de pensar sobre qualquer coisa que não conhecem ou não aprenderam ainda). Entretanto, significa que, a qualquer momento da vida que aplicássemos esse padrão, independente de quanto tempo levasse para que isso se tornasse explícito em nossa consciência, ainda assim, esse padrão precisaria existir para que pudéssemos aperceber-nos dele.
Todavia, de onde teria vindo esse padrão? Certamente não de nossa experiência com nós mesmos ou com o mundo que existe fora de nós, porque a idéia de uma perfeição infinita já está presente em nosso pensamento a respeito de todas as coisas quando as consideramos imperfeitas. Portanto, nenhuma delas poderia ter originado a idéia sobre Deus; apenas o próprio Deus pode ser o responsável por esta idéia em nossa mente.

Argumento da experiência religiosa

A maioria das pessoas que afirma ter algum tipo de fé religiosa teve algum tipo de experiência marcante. Essa realização, no entanto, não é em si um argumento a favor da existência de Deus; mas este argumento parte do amplo fato da experiência religiosa, levando à afirmação de que apenas uma realidade divina pode explicá-la adequadamente.
Podemos apresentá-lo de forma satisfatória como a seguir:

1. Pessoas em diferentes épocas da história e de culturas bastante distintas afirmam ter tido uma experiência com o divino.
2. É inconcebível que tantas pessoas estivessem totalmente erradas a respeito da natureza e do conteúdo de sua própria experiência.
3. Portanto, existe uma realidade divina que muitas pessoas de diferentes épocas e de culturas bastante distintas experimentaram.

Por acaso essa experiência prova que existe um Deus Criador Inteligente? Parece impossível, porque tal Deus não parece ser o objeto de todas as experiências que chamamos de religiosas. E ainda assim, Ele é o objeto de muitas delas. Ou seja, muitas pessoas compreendem sua experiência pessoal dessa maneira. Elas se sentem unidas, ou são levadas a ter contato com um Conhecimento e Amor ilimitados sem precedentes; um Amor que as preenche com si próprio, mas que excede infinitamente a capacidade de cada indivíduo de recebê-lo. (É assim que elas descrevem).
A pergunta é: “Devemos acreditar nessas pessoas?”
Existem muitas afirmações semelhantes. Ou elas são verdadeiras ou são falsas. Ao avaliá-las, devemos levar em consideração: (1) a “consistência” das afirmações [elas são consistentes em si mesmas e de acordo com o que sabemos ser verdadeiro?]; (2) o “caráter” das pessoas que fazem as afirmações [as pessoas parecem ser sinceras, decentes e confiáveis?]; e (3) o “efeito” da experiência na vida delas e de outros [essas pessoas se tornaram mais amorosas como resultado do que experimentaram? Ou tornaram-se ainda mais egoístas?].


Argumento moral

1. A obrigação moral é um fato. Nós somos verdadeira, real e objetivamente obrigados a fazer o bem e a evitar o mal.
2. Só uma visão pode estar correta: ou a visão ateísta da vida ou a visão “religiosa”.
3. Todavia, a visão ateísta é incompatível com a existência de uma obrigação moral.
4. Portanto, a visão religiosa da realidade é a correta.

Temos de falar com bastante clareza a respeito da primeira premissa. Ela não diz meramente que é possível encontrarmos pessoas ao nosso redor que afirmam ter certos deveres. Tampouco afirma que já houve muitas pessoas que se consideravam obrigadas a cumprir certos “deveres”, fazendo certas coisas e evitando determinadas atitudes: o que a primeira premissa almeja afirmar, é que nós seres humanos, realmente temos essa obrigação.

Nós seres humanos reagimos a certas coisas boas, a valores reais que descobrimos – como o valor da vida, do amor, da honestidade -, embora não tenhamos criado esses valores. Se Deus criou tanto as coisas como a 'natureza humana' que reage a essas boas coisas, é razoável pensar em Deus como um Projetista Inteligente, que gera congruência ente o que somos e o bem que necessitamos para nos sentir plenos.

Argumento do senso comum

Este argumento é comparável ao da experiência religiosa. O argumento do senso comum afirma que:
1. A crença em Deus é comum a praticamente todas as pessoas de todas as épocas.
2. Ou a vasta maioria das pessoas está errada a respeito desse elemento mais profundo de sua vida, de suas experiências e convicções ou está certa.
3. É mais plausível acreditar que a maioria esteja certa.
4. Logo, é mais correto acreditar que Deus existe.

Todos admitem que a crença religiosa está presente ao longo de toda a história da humanidade. Entretanto, há uma questão: esse fato incontestável serve como evidência a favor da verdade das afirmações religiosas? Até mesmo um cético admite que o testemunho que temos é bastante impressionante: a grande maioria dos seres humanos acredita em um Ser derradeiro, para quem nossa reação apropriada só pode ser a de reverência e adoração. Ninguém questiona a realidade de nossos sentimentos de reverência, das atitudes de adoração e dos atos de louvor. Se Deus não existisse, essas atitudes nunca teriam tido um objeto real uma vez sequer. Seria realmente plausível acreditar nisso?
Pesquisadores já fizeram pesquisas tentando descobrir se o ser humano é religioso por natureza ou não: se a religiosidade está contida nos genes humanos ou não. A capacidade humana para reverenciar e adorar [algo ou alguém] aparenta ser inata. Sendo assim, é difícil acreditar que o desejo natural de adorar a Deus nunca poderia ser satisfeito, principalmente quando muitos testificam que isso já aconteceu. Com certeza, é concebível achar que esse desejo natural possa ser frustrado, mas não é plausível afirmar que milhões e milhões que declaram ter encontrado o Santo digno de reverência possam ter se iludido. Parece muito mais provável que aqueles que se recusam a acreditar nisso são os que sofrem privação e ilusão – como uma pessoa surda, que nega a existência da música.

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Interessantes reflexões filosóficas sobre Deus (Primeira Causa) e sua Natureza

Além de vários argumentos, a 'Filosofia Teísta' ainda pode nos levar a uma reflexão mais a fundo sobre as características de Deus, Daquele Ser que fora a “causa” das coisas existentes.
Os argumentos a favor da existência de Deus despertam nossa atenção para certas características, a respeito das quais devemos fazer questionamentos. Percebemos que a resposta para essas questões não é Algo que se encontre dentro do mundo das coisas conhecidas e finitas. Em outras palavras, a resposta para tantas indagações na verdade, não é Algo, é um Ser totalmente desconhecido a nós.
As características mais familiares e naturais das coisas em nosso mundo nos instigaram a fazer vários questionamentos. Mas se a resposta [sobre a Origem das Coisas] fosse algo familiar, não seria realmente uma resposta confiável; e outras questões surgiriam (como o que teria causado tal coisa, familiar para nós). Por isso, insistimos: a resposta para todo o nosso questionamento sobre a Causa de tudo é Deus – um Ser que nunca poderemos compreender completamente, devido à nossa limitação natural. Ele é a Causa de tudo, inclusive dos fenômenos; logo, ao meditarmos sobre estes, podemos conhecer algo a respeito de sua Causa, e assim, termos um pouco de compreensão sobre Deus. Os atributos de Deus são as mesmas características necessárias à Primeira Causa.

I. Os atributos de Deus

→ DEUS TEM EXISTÊNCIA ABSOLUTA. Observando o universo, percebemos que, em cada criatura, existe uma distinção entre o que as coisas são e o fato de que elas são algo. É por isso que, como vimos, coisas limitadas têm a necessidade de existir, que elas próprias não podem suprir.
Se Deus é a resposta para essa questão a respeito da existência infinita, então ele não pode ter a mesma necessidade de existir. Em outras palavras, em Deus não pode haver distância entre o que Ele é e o fato de que Ele existe, pois o fato de Ele existir não é um mero acidente e não se deve a outro Ser. A existência de Deus tem de ser inseparável do que Ele é, tem de pertencer a Ele por natureza. Deus não pode deixar de existir. Não há possibilidades Dele deixar de existir.

→ DEUS É INFINITO. Já vimos que toda existência finita ou limitada exige uma condição, ou uma causa, para sua existência. Já vimos que Deus não pode ser limitado ou finito. Em outras palavras, Deus tem de ser infinito, totalmente sem limites (de espaço, tempo), e não necessita de causas ou condições para sua existência. Ele tem de ser auto-sustentável e auto-existente.
A infinitude de Deus não significa tamanho ou idade sem fim – como se ele fosse mais velho ou maior que alguém. Ao dizer que Deus é infinito, temos que negar a Ele qualquer tipo de limitação (como idade ou tamanho). Lembremos que Ele está fora do tempo e da matéria.
Se um ser é limitado, ele é limitado com base em algo mais; ele não é o mesmo que outro ser, e não está onde outro ser está. Portanto, esta limitação envolve a não-existência. Entretanto, se Deus existe, Ele é a plenitude total da existência. Logo, não pode haver limitações em Deus. Ele tem de ser sem limites, ou seja, Deus tem de ser infinito.

→ DEUS É ÚNICO (apenas um). NÃO PODEM HAVER (EXISTIR) VÁRIOS DEUSES.
Se Deus é infinito, e é a causa do universo e de todas as coisas existentes, poderia haver vários deuses? A resposta é NÃO. Por exemplo: já vimos que Deus existe, e tem de existir, sem limites. Contudo, se Ele não tem limites, não pode haver mais do que um Deus. Se houvesse, teria de existir diferença entre eles, e isso envolveria a não-existência, pois outro Deus não poderia ser o que o primeiro é nem estar onde este estivesse. Em suma, se houvesse mais de um Deus, nenhum deles poderia ser ilimitado com a plenitude da existência. Isso significa que aquilo que chamamos de Deus não seria a resposta derradeira para nossas perguntas a respeito da existência finita. Entretanto, se Deus é a resposta para esta questão, então Ele tem de ser a “plenitude ilimitada da existência”, e não pode ser limitado por outro Deus fora de si próprio. Portanto, Deus tem de ser um só.

Existem no mundo histórias de vários deuses e deusas, derivadas do politeísmo antigo. Mas uma coisa em comum que todas estas histórias compartilham, é que todas elas falam de um Deus Supremo, maior e mais poderoso entre os demais.
Quando o monoteísmo e o politeísmo são combinados, como no hinduísmo, os muitos deuses são apenas manifestações inferiores, aparentes, projetadas ou mitológicas de um único Deus real e supremo. Por isso, tanto o monoteísmo quanto o politeísmo são chamados de “TEÍSMO”.
Os muitos deuses das religiões antigas (babilônicas, cananitas, gregas, romanas e das antigas religiões da África) eram considerados apenas manifestações inferiores ou mitológicas de um único Deus Real e Supremo. Ainda hoje, no hinduísmo, crê-se em um Deus Supremo e Superior aos demais (deuses menores).

FONTE: (Relatado em: “Manual de Apologética e Defesa da Fé”, de Peter Kreeft e Ronald K. Taceli, - Editora Central Gospel – página 540).
O Cristianismo não ensina a existência de vários deuses, mas a existência de um único Deus (monoteísmo) que subsiste e se revela em três pessoas. O Pai e o Filho não são dois deuses distintos, mas são apenas “um Deus”, compartilham a mesma essência (natureza).

→ DEUS É ESPIRITUAL. Ao dizermos que Deus é espiritual, afirmamos que ele não é um ser material. Ser material significa ter algum tipo de corpo. Contudo, como um corpo é sempre limitado e sujeito a mudanças, isto implica não ser aquilo que irá tornar-se. Portanto, ter um corpo e estar sujeito a mudanças implica a 'não-existência'. Mas Deus é a plenitude ilimitada da existência, logo não pode ter um corpo. Na verdade, Deus não pode ser material de forma alguma – pelo menos, não da maneira que nós compreendemos o significado de matéria.
Utilizamos o termo “espiritual” para caracterizar a imaterialidade completa, porque usamos essa palavra para nos referir àquela parte de nós que está distanciada daquilo que assumimos como sendo a existência material.
Deus, como o Criador da matéria, não poderia ser material, pois teria que ter criado a si mesmo. Deus tem de ser imaterial e espiritual.

→ DEUS É ETERNO. Como Deus não é material, Ele não é limitado pelo espaço.
Isso tem de ser verdade, porque Deus é o Criador do espaço e de todas as coisas que ocupam o espaço e estão limitadas pelo tempo.
Deus estaria incluído no tempo? Ele poderia ser limitado temporalmente?
Por nossa experiência, percebemos que somos limitados temporalmente. É necessário tempo para pensar, bem como para existir (em nosso caso). Mas Deus não pode estar sujeito ao tempo, porque Ele é o Criador de tudo, inclusive de nós e do tempo.
Como um Ser temporal poderia criar (ou dar início, fazer começar a existir) o tempo?
Portanto, somente um ser Atemporal (fora do tempo) poderia trazer o tempo à existência.
Este “estar acima do tempo” é o que chamamos de eternidade, que foi definida por um famoso filósofo teísta como, “a vida sem limites, tomada perfeitamente e como um todo simultâneo”. As palavras dele são bastante sugestivas, mas transmitem claramente uma idéia essencial: Deus não está preso ao tipo de existência mutável que medimos com o tempo. Isso é o que queremos dizer quando afirmamos que Deus é eterno (não temporal).
A encarnação de Jesus não contradiz essa idéia, ao contrário, ela a pressupõe. A encarnação significa que, Deus experimentou a natureza humana, que inclui o tempo, o espaço e a matéria. Isso demonstra que a natureza divina é diferente da humana. Parte dessa diferença tem sido vista tradicionalmente como o fato de Deus não estar limitado pelo tempo, pelo espaço e pela matéria. Deus, por ser atemporal, pôde tornar-se “temporal” na encarnação de Cristo.

→ DEUS NÃO É PARTE DO UNIVERSO (panteísmo). DEUS É TRANSCENDENTE E IMANENTE. Deus (assim como a Primeira Causa), não ser parte do universo, nem nada que há neste. Se fosse assim, Deus (assim como a Primeira Causa) estaria limitado pelas outras partes que o compõem. Entretanto, Deus é o Criador de todas as coisas, conferindo a elas existência total. Ele não pode ser uma dessas coisas ou a totalidade delas, porque cada uma das partes e também a totalidade delas, deve receber existência, e tem de recebê-la de Deus. Portanto, Deus, como o Criador e Sustentador, tem de ser “distinto” de sua criação. Isso é o que queremos afirmar quando dizemos que Deus é transcendente.
Ao mesmo tempo, Deus tem de fornecer existência à todas as coisas, fazer com que continuem existindo. Deus é o Criador, o Doador da existência a todas as coisas. E como tal, Ele tem de estar ativo, fornecendo a elas o que necessitam para ser a agir.

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→ DEUS É INTELIGENTE. Deus é o Criador e Sustentador de todas as coisas. Por exemplo, Ele é o Criador e Sustentador de todos os elementos químicos dos organismos vivos. Cada um desses elementos tem uma estrutura inteligível e enquadra-se num sistema de estrutura inteligível, no qual as partes agem e reagem uma com as outras de maneiras específicas, determinadas pelo sistema. Essa correlação inteligível de cada parte é algo estabelecido por Deus. Uma correlação inteligível de partes é o tipo de sistema que consideramos “um ato de inteligência”. Então é razoável afirmar que toda a vasta integibilidade que o mundo recebe de seu Criador é uma obra de inteligência, e que então, o seu Criador é inteligente. A inteligência NÃO surge da NÃO-INTELIGÊNCIA.
Existe um segundo argumento a favor da inteligência de Deus. Algo que distingue as pessoas das “não-pessoas” é a auto-consciência. A inteligência pessoal pode unificar uma diversidade de coisas e mantê-la coesa. E esse centro único que une muitas coisas a si mesmo nos permite escapar da total externalidade e do “vazio” da matéria e utilizar, trabalhar e controlar todas essas coisas que não têm inteligência.
Um argumento muito simples que prova que Deus (ou a Primeira Causa) é um Ser inteligente, é que, nós seres humanos somos seres inteligentes. Deus é inteligente, porque suas criaturas são inteligentes. Uma coisa que distingue o ser humano dos demais animais é que o homem quer saber, deseja averiguar como é a realidade pelo simples fato de conhecer. Nós admiramos a inteligência e a capacidade intelectual de nossos semelhantes. Admiramos-nos com pessoas inteligentes. Mas não devemos nossa inteligência a um Ser (ou uma Causa) que não a contivesse numa escala maior, para que nos pudesse “doar inteligência”. Se nós (o resultado) somos inteligentes, quanto o mais não será a nossa Causa? Quanto mais não será inteligente Aquele de quem advém a Fonte de nossa inteligência?
Deus, porém, que é totalmente imaterial e controla e unifica o todo da criação, certamente tem de ser inteligente (e super-inteligente; a Inteligência Suprema). Sua inteligência não pode ser como a nossa, porque estamos de certo modo ligados à matéria, e possuímos limitação, não possuímos nenhuma característica dotada de perfeição.

→ DEUS É ONISCIENTE E ONIPOTENTE. Afirmar que Deus é onisciente e onipotente significa que não pode haver uma barreira real ao conhecimento e/ou à ação de Deus. Este Ser auto-existente criou tudo o que existe, NÃO POSSUI LIMITAÇÕES e sustenta a existência de todas as coisas, conhecendo-as bem. Portanto, seria concebível haver algo que Ele não conhecesse ou sobre o qual não tivesse influência? É impossível pensar em algo que atrapalhe a vontade de Deus, a menos que o próprio Deus queira ou permita que isso aconteça – como, por exemplo, o livre-arbítrio humano. Se Deus sabe de antemão todas as coisas, tem 'presciência' e 'onisciência”. Se Ele permite que algo atrapalhe Sua vontade, é porque não perdeu o controle da situação. E se Ele tem o domínio absoluto sobre tudo e todos, isso exige que Ele tenha 'onipotência'.

→ CONCLUSÃO: DEUS, UM MISTÉRIO. O leitor pode ficar insatisfeito com algumas idéias sobre a natureza de Deus que foram apresentadas. Alguns podem achar que estamos afirmando demais. Nós nos esforçamos bastante para declarar o que o Criador é e o que não pode ser. Contudo, nós, como meros filósofos, não podemos e não devemos ter a pretensão de entender a maneira como Deus vive. Tudo o que sabemos é que ele não está preso à matéria. E, se aquilo que chamamos de espírito é o que escapa das limitações materiais, então Deus é espírito – embora infinitamente mais liberto dessa limitação do que nós, com uma intensidade incalculavelmente mais rica do que a nossa.
Podemos garantir que essas afirmações são verdadeiras. Entretanto, não podemos saber como, pois nunca experimentamos o tipo de existência e de natureza absoluta que Deus possui. A vida de Deus permanece um mistério para nós, cuja existência e natureza é limitada e dependente.
Há também quem possa achar que nossas assertivas não foram profundas o suficiente. Eles percebem uma grande distância entre o Pai amoroso revelado nas escrituras e o Criador infinitamente misterioso mostrado na especulação filosófica.
É verdade que a filosofia não demonstra o nível de amor presente em Deus, a Bondade Suprema. Mas o que a filosofia nos fornece tem grande valor. Ela deixa o caminho aberto para que conheçamos o Criador através da razão, e combate várias idéias erradas sobre Ele, e sobre a origem de todas as coisas. Também, desencoraja a idolatria – e a idéia de que Deus é do tamanho humano, limitado a uma distância mensurável. Deus não pode ser maior do que nós com base em nenhuma medida finita. Ele não está em competição com nenhuma de suas criaturas. E a filosofia teísta pode nos ajudar a perceber tudo isso; e coopera para que nos sintamos gratos por algo que muitas vezes menosprezamos: nossa Causa, e nossa própria existência.

Vou te responder com um argumento filosófico lógico.

╬ O ARGUMENTO DO HOMEM PRIMITIVO E DA VACA MORTA ╬

• DADOS: O homem primitivo tem duas vacas. Uma delas morre.

• QUESTÃO: Qual é a diferença entre a vaca morta e a vaca viva? A diferença é tão grande que o homem primitivo precisa de duas palavras para designar essas duas vacas diferentes: “viva” e “morta”. Morta, naturalmente, significa que ela carece do que a viva tem. Mas o que é? O que faz a vaca viva, ser viva?

• MÉTODO: O homem primitivo conhece um método simples para descobrir uma resposta que provavelmente não tenha ocorrido a um filósofo: ele olha para seus dados! Parece não haver diferença material (tamanho, peso ou cor) entre as vacas. Contudo, algo está claramente faltando. O que é? O que é a vida?
* ASPECTO EMPÍRICO DA RESPOSTA: a resposta óbvia para qualquer observador, cuja cabeça ainda não esteja nas nuvens das teorias competitivas, é que a vida é o que faz a vaca respirar [a palavra para vida ou alma é a mesma para sopro e respiração em muitas línguas antigas]. Não significa que a vida seja o ar, mas sim, O PODER PARA MOVÊ-LO PELOS PULMÕES; ainda existe ar no pulmão da vaca morta, mas não “respiração”, força para movê-lo.
** ESCLARECIMENTO DOS TERMOS: o termo “alma” pode significar no mínimo três coisas diferentes, mas relacionadas: (1) o princípio ou a fonte de vida para um corpo vivo; (2) o princípio da consciência, ou (3) o princípio da autoconsciência ou da personalidade. Neste argumento, usamos “alma” no sentido 1. Neste sentido, humanos, animais e até plantas têm uma espécie de alma – um princípio de vida.

→ DEDUÇÃO DO HOMEM PRIMITIVO: O homem primitivo descobriu que “a vida não é uma coisa material”, tal como um órgão. É a vida dos órgãos, a vida do corpo. Não é algo que vive, mas algo pelo qual os órgãos (e nós) vivemos.

• INFERÊNCIA: Se a vida (alma) não é algo que vive, mas algo pelo qual nós vivemos, então ela também não pode morrer, - pelo menos, da forma que os corpos morrem. Estes morrem pela remoção da vida (alma), mas a alma não pode morrer pela remoção da alma. A alma não pode perder a alma. Os corpos morrem porque eles têm a vida emprestada. A alma não tem a vida emprestada. A alma NÃO TEM vida, a alma É a vida, ou pelo menos DÁ vida enquanto o corpo a GANHA.

╬ CONCLUSÃO FINAL ╬

Se o corpo tem a vida emprestada da alma, esta pode, por sua vez, ter um empréstimo de outra fonte superior – a Fonte da Vida.
Existe em nós uma alma imaterial que, como não é feita de matéria, não precisa ser sujeita às leis da matéria, incluindo a mortalidade.
Se não houvesse mente ou vontade controlando meus braços e pernas, meus músculos e nervos, eu não seria capaz de saltar nem de levantar as coisas. Quando meu corpo morrer, meus membros já não poderão mais se mover, embora os músculos e os nervos permançam. Quando eu morrer, meu corpo reverterá sua obediência à meras leis físicas.
Se existe um poder da alma que não pode vir do corpo, isso indica que a alma não é uma parte ou função do corpo. Por outro lado, isso indica que ela não está sujeita às leis do corpo, incluindo a mortalidade.
Tal poder da alma existe, e não poderia proceder do corpo. É o poder de DAR SIGNIFICADO ao corpo. O corpo não pode dar significado a si mesmo, nem mesmo conhecer-se.

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