Evidências de Deus , uma fé racional

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As evidências da existência de Deus

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1 As evidências da existência de Deus em Sex Out 02, 2009 2:50 pm

As evidências da existência de Deus

Uma das objeções mais comuns de ateus é que os argumentos fornecidos pelos teístas são baseados em lacunas de conhecimento e ignorância. Cada uma das seguintes frases são baseadas em premissas positivas. Não ignorância.

A mente antecede a matéria. A matéria não pode produzir consciência
O começo do universo precisa de uma causa
As leis da natureza requerem um legislador
O ajuste fino precisa de quem faz ajustes finos
A vida pode comer apenas a partir de vida
Apenas inteligência pode construir fábricas e máquinas complexas como células biologicas
Informação codificada como no DNA tem sempre origem mental
A linguagem é sempre uma invenção mental
A lógica e a razão só podem vir de mentes racionais
Livre arbítrio pode ter sua origem apenas no consciênte
Existe moral objetiva. Portanto, existe um legislador que pre-ordena a moral


O fato de que o universo físico teve um começo, significa que ele teve uma causa. O fato de que o universo está finamente ajustado ao extremo, aponta para a exigência de uma ajustador. Informação codificada que é complexa e instrucional / especificada encontrada em sistemas epigenéticos e genes, e, máquinas moleculares interdependentes irredutíveis e biossintéticas e vias metabólicas em sistemas biológicas, e o fornecimento específico de energia, onde e necessário, e redes de comunicação e máquinas de processamento de informação nas células apontam para um agente inteligente como melhor explicação para a sua configuração e origens.

A Natureza Temporal do Cosmos (argumento cosmológico kalaam)
(a) O universo começou a existir
(b) Tudo o que começa a existir deve ter uma causa
(c) Portanto, o Universo deve ter uma causa
(d) Esta causa deve ser eterna (não causada), não-espacial, imaterial, atemporal e  pessoal (que tem a capacidade de causar deliberadamente o início do universo)
(e) A causa que se encaixa na descrição e normalmente atribuída  a Deus

A natureza única do nosso mundo e do Universo ( princípio antrópico)

(a) O nosso universo parece projetado exclusivamente para:

i.. Pode existir vida
ii. Esta mesma vida poder examinar o universo

(b) Este projeto original não pode ser o resultado do acaso ou probabilidades desgovernadas
(c) Existe, portanto, um Deus que criou o universo para sustentar a vida humana e revelar a Sua existência como criador do Cosmos


A aparência de design (teleológica)

(a) artefatos Humanos (como relógios) são produtos de design inteligente
(b) Muitos aspectos e elementos do nosso universo se assemelham a artefatos humanos
(c) Por isso, é altamente provável o aparecimento de design no universo é simplesmente o reflexo de um designer inteligente
(d) Dada a complexidade e natureza expansiva do Universo, este designer deve ser incrivelmente inteligente e poderoso (Deus)

(3) a existência da verdade moral objetiva (axiológica)
(a) Existe um objetivo lei moral (transcendente)
(b) Toda lei tem um legislador
(c) Portanto, não há um objetivo (transcendente) moral lei doador
(d) A melhor explicação para este objetivo (transcendente) legislador é Deus

A existência de leis absolutas de  Logica (transcendente)

(a)  as leis da lógica existem

i.   As leis da lógica são leis conceituais
ii.  As leis da lógica são transcendentes
iii. A logica pré-existe as leis dos seres humanos

(b) Todas as leis conceituais refletem a mente de um legislador


http://www.google.com.br/search?hl=pt-BR&source=hp&q=evid%C3%AAncias+da+existencia+de+deus&btnG=Pesquisa+Google&meta=&aq=f&oq=


http://pt.wikipedia.org/wiki/Exist%C3%AAncia_de_Deus

Existem diferentes definições para Deus, o qual tanto pode ser um ser com poderes sobrenaturais, amado ou temido, quanto representar o princípio criador e mantenedor de todas as coisas do universo.
A definição de Deus abraâmico é de um Ser Supremo, um espírito dotado de entendimento e de vontade, infinitamente perfeito que existe por si mesmo - porque de ninguém recebeu a existência, ninguém O fez - e de quem todos os outros seres recebem a existência. É o único Ser necessário que existe desde toda a eternidade, sempre existiu e sempre existirá. Deus é Aquele que é.
Videos :

Evidências da Existência de Deus.

http://www.youtube.com/watch?v=oHs4LSrDhTE



EVIDENCIAS DA FISICA - A HIPÓTESE DE DEUS

Cada vez mais os físicos se maravilham com a complexidade do nosso universo, e em como esse universo está finamente sintonizado para acolher vida. A hipótese de Deus testada numa investigação realizada por Lee Strobel, um jornalista convertido do ateísmo ao cristianismo.
http://www.youtube.com/watch?v=3v-QSlCfLks



A constelação de Órion

Video tirado diretamente do site
http://www.eoqha.net
Mais uma vez o Prof. Rodrigo Silva (Especializado em Arqueologia pela Universidade Hebraica de Jerusalém e Doutor em Novo Testamento pela Pontifícia Faculdade Nossa Senhora de Assunção), traz uma maravilhosa palestra. Desta vez tratando das Evidências de Deus na constelação de Órion.
Através de estudos da Nasa, livros científicos e arqueologia, o prof. Rodrigo mostra como que uma mulher a mais de 100 anos atrás acertou em cheio o que só hoje os cientistas conseguiram descobrir.
Obs: em minha humilde opinião o site http://www.eoqha.net tem muitas matérias interessantes e vale uma boa visita nele.

http://www.youtube.com/watch?v=H5jV-tLAudQ&feature=related



Última edição por Elohim888 em Dom Fev 08, 2015 7:11 am, editado 3 vez(es)

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2 Re: As evidências da existência de Deus em Sex Out 02, 2009 2:52 pm

Evidências na Criação

http://www.jesusvoltara.com.br/atuais/existencia_deus.htm

Quando analisamos as coisas criadas, inclusive as estrelas, todos estes nos ensinam que há um Deus Criador, Onipotente e Onisciente:
“Mas pergunta agora às alimárias, e cada uma delas to ensinará; e às aves dos céus, e elas to farão saber. Ou fala com a terra, e ela te instruirá; até os peixes do mar to contarão. Qual entre todos estes não sabe que a mão do SENHOR fez isto?” Jó 12:7-9.
“Porventura, não está Deus nas alturas do céu? Olha para as estrelas mais altas. Que altura!” Jó 22:12. “Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, e a lua e as estrelas que estabeleceste” Salmos 8:3.
“Levantai ao alto os olhos e vede. Quem criou estas coisas? Aquele que faz sair o seu exército de estrelas, todas bem contadas, as quais ele chama pelo nome; por ser ele grande em força e forte em poder, nem uma só vem a faltar”. Isaías 40:26.
Além de a natureza convidar-nos a contemplar a Deus nas obras criadas, as estrelas também o fazem. O estudo da astronomia auxilia-nos nesta investigação.
Em Isaías 40:18 e 26, Deus faz estas perguntas a todos os ateus rebeldes (não é o seu caso) que apesar das evidências não querer crer: “Com quem comparareis a Deus? Ou que cousa semelhante confrontareis com ele? Levantai os olhos e vede. Quem criou estas coisas?...” Ele continua: “Lembrai-vos das coisas passadas da antigüidade: eu sou Deus, e não há outro, eu sou Deus , e não há outro semelhante a mim...” Isaías 46:9.

Vejamos mais de perto a criação: o universo com suas bilhões de Galáxias (imagine quantos planetas existem nelas!); os instintos dos animais, que sabem a hora certa de hibernar, de adquirir alimentos, de desovar no período correto (peixes); o corpo humano, cuja complexidade é estarrecedora (o cérebro continua sendo um mistério aos cientistas): como explicar evolutivamente as mamas? Até que se desenvolvessem, os filhos morreriam de fome (o mesmo em relação aos demais mamíferos). E, se eles se alimentam de outra maneira, para que iriam necessitar do leite?

E o olho humano? (até Darwin ficava intrigado com isso). Este contém muitos músculos que trabalham harmoniosamente; a retina humana faz inveja aos cientistas especializados em computadores. Seus 100 milhões de bastonetes e de cones, e sua camadas de neurônios, realizam pelo menos 10 bilhões de cálculos por segundo! Seria possível a visão humana ter surgido por acaso? Darwin admitiu que isso era um problema quando escreveu: “Parece impossível ou absurdo, reconheco-o, supor que a [evolução] pudesse formar a visão”. [A Origem das Espécies, pág. 168] .

E assim, poderiam ser numerados muitos outros exemplos. Como disse o Biólogo Edwin Conklin: “A probabilidade de a vida originar-se por acaso é comparável à probabilidade de um dicionário completo surgir como resultado da explosão de uma tipografia”. Pode-se formar um dicionário através da explosão de uma tipografia? Claro que não! Imagine o universo com todas as suas criaturas, que é muito mais complexo!
Abrindo um parêntese, alguns cientistas afirmam ter descoberto que os homens descendem de primatas. Entretanto, precisamos aceitar o fato de que nem sempre a ciência está correta em suas conclusões:
Anos atrás os cientistas diziam ter descoberto o ancestral do homem: o Homem de Nebraska. “Após grande publicidade, por ter sido considerado como ancestral do homem, revelou-se mais tarde ser apenas um porco extinto. Toda “evidência” provinha originalmente de um único dente e, no entanto, reconstruções completas foram realizadas na época e circularam como capa de várias revistas científicas. Atitude bem pouco científica essa, não?”
Devemos aceitar o que está na Bíblia (Gênesis 1 e 2) no que diz respeito à criação do mundo .

Evidências através Astronomia

“Levantai ao alto os olhos e vede. Quem criou estas coisas? Aquele que faz sair o seu exército de estrelas, todas bem contadas, as quais ele chama pelo nome; por ser ele grande em força e forte em poder, nem uma só vem a faltar”. (Isaías 40:26).
Vejamos algo mais sobre as estrelas – o que elas nos mostram sobre a existência de Deus:
Cada estrela, para manter-se em ignição e fornecer o calor e a energia sem os quais a vida seria impossível, gasta dezenas de toneladas de sua própria massa em cada segundo. Isto é lógico no sentido de que tudo que queima consome combustível. (a única exceção que conhecemos é o milagre da sarça ardente que só Deus é capaz de realizar).
De acordo com análises feitas por astrônomos e cientistas, se as estrelas consomem energia de si mesmas, elas não são eternas, pois a quantidade de massa que elas consomem – sua própria massa - (mais especificamente o sol) faria com que elas durassem apenas duzentos ou trezentos anos!
Além de nos mostrar que as estrelas não são eternas – foram “criadas”, esta evidência nos mostra que “alguém está fornecendo esta massa para as estrelas consumirem”, pois se isto não acontecesse, elas não mais existiriam, pois elas consomem massa de si mesmas. E este alguém é Deus!
Veja o quanto as estrelas nos falam sobre Deus!
Como disse o grande astrônomo William Herschell: “Louco é o astrônomo que não crê em Deus”.

Evidências Científicas

A Lei da CAUSA e EFEITO também dá-nos evidências da existência de um Criador.
Estudando as estrelas e o espaço, vemos que toda esta organização não pode existir por acaso. “Onde há um plano perfeito, há um projetista perfeito”.
“A lei das causas e efeitos é uma realidade universal. Não importa quão inédita e criativa seja uma obra. Aquele que a planejou, estará num plano superior a ela. Os EFEITOS, são manifestações condicionais de uma CAUSA; e a CAUSA, sempre, em quaisquer escalas, supera em níveis de importância, aos EFEITOS – sejam eles quais forem. ... .
Isto quer dizer que, se há o universo (EFEITO), tem de haver um Criador (a CAUSA) superior a tudo isto.

Evidências Biológicas

A teoria conhecida como BIOGÊNESE é uma evidência fortíssima em favor da existência de Deus. O cientista francês Louis Pasteur a propôs em meados do século XX. Que seria esta teoria? A doutrina de que toda a vida provém de vida. Ele provou isto em laboratório. Refutou a teoria conhecida como Abiogênese, que prega a “geração espontânea”, ou seja, a vida pode surgir de algo morto. Após a descoberta de Louis Pasteur, a Abiogênese caiu ainda mais no ridículo.

Evidências através de Jesus Cristo

Esta é a maior das provas acerca da existência de Deus. Além da Bíblia, a história e a Arqueologia comprovam que Jesus existiu ; enquanto Ele esteve na terra, realizou muitos milagres, e inclusive ressuscitou mortos. Pergunto: Pelo poder de quem Ele fez isto? A única explicação é aquela dada por Ele mesmo: “Respondeu-lhes Jesus: Já vo-lo disse, e não credes. As obras que eu faço em nome de meu Pai testificam a meu respeito”. João 10:25. Sendo que Cristo passou por nosso mundo (conseguiu dividir a história), devemos acreditar nEle quando afirma existir Deus.

A fim de crer em Deus, não basta apenas ter estas e outras evidências: deverás exercitar sua fé através de um íntimo relacionamento com Ele por meio da oração, estudo da Bíblia e pela percepção de Sua atuação em tua vida. Dependerá muito também de sua busca: “Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração”. Jeremias 29:13. Tenhas certeza de que Deus ouvirá o clamor de seu coração e com certeza sua vida tornar-se-á cheia de sentido e significado ao creres nEle.

Finalizo com as Palavras do grande físico, matemático e astrônomo inglês Isaac Newton:
“Este universo existe, e por esse único fato impossível, constitui-se em um milagre. Confirma um poder infinito, bem maior do que qualquer parte; uma unidade sustendo tudo, incluindo todos os outros mundos num só! É um mistério, o único indiscutível que conhecemos, implicando nele todos os atributos de Deus”. (Citado em Mundos Maravilhosos de Philip L. Knox, pág. 47).

http://logoshp.6te.net/ttpateus.htm

O argumento cristológico. Se os ateus individuais estão dispostos a considerar a evidência para a existência de Deus, veja Jesus Cristo. Jesus não disse ser outro a não ser Deus em carne humana (Jo. 8.58). Esta afirmação assombrosa foi apoiada por Seu caráter pessoal sem igual, Seu cumprimento de profecias, Sua incalculável influência na história humana, Seus muitos milagres e, finalmente, Sua histórica ressurreição (para uma apresentação completa do argumento cristológico veja o livro de William Craig, Apologetics: An Introduction e a série O Jesus Histórico neste site). A evidência está definitivamente lá para o ateu sincero examinar. Como o recente apologista Francis Schaeffer disse "Deus está ali e não está em silêncio."








Última edição por Elohim888 em Qui Mar 24, 2011 11:04 pm, editado 1 vez(es)

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3 Re: As evidências da existência de Deus em Sex Out 02, 2009 2:55 pm

Existência de Deus

http://www.montfort.org.br/index.php?secao=cadernos&subsecao=religiao&artigo=existencia&lang=bra


Iª Via - Prova do movimento
IIª Via - Prova da causalidade eficiente
IIIª Via - Prova da contingência
IVª Via - Dos graus de perfeição dos entes
Vª Via - Prova da existência de Deus pelo governo do mundo


"Ninguém afirma: `Deus não existe' sem antes ter desejado que Ele não exista".

Esta frase, de um filósofo muito suspeito, por ser esotérico - Joseph de Maistre - tem muito de verdade.

Com efeito, o devedor insolvente gostaria que seu credor não existisse. O pecador que não quer deixar o pecado, passa a negar a existência de Deus.

Por isso, quando se dá as provas da existência de Deus para alguém, não se deve esquecer que a maior força a vencer não é a dos argumentos dos ateus, e sim o desejo deles de que Deus não exista. Não adiantará dar provas a quem não quer aceitar sua conclusão. Em todo caso, as provas de Aristóteles e de São Tomás a respeito da existência de Deus têm tal brilho e tal força que convencem a qualquer um que tenha um mínimo de boa vontade e de retidão intelectual.

É para essas pessoas que fazemos este pequeno resumo dos argumentos de São Tomás sobre a existência de Deus, tendo por base o que ele diz na Suma Teológica I, q.2, a.a 1, 2, 3 e 4.

Inicialmente, pergunta São Tomás se a existência de Deus é verdade de evidência imediata. Ele explica que uma proposição pode ser evidente de dois modos:

1) em si mesma, mas não em relação a nós;

2) em si mesma e para nós.

Uma proposição é evidente quando o predicado está incluído no sujeito. Por exemplo, a proposição o homem é animal é evidente, já que o predicado animal está incluso no conceito de homem.

Quando alguns não conhecem a natureza do sujeito e do predicado, a proposição - embora evidente em si mesma - não será evidente para eles. Ela será evidente apenas para os que conhecem o que significam o sujeito e o predicado. Por exemplo, a frase: "O que é incorpóreo não ocupa lugar no espaço", é evidente em si mesma e é evidente somente aqueles que sabem o que é incorpóreo.

Tendo em vista tudo isso, São Tomás diz que:

a) A proposição "Deus existe" é evidente em si mesma porque nela o predicado se identifica com o sujeito, já que Deus é o próprio ente.

b) Mas, com relação a nós, que desconhecemos a natureza divina, ela não é evidente, mas precisa ser demonstrada. E o que se demonstra não é evidente. O que é evidente para nós não cabe ser demonstrado.

Portanto, a existência de Deus pode ser demonstrada. Contra isso, São Tomás dá uma objeção, dizendo que a existência de Deus é um artigo de fé. Ora, o que é de fé não pode ser demonstrado. Logo, concluir-se-ia que não se pode demonstrar que Deus existe. São Tomás ensina que há dois tipos de demonstração:

1) Demonstração propter quid (devido a que)

É a que se baseia na causa. Ela parte do que é anterior (a causa) discorrendo para o que é posterior ( o efeito).

2) Demonstração quia (porque)

É a que parte do efeito para conhecer a causa.

Quando vemos um efeito mais claramente que sua causa, pelo efeito acabamos por conhecer a causa. Pois o efeito depende da causa, e é, de algum modo, sempre semelhante a ela. Então, embora a existência de Deus não seja evidente apenas para nós, ela é demonstrável pelos efeitos que dela conhecemos.

A existência de Deus e outras verdades semelhantes a respeito dele que podem ser conhecidos pela razão, como diz São Paulo Rom. I, 19), não são artigos de fé. Deste modo, a fé pressupõe o conhecimento natural, assim como a graça pressupõe a natureza e a perfeição pressupõe o que é perfectível.

Entretanto, alguém que não conheça ou não entenda a demonstração filosófica da existência de Deus, pode aceitar a existência dele por fé.

É no artigo 3 dessa questão 2 da 1ª parte da Suma Teológica que São Tomás expõe as provas da existência de Deus. São as famosas 5 vias tomistas.

Iª Via - Prova do movimento

É a prova mais clara.

É inegável que há coisas que mudam. Nossos sentidos nos mostram que a planta cresce, que o céu fica nublado, que a folha passa a ser escrita, que nós envelhecemos, que mudamos de lugar, etc.

Há mudanças substanciais. Ex.: madeira que vira carvão. Há mudanças acidentais. Ex: parede branca que é pintada de verde. Há mudanças quantitativas. Ex: a água de um pires diminuindo por evaporação. Há mudanças locais. Ex: Pedro vai ao Rio.

Nas coisas que mudam, podemos distinguir:

a) As qualidades ou perfeições já existentes nelas.

b) as qualidades ou perfeições que podem vir a existir, que podem ser recebidas por um sujeito.

As perfeições existentes são ditas existentes em Ato.

As perfeições que podem vir a existir num sujeito são existentes em Potência passiva. Assim, uma parede branca tem brancura em Ato, mas tem cor vermelha em Potência.

Mudança ou movimento é pois a passagem de potência de uma perfeição qualquer (x) para a posse daquela perfeição em Ato.

M = PX ---->> AX

Nada pode passar, sozinho, de potência para uma perfeição, para o Ato daquela mesma perfeição. Para mudar, ele precisa da ajuda de outro ser que tenha aquela qualidade em Ato.

Assim, a panela pode ser aquecida. Mas não se aquece sozinha. Para aquecer-se, ela precisa receber o calor de outro ser - o fogo - que tenha calor em Ato.

Outro exemplo: A parede branca em Ato, vermelha em potência, só ficará vermelha em Ato caso receba o vermelho de outro ser - a tinta - que seja vermelho em Ato.

Noutras palavras, tudo o que muda é movido por outro. É movido aquilo que estava em potência para uma perfeição. Em troca, para mover, para ser motor, é preciso ter a qualidade em ato. O fogo (quente em ato) move, muda a panela (quente em potência) para quente em ato.

Ora, é impossível que uma coisa esteja, ao mesmo tempo, em potência e em ato para a mesma qualidade.

Ex.: Se a panela está fria em ato, ela tem potência para ser aquecida. Se a panela está quente em ato ela não tem potência para ser aquecida.

É portanto impossível que uma coisa seja motor e móvel, ao mesmo tempo, para a mesma perfeição. É impossível, pois, que uma coisa mude a si mesma.

Tudo o que muda é mudado por outro.

Tudo o que se move é movido por outro.

Se o ente 1 passou de Potência de x para Ato x, é porque o ente 1 recebeu a perfeição x de outro ente 2 que tinha a qualidade x em Ato.

Entretanto, o ente 2 só pode ter a qualidade x em Ato se antes possuía a capacidade - a potência de ter a perfeição x.

Logo, o ente 2 passou, ele também, de potência de x para Ato x. Se o ente 2 só passou de PX para AX, é porque ele também foi movido por um outro ente, anterior a ele, que possuía a perfeição x em Ato.

Por sua vez, também o ente 3 só pode ter a qualidade x em Ato, porque antes teve Potência de x e só passou de PX para AX pela ajuda de outro ente 4 que tinha a qualidade x em Ato. E assim por diante.

PX ---> AX PX (5) ---> AX PX (4) ---> AX PX (3) ---> AX PX (2) ---> AX (1)

Esta seqüência de mudanças ou é definida ou indefinida. Se a seqüência fosse indefinida, não teria havido um primeiro ser que deu início às mudanças.

Noutras palavras, em qualquer seqüência de movimentos, em cada ser, a potência precede o ato. Mas, para que se produza o movimento nesse ser, é preciso que haja outro com qualidade em ato.

Se a seqüência de movimentos fosse infinita, sempre a potência precederia o ato, e jamais haveria um ato anterior à potência. É necessário que o movimento parta de um ser em ato. Se este ser tivesse potência, não se daria movimento algum. O movimento tem que partir de um ser que seja apenas ato.

Portanto, a seqüência não pode ser infinita.

Ademais, está se falando de uma série de movimentos nas coisas que existem no universo.

Ora, esses movimentos se dão no espaço e no tempo. Tempo-espaço são mensuráveis. Portanto, não são movimentos que se dão no infinito.

A seqüência de movimentos em tempo e espaço finitos tem que ser finita.

E que o universo seja finito se compreende, por ser ele material. Sendo a matéria mensurável, o universo tem que ser finito.

Que o universo é finito no tempo se comprova pela teoria do Big Bang e pela lei da entropia. O universo principiou e terá fim. Ele não é infinito no tempo.

Logo, a seqüência de movimentos não pode ser infinita, pois se dá num universo finito.

Ao estudarmos as cinco provas de S. Tomás sobre a existência de Deus, devemos ter sempre em mente que ele examina o que se dá nas "coisas criadas", para, através delas, compreender que existe um Deus que as criou e que lhes deu as qualidades visíveis, reflexos de suas qualidades invisíveis e em grau infinito.

Este primeiro motor não pode ser movido, porque não há nada antes do primeiro. Portanto, esse 1º ente não podia ter potência passiva nenhuma, porque se tivesse alguma ele seria movido por um anterior. Logo, o 1º motor só tem ATO. Ele é apenas ATO, isto é, tem todas as perfeições.

Este ser é Deus.

Deus então é ATO puro, isto é, ATO sem nenhuma potência passiva. Este ser que é ato puro não pode usar o verbo ser no futuro ou no passado. Deus não pode dizer "eu serei bondoso", porque isto implicaria que não seria atualmente bom, que Ele teria potência de vir a ser bondoso.

Deus também não pode dizer "eu fui", porque isto implicaria que Ele teria mudado, isto é, passado de potência para Ato. Deus só pode usar o verbo ser no presente. Por isso, quando Moisés perguntou a Deus qual era o seu nome, Deus lhe respondeu "Eu sou aquele que é" (aquele que não muda, que é ato puro).

Também Jesus Cristo ao discutir com os fariseus lhes disse: "Antes que Abraão fosse, eu sou" (Jo. VIII, 58). E os judeus pegaram pedras para matá-lo porque dizendo eu sou Ele se dizia Deus.

Na ocasião em que foi preso, Cristo perguntou: "a quem buscais ?", e, ao dizerem "a Jesus de Nazaré", ele lhes respondeu:

"Eu sou". E a essas palavras os esbirros caíram no chão, porque era Deus se definindo.

Do mesmo modo, quando Caifás esconjurou que Cristo dissesse se era o Filho de Deus, Ele lhe respondeu: "Eu sou". E Caifás entendeu bem que Ele se disse Deus, porque imediatamente rasgou as vestes dizendo que Cristo blasfemara afirmando-se Deus.

Deus é, portanto, ATO puro. É o ser que não muda. Ele é aquele que é. Por isso, a verdade não muda. O dogma não muda. A moral não evolui. O bem é sempre o mesmo.A beleza não muda.

Quando os modernistas afirmam que a verdade, o dogma, a moral, a beleza evoluem, eles estão dizendo que Deus evolui, que Ele não é ATO puro. Eles afirmam que Deus é fluxo, é ação, é processo e não um ente substancial e imutável.

É o que afirma hereticamente a Teologia da Libertação. Diz Frei Boff:

" Assim, o Deus cristão é um processo de efusão, de encontro, de comunhão entre distintos enlaçados pela vida, pelo amor." (Frei Boff, A Trindade e a Sociedade, p. 169)

Ou então:

"Assim, Mary Daly sugere compreendermos Deus menos como substância e mais como processo, Deus como verbo ativo (ação) e menos como um substantivo. Deus significaria o viver, o eterno tornar-se, incluindo o viver da criação inteira, criação que, ao invés de estar submetida ao ser supremo, participaria do viver divino." (Frei Boff, A Trindade e a Sociedade, pp. 154-155)

É natural pois que Boff tenha declarado em uma conferência em Teófilo Otono:

Como teólogo digo: sou dez vezes mais ateu que você desse deus velho, barbudo lá em cima. Até que seria bom a gente se livrar dele." (Frei Boff, Pelos pobres, contra a pobreza, p. 54)



IIª Via - Prova da causalidade eficiente

Toda causa é anterior a seu efeito. Para uma coisa ser causa de si mesma teria de ser anterior a si mesma. Por isso neste mundo sensível, não há coisa alguma que seja causa de si mesma. Além disso, vemos que há no mundo uma ordem determinada de causas eficientes.

Assim, numa série definida de causas e efeitos, o resfriado é causado pela chuva, que é causada pela evaporação, que é causada pelo calor, que é causado pelo Sol. No mundo sensível, as causas eficientes se concatenam às outras, formando uma série em que umas se subordinam às outras: A primeira, causa as intermediárias e estas causam a última. Desse modo, se for supressa uma causa, fica supresso o seu efeito. Supressa a primeira, não haverá as intermediárias e tampouco haverá então a última.

Se a série de causas concatenadas fosse indefinida, não existiria causa eficiente primeira, nem causas intermediárias, efeitos dela, e nada existiria. ora, isto é evidentemente falso, pois as coisas existem. Por conseguinte, a série de causas eficientes tem que ser definida. Existe então uma causa primeira que tudo causou e que não foi causada.

Deus é a causa das causas não causada. Esta prova foi descoberta por Sócrates que morreu dizendo: "Causa das causas, tem pena de mim". A negação da Causa primeira leva à ciência materialista a contradizer a si mesma, pois ela concede que tudo tem causa, mas nega que haja uma causa do universo.

O famoso físico inglês Stephen Hawkins em sua obra "Breve História do Tempo" reconheceu que a teoria do Big-Bang (grande explosão que deu origem ao universo, ordenando-o e não causando desordem, como toda explosão faz devido a Lei da entropia) exige um ser criador. Hawkins admitiu ainda que o universo é feito como uma mensagem enviada para o homem. Ora, isto supõe um remetente da mensagem. Ele, porém, confessa que a ciência não pode admitir um criador e parte então para uma teoria gnóstica para explicar o mundo.

O mesmo faz o materialismo marxista. Negando que haja Deus criador do universo, o marxismo se vê obrigado a transferir para a matéria as qualidades da Causa primeira e afirmar, contra toda a razão e experiência, que a matéria é eterna, infinita e onipotente. Para Marx, a matéria é a Causa das causas não causada.



IIIª Via - Prova da contingência

Na natureza, há coisas que podem existir ou não existir. Há seres que se produzem e seres que se destroem. Estes seres, portanto, começam a existir ou deixam de existir. Os entes que têm possibilidade de existir ou de não existir são chamados de entes contingentes. Neles, a existência é distinta da sua essência, assim o ato é distinto da potência. Ora, entes que têm a possibilidade de não existir, de não ser, houve tempo em que não existiam, pois é impossível que tenham sempre existido.

Se todos os entes que vemos na natureza têm a possibilidade de não ser, houve tempo em que nenhum desses entes existia. Porém, se nada existia, nada existiria hoje, porque aquilo que não existe não pode passar a existir por si mesmo. O que existe só pode começar a existir em virtude de um outro ente já existente. Se nada existia, nada existiria também agora. O que é evidentemente falso, visto que as coisas contingentes agora existem.

Por conseguinte, é falso que nada existia. Alguma coisa devia necessariamente existir para dar, depois, existência aos entes contingentes. Este ser necessário ou tem em si mesmo a razão de sua existência ou a tem de outro.

Se sua necessidade dependesse de outro, formar-se-ia uma série indefinida de necessidades, o que, como já vimos é impossível. Logo, este ser tem a razão de sua necessidade em si mesmo. Ele é o causador da existência dos demais entes. Esse único ser absolutamente necessário - que tem a existência necessariamente - tem que ter existido sempre. Nele, a existência se identifica com a essência. Ele é o ser necessário em virtude do qual os seres contingentes tem existência. Este ser necessário é Deus.



IVª Via - Dos graus de perfeição dos entes

Vemos que nos entes, uns são melhores, mais nobres, mais verdadeiros ou mais belos que outros. Constatamos que os entes possuem qualidades em graus diversos. Assim, dizemos que o Rio de Janeiro é mais belo que Carapicuíba. Nessa proposição, há três termos: Rio de Janeiro, Carapicuíba e Beleza da qual o Rio de Janeiro participa mais ou está mais próximo. Porque só se pode dizer que alguma coisa é mais que outra, com relação a certa perfeição, conforme sua maior proximidade, participação ou semelhança com o máximo dessa perfeição.

Portanto, tem que existir a Verdade absoluta, a Beleza absoluta, o Bem absoluto, a Nobreza absoluta, etc. Todas essas perfeições em grau máximo e absoluto coincidem em um único ser, porque, conforme diz Aristóteles, a Verdade máxima é a máxima entidade. O Bem máximo é também o ente máximo.

Ora, aquilo que é máximo em qualquer gênero é causa de tudo o que existe nesse gênero. Por exemplo, o fogo que tem o máximo calor, é causa de toda quentura, conforme diz Aristóteles. Há, portanto, algo que é para todas as coisas a causa de seu ser, de sua bondade, de sua verdade e de todas as suas perfeições. E a isto chamamos Deus.

Por esta prova se vê bem que a ordem hierárquica do universo é reveladora de Deus, permitindo conhecer sua existência, assim como conhecer suas perfeições. É o que diz São Paulo na Epístola aos Romanos (I, 19). E também é por isso que Deus, ao criar cada coisa dizia que ela era boa, como se lê no Gêneses ( I ). Mas quando a Escritura termina o relato da criação, diz que Deus, ao contemplar tudo quanto havia feito, viu que o conjunto da criação era "valde bona", isto é, ótimo.

Pois bem, se cada parcela foi dita apenas boa por Deus como se pode dizer que o total é ótimo? O total deve ter a mesma natureza das parcelas, e portanto o total de parcelas boas devia ser dito simplesmente bom e não ótimo. São Tomás explica essa questão na Suma contra Gentiles. Diz ele que o total foi declarado ótimo porque, além da bondade das partes havia a sua ordenação hierárquica. É essa ordem do universo que o torna ótimo, pois a ordem revela a Sabedoria do Ordenador. Por aí se vê que o comunismo, ao defender a igualdade como um bem em si, odeia a ordem, imagem da Sabedoria de Deus. Odiando a imagem de Deus, o comunismo odeia o próprio Deus, porque quem odeia a imagem odeia o ser por ela representado. Nesse ódio está a raiz do ateísmo marxista e de sua tendência gnóstica.



Vª Via - Prova da existência de Deus pelo governo do mundo

Verificamos que os entes irracionais obram sempre com um fim. Comprova-se isto observando que sempre, ou quase sempre, agem da mesma maneira para conseguir o que mais lhes convém.

Daí se compreende que eles não buscam o seu fim agindo por acaso, mas sim intencionalmente. Aquilo que não possui conhecimento só tende a um fim se é dirigido por alguém que entende e conhece. Por exemplo, uma flecha não pode por si buscar o alvo. Ela tem que ser dirigida para o alvo pelo arqueiro. De si, a flecha é cega. Se vemos flechas se dirigirem para um alvo, compreendemos que há um ser inteligente dirigindo-as para lá. Assim se dá com o mundo. Logo, existe um ser inteligente que dirige todas as coisas naturais a seu fim próprio. A este ser chamamos Deus.

Uma variante dessa prova tomista aparece na obra "A Gnose de Princeton". Apesar de gnóstica esta obra apresenta um argumento válido da existência de Deus.

Filmando-se em câmara lenta um jogador de bilhar dando uma tacada numa bola, para que ela bata noutra a fim de que esta corra e bata na borda, em certo ângulo, para ser encaçapada, e se depois o filme for projetado de trás para diante, ver-se-á a bola sair da caçapa e fazer o caminho inverso até bater no taco e lançar para trás o braço do jogador. Qualquer um compreende, mesmo que não conheça bilhar, que a segunda seqüência não é a verdadeira, que é absurda. Isto porque à segunda seqüência faltou a intenção, que transparece e explica a primeira seqüência de movimentos. Daí concluir com razão, a obra citada, que o mundo cego caminha - como a flecha ou como a bola de bilhar - em direção a um alvo, a um fim. Isto supõe então que há uma inteligência que o dirige para o seu fim. Há pois uma inteligência que governa o mundo.

Este ser sapientíssimo é Deus.

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4 Re: As evidências da existência de Deus em Sex Out 02, 2009 3:15 pm

Evidências irrecusáveis da existência de Deus

http://www.odebate.com.br/index.phpoption=com_content&task=view&id=12145&Itemid=28


Próximo ao Natal de 2007, publicamos, em jornais da imprensa mineira e carioca (Tribuna da Imprensa), alguns artigos em defesa da tese do "design inteligente", relacionado à criação do homem por ato divino.


Além de defender a intervenção direta de Deus na criação do mundo e dos sêres que nele existem, não poupamos críticas aos neoateus, recorrendo, entre outros, aos seguintes argumentos: a) a pouca (ou nenhuma) qualificação dos darwinistas radicais, para baixar diretrizes sobre assunto que foge à sua competência. Na época, chegamos a ironizar as posições por eles defendidas, tentando imaginar o que se passaria se um leigo em matéria cientifica adentrasse a sala de aula de uma dessas sumidades e se pusesse a discorrer aleatoriamente sobre Biologia, Química, Física ou Matemática. O infeliz, dissemos então, seria, primeiro, ridicularizado, em seguida, ofendido, e, no momento seguinte, expulso.

Não somos elitistas e defendemos o direito de as pessoas se manifestarem livremente sobre qualquer assunto. Mas é claro que há limitações, pois não é razoável deixar que leigos fixem regras sobre temas estranhos a sua formação. É uma simples questão de bom senso.

No plano universitário, há um longo processo para que opiniões sejam aceitas: graduação, pós graduação, preparação (devidamente orientada) e defesa, perante banca examinadora composta por doutores, são exigências para que uma tese seja acolhida no meio acadêmico. E não consta que os "novos ateus" tenham seguido esse roteiro para expor suas idéias, o que lhes retira qualquer credibilidade, pois caem na vala comum das opiniões leigas.

O que escrevemos até aqui é apenas uma introdução ao pensamento de John Lennox, matemático da Universidade de Oxford, na Inglaterra, que, participou, em abril passado, do simpósio Darwinismo hoje, organizado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo. Entrevistado pelo jornalista Hilton Escobar, do Estado de São Paulo, ele se manifestou sobre os seguintes assuntos:

A origem de Deus

"Deus é eterno; ele não foi criado, sempre existiu. A única razão pela qual alguém pode perguntar isso é para dizer que não há realidade definitiva. Quem criou o Deus, que criou Deus? Vamos retroceder no tempo para sempre."

As idéias de Richard Dawkins

"Dawkins acha que ele foi criado pelo universo. Então eu pergunto: quem criou o criador dele? Viu só? A pergunta funciona para os dois lados".

A história do universo, com base no "Design Inteligente"

(teoria que combina conceitos e teologia para explicar a origem da vida no universo e a evolução de vida na terra):

"Bem, no início Deus criou o mundo. Quando isso aconteceu, eu não sei. A Bíblia não diz. A melhor estimativa hoje é em torno de 13 bilhões de anos atrás. Não vejo problema com isso. A descrição do universo, se expandindo a partir de um ponto inicial, é fascinante, porque foi só a partir dos anos 60 que os físicos começaram a falar nisso. Por séculos, eles aceitaram a versão de Aristóteles, de que o universo sempre existiu. Mas, a Bíblia sempre disse que houve um início. É o que eu chamo de convergência. Ciência e Teologia buscam respostas para perguntas muito diferentes, mas não totalmente diferentes."

Conflito entre a teoria do Big Bang e a Teologia da criação

"O que o Big Bang diz é que houve um início representado por uma singularidade, (um ponto de massa e densidade infinitas). O que os cientistas fazem é apontar para trás e dizer: sinto muito, mas não posso ir além desse ponto, porque aqui as leis da física deixam de funcionar. A pergunta lógica que se faz é: qual é a causa dessa singularidade? Aí entram as escrituras e dizem: Deus é responsável. Isso não é anticiência, é algo que faz sentido."

Quem criou Deus

"Existe algo eterno, que nunca foi criado? Deus é eterno, segundo a fé cristã, Ele nunca foi criado, sempre existiu. Perguntar quem o criou é um absurdo. E o que dizem sobre a matéria e a energia? Os materialistas acreditam que elas são eternas. De ambos os lados do debate há uma realidade definitiva. Para mim, essa realidade é Deus. Para o materialista, é matéria e energia. Então, não venha discutir comigo sobre quem criou Deus. A verdadeira pergunta que devemos fazer é: para que lado apontam as evidências?"

O "design" inteligente

"A pergunta que está na base do assim chamado movimento do "design" inteligente é esta: há evidências científicas de que universo não é um sistema fechado, de que houve um input de inteligência em sua criação? O que buscam fazer com isso é separar a questão científica da questão teológica (...) você acha que o fato de o universo ser inteligível é evidência de que? De uma inteligência superior que o criou, ou de um processo aleatório e despropositado?"

A evolução Darwiniana

"Não vejo problema com o que o Darwin observou. Ele foi um gênio! A seleção natural faz algumas coisas, como mudar bicos de pássaro e coisas assim. O erro está em acreditar que a evolução faz tudo. A evolução pressupõe a existência de um organismo replicador mutante. Ela não pode explicar a origem da vida. Não estou dizendo que processos naturais não estão envolvidos, estou dizendo que a inteligência tem de estar envolvida desde o início".

Como foi criada a vida

"Os físicos concordam que houve um início, então eles estão em acordo com a Bíblia nesse aspecto. No primeiro capítulo da Bíblia está escrito: ‘E Deus disse: faça-se a luz’. Então eu imagino que Deus falou e criou o universo. Depois, ele falou de novo, e houve outras singularidades. Talvez uma delas tenha sido a criação da vida."

A ancestralidade comum de todos os sêres, segundo Darwin

"O que eu acredito é que houve pontos especiais na história em que Deus introduziu coisas novas, que não podem ser explicadas apenas por processos naturais que já estavam em curso. Os momentos mais importantes foram a criação do universo, de vida biológica e da vida humana. Não acredito que os sêres humanos evoluíram de alguma forma animal, puramente por processos naturais."

A singularidade da criação humana

"O que sei é que os seres humanos são únicos em toda a criação. A Bíblia diz que eles foram feitos à imagem de Deus. Em resumo, minha atitude é muito simples: sem Deus, não se pode chegar do nada a coisa alguma. Sem Deus, não se pode chegar do material ao vivo. Sem Deus, não se pode chegar do animal ao humano (...)

É o que as evidências me levam a crer."

As exigências de provas por parte dos materialistas

"Eu trabalho em uma área – a matemática – em que a ‘prova’ tem um significado muito específico. É claro que eu não posso provar matematicamente que Deus existe. Mas eu posso dar evidências e fazer uma argumentação com base na ciência e em outras disciplinas. (...) Eu sou um cristão, e a fé cristã é o oposto da cegueira. Ela é baseada em evidências como a ressurreição de Cristo, sobre a qual há evidências históricas, diretas e indiretas."

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5 Re: As evidências da existência de Deus em Sex Out 02, 2009 3:19 pm

O Argumento Ontológico Para a Existência de Deus

http://www.elielvieira.org/2009/08/o-argumento-ontologico-para-existencia.html

Quando estudamos a história da Igreja Cristã nos deparamos com um movimento teológico de cunho especulativo-filosófico na Idade Média denominado “Escolástica”. O nome que identifica o período é derivado das grandes scholae (escolas) medievais, onde debates de teologia e filosofia aconteciam a pleno vapor.

Vários pensadores de relevância teológica e filosófica despontaram neste período como Tomás de Aquino e Guilherme de Occam. Neste texto, um argumento a favor da existência de Deus proposto por um dos precursores da Escolástica será analisado. Trata-se do chamado “Argumento Ontológico”, proposto por Anselmo de Cantuária.

Nascido em Aosta – cidade alpina da Itália – em 1033, Anselmo estudou com monges beneditinos durante a infância e adolescência e, em 1056, deixou sua cidade natal para estudar no Mosteiro de Bec, na Normandia (França). Seus escritos geraram muitos frutos dentro do pensamento teológico.

Como pensador tipicamente escolástico, os textos de Anselmo são carregados de princípios filosóficos helênicos. Uma das maiores evidências da influência helênica no pensamento de Anselmo é em relação à Impassibilidade de Deus, ou seja, da incapacidade de Deus de ser afetado ou transformado por qualquer causa sentimental exterior a Ele (MCGRATH, 2005, p. 325) – a idéia de que o Ser Perfeito deveria ser tão perfeito ao ponto de não poder mudar de forma alguma foi originalmente concedido nos diálogos de Platão. Mas a maior contribuição de Anselmo não está relacionada aos seus pensamentos relativos à relação “fé x razão” e sim no chamado “argumento ontológico” para a existência de Deus.

Antes de apresentar esta contribuição de Anselmo à teologia, devemos desfazer uma confusão muito comum relativa ao “argumento ontológico”: Anselmo jamais tratou seu argumento como um argumento para a existência de Deus, nem mesmo jamais atribuiu o adjetivo “ontológico” a seu pensamento (quem batizou o pensamento de Anselmo como “argumento ontológico” foi o filósofo alemão Kant). A maior prova disto é que o pensamento de Anselmo foi concebido originalmente na forma de oração, como um diálogo íntimo da parte de Anselmo para com Deus. De acordo com MCGRATH (2005a, p. 291) Proslogium, a obra onde encontramos o “argumento ontológico”, não deve sequer ser entendida como uma obra de debate teológico, mas como uma obra de reflexão. Portanto, apesar de tratarmos aqui de um argumento a favor da existência de Deus proposto por Anselmo de Cantuária, o argumento não foi concebido originalmente como um argumento.

Alguns pensadores afirmam que o Argumento Ontológico não possui sentido algum fora do pensamento cristão, apesar de vários filósofos clássicos (p. ex. Duns Escoto, Descartes, Espinosa e Leibniz) e vários importantes filósofos contemporâneos (p. ex. Alvin Plantinga e William Lane Craig) serem defensores das conclusões universais e ousadas do pensamento de Anselmo. O argumento, obviamente, teve seus críticos ao longo da história como, por exemplo, Kant e Arthur Schopenhauer.

Feitas as considerações iniciais, vamos ao pensamento proposto pelo Arcebispo de Cantuária.

O pensamento de Anselmo é sustentado na concepção de Deus como “aquele a respeito de quem nada maior pode ser concebido” (aliquid quo nihil maius cogitari possit). Se esta definição estiver correta, diz Anselmo, ela implica necessariamente na existência de Deus. A explicação da conclusão de Anseio é simples: se Deus não existe na realidade, a noção de Deus permanece apesar de sua não-existência na realidade, porém, um ser existente apenas no pensamento não pode ser mais perfeito do que um ser existente de fato, sendo assim, entraríamos em contradição todas as vezes que nos referíssemos a Deus como o ser sobre o qual nada mais perfeito pode ser concebido. Se a definição de Deus é “aquele a respeito de quem nada maior pode ser concebido”, esta definição necessariamente deve nos conduzir à realidade de Sua existência. Nas palavras de Anselmo:

Esta [definição de Deus] é tão verdadeira que não se pode pensá-la de outra maneira. Pois é perfeitamente possível pensar em algo cuja não-existência não pudesse ser pensada. Precisaria ser maior do que aquilo cuja existência não pudesse ser pensada. Assim, se esta coisa (além da qual nada maior pode ser pensado) pudesse ser pensada como não existindo, então ela não seria “aquilo além do qual nada maior pode ser pensado”. Trata-se de uma contradição. Assim, é verdade que existe algo do qual nada maior pode ser pensado e que, portanto, não possa ser pensado como não existindo. E tu és, Senhor nosso Deus, essa coisa! Assim, tu existes de maneira tão verdadeira, ó Senhor meu Deus, que não se pode pensar que tu não existas, e com boas razões; pois, se a mente humana pudesse pensar em algo maior do que tu, a criatura subiria acima do Criador e te julgaria; mas isso, obviamente, é absurdo. Além disso, qualquer coisa fora de ti pode ser pensada como não existindo. Portanto, somente tu, mais verdadeiro do que todas as coisas, e maior do que todas elas, tens existência; porque qualquer outra coisa que exista não existe tão verdadeiramente como tu e, portanto, existe em grau menor. (In: MCGRATH, 2005b, p. 117)

O argumento ontológico para a existência de Deus, segundo o pensamento de Anselmo, portanto, diz que se uma pessoa compreender a noção de Deus como "ser sobre o qual nada maior pode ser concebido", então esta pessoa não será livre para pensar na não-existência de Deus, pois, se Deus não existir, então ele não será o ser sobre o qual nada maior pode ser concebido.

Como foi dito um pouco acima neste texto, o argumento ontológico teve seus defensores e seus críticos, moderados e fervorosos e está longe do objetivo deste texto introdutório fazer justiça a todas as menções e considerações referentes a este argumento. Fica a critério doe você, leitor, pesquisar e aprofundar mais sobre este argumento, bem como sobre a obra de Anselmo de Cantuária.

Como apaixonado leitor sobre assuntos apologéticos, me agrada bastante o argumento ontológico proposto por Anselmo – mesmo ele não sendo concebido originalmente na forma de argumento a favor da existência de Deus. O pensamento de Anselmo possui grande classe, sutileza, profundidade e, por que não, criatividade. Apesar das críticas (algumas justas) propostas pelos adversários do pensamento de Anselmo, em minha opinião o argumento ontológico deve ser considerado como um dos mais importantes pensamentos teológicos já elaborados.

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6 Re: As evidências da existência de Deus em Sex Out 02, 2009 3:24 pm

ARGUMENTOS FILOSÓFICOS TEOLÓGICOS DE UMA CRENÇA NA EXISTÊNCIA DE DEUS

http://solascriptura-tt.org/TeologiaPropriaTrindade/CrencaExistenciaDeus-CleversonFaria.htm

INTRODUÇÃO

Falar em Deus é assunto bem extenso e de suma importância para o homem. Falar em Sua existência é ainda mais importante. O fato da existência ou não de Deus irá influenciar toda a vida de um homem. Sua crença em relação a este fato levará a um estilo de vida determinado. Tudo dependerá de como ele vê ou até mesmo não vê a Deus.

O homem tem buscado de todas as formas possíveis chegar a algum conhecimento de Deus. Todos os caminhos em vão, por não passarem de filosofia humana e preceitos de homens. Sempre procura um meio para atingir a Deus, sendo que, na realidade, ele mesmo, não pode atingir a Deus.

Não existe nada de mais belo e de mais magnífico do que Deus. Não há nada no mundo que se compare a grandeza do assunto. Talvez a maior questões que divide a humanidade, seja o fato de se crer ou de não crer na existência de Deus.

Quero atestar aqui, a existência de Deus. Ele realmente existe e está Vivo! Domina este mundo, pois tudo veio a existir por Seu intermédio. Através de um senso crítico, demonstro como se pode provar o fato de que Deus realmente existe.

Com Deus, há explicações para todos os eventos, todos os acontecimentos, todos os fatos, todas as circunstâncias. Sem Deus, um vazio, necessitando ser preenchido.

1. SUA EXISTÊNCIA NEGADA

1.1 ATEÍSMO

Doutrina que nega a existência do Deus Supremo ou quaisquer outros deuses. Consiste na negação absoluta de uma idéia da existência de Deus. Para eles, não há Deus.

Algumas pessoas se dizem ateus porque vivem sem Deus, se recusam explicitamente a pensar em Deus, ou em buscá-lo, ou em preocupar-se com Ele. Estas pessoas vivem somente para si mesmos, por isso são ateus, não buscam a Deus. Até mesmo a própria tentativa da negação da existência de Deus é uma prova de que Ele exista, pois não é preciso, ou até mesmo necessário provar que algo não exista. Nesse caso, a coisa, ou algo, ou alguém, simplesmente não existe e ponto final.

1.2 AGNOSTICISMO

Posição metodológica que somente aceita uma afirmativa como verdadeira se esta tiver uma evidência lógica satisfatória. “Afirma”, que não sabemos e nem podemos saber se existe um deus.

Teoria que diz que é impossível para o homem saber se Deus existe ou não. Dizem que não se pode chegar a tal conhecimento. As pessoas que aceitam esta teoria são ensinadas a não ter fé em nada. Esta teoria se identifica modernamente com o Positivismo, que afirma que somente se pode aceitar como verdade aqueles fatos que possam ser observados ou experimentados, submetendo-os então ao exame e ou a estudos. Portanto, como a idéia de Deus não há como submetê-la a exames físicos, estes se recusam a ocuparem-se dela.

1.3 CETICISMO

Filosofia segundo a qual ninguém pode chegar a qualquer conhecimento indubitável. Duvida da existência de Deus, em maior ou menor grau que o agnosticismo. O ceticismo não nega, mas exige que se duvide da existência de Deus. Dizem que o verdadeiro conhecimento, se é que este existe, está além da capacidade do homem.

1.4 POLITEÍSMO

Crença na existência de vários deuses. Religião em que há pluralidade de deuses. Geralmente essa crença em vários deuses é acompanhada de idolatria.

1.5 PANTEÍSMO

Doutrina que afirma que a totalidade do universo é um único deus; ele está imanente em tudo, e todas as coisas são deus, quer sejam boas, quer sejam más. Para eles, Deus é tudo e tudo é Deus. Esse modo de pensar faz do homem Deus, e Deus de homem.

Segundo esta doutrina, todas as coisas são como pedaços de Deus, por exemplo: um pau, o sol, uma formiga, uma flor, uma pedra, uma árvore, um papel, o homem. Consideram a Deus como uma imensa folha de papel, que foi rasgada em milhões de pedacinhos.

1.6 DUALISMO

Teoria concernente a duas substâncias ou princípios distintos e irredutíveis, dividindo as substâncias individuais, classificações morais ou as entidades, como explicação possível do mundo e da vida. Dois seres, um bom e um outro mal.

1.7 DEÍSMO

Teoria que diz que Deus é o princípio ou causa do mundo, infuso ou difuso na natureza, como o arquiteto do universo. Deus criou o mundo e o “abandonou” a própria sorte. Afirmam que Deus se encontra no mundo, pois Ele é o Criador deste, porém Ele não exerce qualquer tipo de domínio completo sobre ele.

2. EVIDÊNCIAS DA EXISTÊNCIA DE DEUS

Os evolucionistas sugerem que o universo originou-se do nada. Vamos verificar, porém, que todo efeito tem uma causa. O desígnio evidente no universo deve apontar para uma Mente Suprema. A natureza do homem, com seus impulsos e aspirações, demonstra assinalar a existência de um Governador pessoal. A história humana dá evidências duma providência que governa sobre tudo.

2.1 O COSMOS E O UNIVERSO

As coisas existentes apontam para uma causa. Uma coisa nova deve ter tido uma causa antecedente e, portanto, adequada, e assim, até chegar-se a uma Causa Primeira, que não é um efeito, senão, a causa pura, não causada. “Há sinais dum desígnio inteligente em toda a natureza. [...] não pode haver poesia sem poeta. Não pode haver cântico sem cantor. Não pode haver leis sem legislador; e se o universo está sob o governo da lei, está ipso facto debaixo do autor da lei”.1 A criação nos traz o invisível ao alcance do visível.

Se o universo originou-se do nada; a matéria é eterna; a matéria não é eterna, logo, o universo não se originou do nada. A natureza por si só, não é capaz de originar-se a si mesma, ela não pode reproduzir-se, o que vem a verificarmos que a existência de um universo demanda a existência de um Criador, como sendo uma causa prévia e também eficiente. Cada efeito deve-se ter uma causa adequada. Daí é dito que todo efeito tem uma causa. Portanto, deve haver uma Causa Primeira que criou o universo. No entanto, existe uma causa que é eterna. A matéria é uma coisa que fora criada, surgiu do nada pelo poder criador de uma Primeira Causa.

Essa causa necessariamente tem e deve ser real, porque é impossível que o nada venha a produzir mais que o nada. Ex nihilo, nihil fit – do nada, nada pode surgir. “Afirmar que algo se fez existir é afirmar que agiu antes de existir, o que seria um absurdo. A não-existência não pode engendrar a existência”.2 Se não há nada que possa criar alguma coisa, isso permite, na verdade exige, que uma realidade não física seja a causa primeira. A probabilidade de alguma coisa física vir a existir do nada é zero, não se têm conhecimento de um só evento ou estado físico observado por outro meio que se tenha originado do nada.

A razão humana argumenta que o universo deve ter tido um princípio. É sabido que todo efeito deve ter uma causa suficiente. Visto que o universo é um efeito, é indispensável que venha a ter uma causa. Uma pergunta que surge seria: Como é que o universo veio a existir? ou Qual a sua origem? Se todo efeito tem uma causa; o universo surgiu através de um efeito; logo, o universo deve ter uma Primeira Causa. Esta Primeira Causa tem de ser necessariamente um Criador. “Como se originou tudo isso? A pergunta é natural, pois as nossas mentes são constituídas de tal forma que esperam que todo efeito tenha uma causa. Logo, concluímos que o universo deve ter tido uma Primeira Causa, ou um Criador. ‘No princípio – Deus’ (Gênesis 1.1)”.3

Relacionado a isso, notificamos que Deus, através de poder infinito, fez com que a matéria viesse a existência (“No princípio, criou Deus os céus e a terra” Gênesis 1.1; “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não vêem. Porque, por ela, os antigos alcançaram testemunho. Pela fé, entendemos que os mundos, pela palavra de Deus, foram criados; de maneira que aquilo que se vê não foi feito do que é aparente” Hb 11.1-3).

Nenhum efeito se pode produzir sem uma causa. O homem e o universo são efeitos, portanto, devem ter tido uma causa, alguma coisa os originou. Baseados nisso, chegamos então a uma causa não causada, no caso Deus. “Para que alguma coisa exista, todas as condições necessárias para a sua existência tem de ser cumpridas. Nessa série de causas tem de haver ao menos um estado de existência que exista mas que não deriva a sua existência de alguma outra coisa. Ele é auto-existente, isto é, não foi causado”.4

Quando uma casa é levantada, sabemos que por detrás dela está a figura de um construtor, alguém que planejou a execução da mesma, verificou os detalhes, fez os planos e finalmente a edificou. Uma casa prova necessariamente o fato de um construtor. Igualmente o universo prova o fato de um Criador. “Porque toda casa é edificada por alguém, mas o que edificou todas as coisas é Deus” (Hebreus 3.4).

A germinação de um feijão nos tem muito a ensinar. Verificamos o seu nascimento, seu crescimento, bem como o seu desenvolvimento. Isto pode ser visto da mesma forma em qualquer outra semente da mesma espécie. Paralelamente a isso a ordem na natureza segue um plano lógico. No universo, as coisas não acontecem como que por mero acaso ou por simples acidente. Cada fato, cada evento, tem um plano específico, arquitetado por uma Mente Sábia, previamente planejado e executado por um Construtor. Portanto, o Cosmos e o universo revelam o poder de Deus. Notavelmente, o universo fora criado e planejado por Deus para fins dignos.

Podemos conhecer Deus ainda que não o vejamos em pessoa. Além disso, nem tudo que conhecemos podemos ver, mas sentimos, percebemos tudo que conhecemos. Conhecemos a dor e o amor porque os sentimos experimentamos e não porque o vemos. Por isso, a Bíblia diz: ‘Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos’ (Sl 19.1)”5 Deus, por definição, é a Primeira Causa. Portanto, Deus deve existir.

2.2 O DESÍGNIO NO UNIVERSO

Imaginemos um relógio. Alguém o fez com certeza, não existiria do nada. Alguém vir a declarar que não existiu um engenheiro que construiu o relógio, e que este veio a existência de repente, seria o mesmo que ridicularizar a inteligência e a própria razão humana. É uma grande insensatez presumir que o universo apareceu ou “aconteceu”.

“O exame dum relógio revela que ele leva os sinais de desígnio porque as diversas peças são reunidas com um propósito prévio. Elas são colocadas de tal modo que produzem movimentos e esses movimentos são regulados de tal maneira que marcam as horas. Disso inferimos duas coisas: primeiramente, que o relógio teve alguém que o fez, e em segundo lugar, que o seu fabricante compreendeu a sua construção, e o projetou com o propósito de marcar as horas. Da mesma maneira, observamos o desígnio e a operação dum plano no mundo e, naturalmente, concluímos que houve alguém que o fez e que sabiamente o preparou para o propósito ao qual está servindo”.6

Se o desígnio e a formosura evidenciam-se no universo; existe um arquiteto; logo, o universo deve ser obra dum Arquiteto. Este arquiteto deve ser dotado de inteligência suficiente para explicar sua obra, da mesma forma que um relojoeiro explica a construção do seu relógio. A inteligência não se vê no relógio, mas no relojoeiro que o projetou. “Assim como um relógio indica um relojoeiro, as evidências do plano e propósito do mundo apontam para um Criador com propósito”.7 Nós não vemos o relojoeiro trabalhando, arquitetando o seu relógio, assim, da mesma forma, nós não vemos o Arquiteto que projetou este universo, mas mesmo assim sabemos que funciona.

Existem leis no universo que invariavelmente são cumpridas. Como surgiram essas leis? Quem as estabeleceu? Isso implica necessariamente na presença de um legislador uma vez que existem leis. Pois sem lei, não há a necessidade de um legislador.

Se não há “mente no universo”, também não há mente em nós. Isto quer dizer que se uma mente não originou este mundo, se as leis que o governam hoje não foram ditadas com inteligência e propósito sábio, como é possível que nossas mentes tenham a capacidade de esquadrinhar, descobrir e compreender as ditas leis? [...] A harmonia em nosso modo de pensar e as leis da natureza apontam na direção de uma causa inteligente e dirigente. [...] A ordem no mundo e a ordem na nossa mente estão de acordo porque foram criadas, assim, pelo Deus Sábio.8

O mundo foi feito por uma causa inteligente. Exemplos: o esterco dos animais serve para adubar a terra, mostrando assim a inteligência na criação. O corpo humano, é algo fantástico, condizendo com um Criador Sábio, todas as suas partes se ajustam perfeitamente umas às outras e todas elas cooperam para o bom funcionamento do corpo humano. A perfeita assimetria do olho com a luz é uma prova de que houve um determinado propósito. “Qualquer coisa que mostre vestígios de desígnios deve ter sido traçada por algum ser inteligente. O universo mostra sinais de ordem e desígnio; portanto, deve haver um Planejador; e Deus, por definição, é o Criador e Planejador. Portanto, Deus existe”.9

Se existe um plano; existe um planejador; existe um plano, logo, existe um planejador.

Algumas coisas inegavelmente existem.

A minha inexistência é possível.

Qualquer coisa que tenha a possibilidade de não existir é corretamente levada a existir por outra.

Não pode haver um retrocesso infinito das correntes causas da existência.

Logo, uma primeira causa não causada da minha corrente existência existe.

Esta causa não causada tem de ser infinita, imutável, todo-poderosa, onisciente e absolutamente perfeita.

Este ser infinitamente perfeito é apropriadamente chamado “Deus”.

Logo, Deus existe.

Este Deus que existe é idêntico ao Deus descrito nas Escrituras cristãs.

Logo, o Deus descrito na Bíblia existe.10

Somos levados a confiar em nossos pensamentos e a ponderar na consideração de que o universo fora estabelecido com sabedoria e que, portanto, há propósitos racionais para sua existência; isso por sua vez, nos leva a verificar que por trás das leis sábias da natureza há um Legislador de infinita sabedoria, mantendo firmes Seus decretos. “Se as coisas materiais estão sujeitas a leis, foram colocadas debaixo delas pelo Criador, e assim aqueles processos maravilhosos que vemos na natureza são em si mesmos indicações admiráveis da mente e do poder divino”.11

A ordem e organização útil em um sistema evidenciam inteligência e propósito na causa que o originou; portanto, o universo tem uma causa inteligente e livre por ser caracterizado por ordem e organização útil. Podemos verificar em todas as coisas criadas a mão de um Criador. “O desenho revela o desenhista”, e, portanto, a formação do mundo revela a existência de um Criador.

2.3 A NATUREZA DO HOMEM

A natureza moral e intelectual do homem evidencia também a existência de um Criador inteligente e moral. “Afirma que, quer as pessoas reconheçam, quer não, seu senso de moral valoriza pontos para a existência de um Criador pessoal, moral, que embutiu em nossa estrutura um senso de justiça e obrigação para com os outros”.12 O homem tem uma natureza moral que influi em tudo o que faz e pensa.

Devido ao homem ser uma criatura moral, é evidente que ele verificará o que deve e o que não deve fazer. O que é certo e o que é errado. Deveria-se fazer tal ou tal coisa. Isso demonstra a existência de um Criador Moral também. “O fato de o homem ter uma natureza moral argumenta a favor de ter tido por origem um Ser moral em grau mais elevado, senão infinito”.13

O homem dispõe uma consciência, o que faz com que tenha natureza moral, por isso, sabe distinguir entre o bem e o mal. Naturalmente sabe que há um caminho justo em que deve prosseguir e um outro caminho em que deve se afastar, um caminho errado que não deve seguir. Instintivamente, então, o homem sabe que deve fazer o bem, quando, porém, não o faz é censurado por sua consciência a fazer o bem. Porém sempre caberá ao homem escolher entre obedecer a consciência em questões de certo e errado ou desobedecê-la. Essa voz que se dirige ao homem, só pode ser fruto de uma Mente Criadora Superior.

“Quando o senhor afirma que existe o mal, não está admitindo que existe o bem? Quando o senhor aceita a existência da bondade, está declarando uma lei moral com base na qual diferencia o bem e o mal. Mas quando o senhor admite uma lei moral, deve reconhecer que há um legislador moral. Isso, porém, o senhor está tentando desaprovar, não provar. Pois, se não existe legislador moral, não existe lei moral. Se não existe lei moral, não existe o bem. Se não existe o bem, não existe o mal”.14

Se existe o conhecimento do bem e do mal; há um Legislador; existe o conhecimento do bem e do mal, logo, há um Legislador. Esse Legislador foi Quem idealizou uma norma de conduta para o homem e fez com que a natureza humana fosse capaz de compreender esse ideal. A criação destes conceitos de bem e mal, cabe a Deus, o Justo Legislador!

Quando o homem sente fome, ele vai a busca daquilo que lhe pode saciar essa fome. Ele não está sendo enganado que está com fome, mas sua natureza humana realmente está sentindo a necessidade de alimento. Isso indica que há algo ou alguém que o possa satisfazer. Semelhantemente, a exclamação: “A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando entrarei e me apresentarei ante a face de Deus?” (Salmo 42.2), é um grande argumento em favor da existência de Deus, pois, o fato é que a alma também não iria enganar o homem de algo que ela realmente não estivesse necessitando. O fato deste anseio da alma humana pelo seu Criador é prova da existência de Deus.

Nas Escrituras Sagradas encontramos os eventos referentes ao Dilúvio, mostrando como Deus sabe governar moralmente as Suas criaturas; da mesma forma, a narrativa sobre a Torre de Babel, evidenciam o mesmo fato. Deus é um Governador Moral, que governa o ser, a criatura moral que Ele criou (“Bem-aventurado aquele cuja transgressão é perdoada, e cujo pecado é coberto. Bem-aventurado o homem a quem o SENHOR não imputa maldade, e em cujo espírito não há engano. Enquanto eu me calei, envelheceram os meus ossos pelo meu bramido em todo o dia. Porque de dia e de noite a tua mão pesava sobre mim; o meu humor se tornou em sequidão de estio. Confessei-te o meu pecado e a minha maldade não encobri; dizia eu: Confessarei ao SENHOR as minhas transgressões; e tu perdoaste a maldade do meu pecado” Salmo 32.1-5; “Ó SENHOR, não me repreendas na tua ira, nem me castigues no teu furor. Porque as tuas flechas se cravaram em mim, e a tua mão sobre mim desceu. Não há coisa sã na minha carne, por causa da tua cólera; nem há paz em meus ossos, por causa do meu pecado. Pois já as minhas iniqüidades ultrapassam a minha cabeça; como carga pesada são demais para as minhas forças” Salmo 38.1-4; “Então, Judas, o que o traíra, vendo que fora condenado, trouxe, arrependido, as trinta moedas {ou peças} de prata aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos, dizendo: Pequei, traindo sangue inocente. Eles, porém, disseram: Que nos importa? Isso é contigo. E ele, atirando para o templo as moedas de prata, retirou-se e foi-se enforcar” Mateus 27.3-5).

2.4 O FATOR DA INTUIÇÃO

Nossos próprios pensamentos implicam em um Deus que pensa, ou seja, a própria idéia de Deus já é uma prova suficiente de Sua existência. É sugerido que todos os homens já tem a idéia de Deus intuitivamente, e daí também encontram a prova de sua existência; também mostra que Deus deve ser infinito e pessoal. Temos, em nossas mentes, a idéia de que existe um Ser infinitamente perfeito. Todo o reino da natureza manifesta o desígnio do universo. No temos evidência de um propósito, de um desígnio, e este desígnio exige que exista um planejador, é claro que este desígnio ou propósito necessita de um planejador, se assim não fosse, não seria possível chamá-lo de desígnio.

“A mente humana aceita as evidências dos argumentos “a posteriori” a favor de um Criador antecedente ao Universo, com potência suficiente para criar a matéria do nada, com a sabedoria necessária para governar e ordenar o universo; e com a santidade de justiça necessárias para dar ao homem sua consciência e moralidade; pois atribuímos ao Ser que tem tais atributos em grau sobre-humano a eternidade e a perfeição em todos os Seus atributos. Ainda que não possamos provar isto nosso mente nos leva a crer, mesmo sem raciocinar que Aquele que nos fez com sentimentos ou instinto de amar, de adorar, de pensar etc., revelou-nos também um Deus, como objeto infinito e perfeito, a Quem podemos adorar e com Quem podemos ter comunhão. Assim é que a mente humana atribui ao Criador o caráter de Deus e nos parece muito lógico fazê-lo, mesmo que não o demonstremos cientificamente”15

Se alguma coisa hoje existe, logo, esse algo sempre existiu, porque é sabido que do nada, nada se origina. Isto é coerente com a realidade. Nós não podemos aceitar qualquer outra conclusão que esteja fora deste parâmetro, dar-se-á, portanto, que se algo existe, é porque existe necessariamente um Ser Eterno, no entanto, se há algo eterno, indubitavelmente este algo eterno é um Ser que tem existência em si mesmo, caso contrário não seria eterno, conclui-se, então que esse algo eterno não foi criado, é auto-existente. Este Ser eterno, deve ser um Ser onipotente, tendo por fim a capacidade de vir a criar qualquer outra coisa que deseja. O que existe por si é eterno; tem todas as perfeições em grau infinito; é Pessoa e é Deus. Assim podemos compreender a frase: “Existo, portanto Deus existe”. “Se a idéia existe, então a própria coisa deve existir; a idéia deve corresponder a algo que está ali, fora de minha mente. Portanto, Deus deve existir”.16 Notemos, no entanto, que se algo existe agora, algo sempre existiu.

“Se algo existe agora, devemos afirmar uma dentre três coisas a respeito disso. Ou ele é eterno, criado por algo que é eterno, ou autocriado. Você pode pensar em quaisquer outras alternativas? Qual das três tem sido mais frequentemente oferecida como uma alternativa por aqueles que não admitem a existência de Deus? A resposta óbvia é a terceira. Se dermos a primeira ou a segunda objeção, já teremos afirmado que algo é eterno (seja um mundo eterno ou um criador eterno). Só a terceira alternativa nos livra do algo auto-existente e eterno”.17

2.5 A HISTÓRIA HUMANA

“A marcha dos eventos da história universal fornece evidência de um poder e duma providência dominantes. Toda a história bíblica foi usada para revelar Deus na história, isto é, para ilustrar a obra de Deus nos negócios humanos”.18

Na história da humanidade, notamos o surgimento de grandes nações, bem como o seu declínio da mesma forma. O engrandecimento de uma nação se dera ao fato de que temera a Deus e observara-lhe os preceitos; o seu declínio se dera pelo fato de afastar-se das leis morais do Legislador, a desobediência trouxe o desaparecimento do poderio que muitas nações tiveram no passado, como exemplo, cito: Babilônia, Grécia, Roma, etc. A maneira pela qual Deus trata com as nações, ou com indivíduos sugere sua ativa presença nos negócios realizados pela natureza humana. A transformação de vidas pelo poder do cristianismo é um bom exemplo. Pessoas que estavam escravizadas ao pecado, agora vivem vidas exemplares.

2.6 O CONSENSO COMUM

Todas as nações têm uma crença num Ser Sobrenatural a Quem oram e a Quem adoram. O homem, por causa de sua constituição, em tempos de calamidade, de aflição, de angústia, de desespero, de grande perigo, ou perante a morte, sem sequer pensar em suas ações, busca a um Ser Sobrenatural, ora a Ele, porque é uma criatura dependente, reconhece a existência de um Ser Supremo, a Quem, por meio de sua consciência, reconhece como Seu Criador e a Ele recorre instintivamente.

“Em qualquer lugar onde se fale uma língua humana, por mais inculta e pobre que seja, nela sempre aparecerá um nome: Deus. Ora, essa idéia da existência do Criador espalhada na consciência de todos os povos leva a concluir que um sentimento comum a todos os seres humanos não pode ser falso”.19

A crença na existência de Deus é praticamente tão difundida quanto a própria raça humana. Alguns podem objetar a isso dizendo que certas raças não crêem em Deus. Ora, quanto a isso, dizemos que uma exceção não vem a inutilizar a regra. Por exemplo. Há várias pessoas cegas no mundo, mas isso não prova que todas as pessoas são cegas. Se todas as pessoas sabem ler; não existem analfabetos; mas, analfabetos existem, logo, todas as pessoas não sabem ler. Agora, isso não significa que todos o são. Como alguém um dia já disse: “o fato de que certas nações não conhecerem sequer a tabuada de multiplicação, não afetará de modo nenhum a aritmética”. O mundo não fora criado sem se deixar perceber certos sinais, ou evidências ou mesmo sugestões, que apontam para as obras de um Criador Supremo (“Porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder como a sua divindade, se entendem e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis; porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu” Romanos 1.19-21).

O simples fato de existir a idolatria, ou seja, a adoração de algo, ou alguém ou de deuses, já é fator indicador que o homem procura algo para prestar culto. O homem certamente possui uma natureza religiosa e por isso procura um objeto para dirigir sua adoração.

“Esta crença universal em Deus é prova de quê? É prova de que a natureza do homem é de tal maneira constituída que é capaz de compreender e apreciar essa idéia, como o expressou certo escritor: “O homem é incuravelmente religioso”, que no sentido mais amplo inclui: (1) A aceitação do fato da existência dum ser acima das forças da natureza. (2) Um sentimento de dependência de Deus como quem domina o destino do homem; este sentimento é despertado pelo pensamento de sua própria debilidade e pequenez e pela magnitude do universo. (3) A convicção de que se pode efetuar uma união amistosa e que nesta união ele, o homem, achará segurança e felicidade. Desta maneira vemos que o homem, por natureza, é constituído para crer na existência de Deus, para confiar na sua bondade, e para adorar em sua presença”.20

A crença na existência de um Ser Supremo é intuitiva, desde os tempos mais remotos, há no coração do homem tal idéia, é uma verdade primária que a mente aceita primeiro, sem levar a cabo o processo pelo qual chegou a esta crença.

“Deus tomou a iniciativa, ao longo da História, de comunicar-se com o homem. Sua revelação mais completa foi Sua penetração na história da humanidade na pessoa de Jesus Cristo. Aqui, em termos de personalidade humana que nós podemos entender, Ele viveu entre nós. Se eu quisesse comunicar o meu amor a uma colônia de formigas, como poderia fazê-lo da maneira mais eficiente? Indubitavelmente o melhor seria tornar-me uma formiga. Somente desta forma a minha existência e a minha personalidade poderiam ser transmitidas completa e eficientemente. [...] A melhor e a mais clara resposta à pergunta como sabemos que Deus existe é que Ele nos visitou. Os outros indícios são meras pistas ou sugestões. O que as confirma concludentemente é o nascimento, a vida, a morte e a ressurreição de Jesus Cristo”.21

Podemos verificar a existência de Deus por meio também de Sua presença nas vidas de homens e mulheres. O indivíduo que crê, que deposita sua confiança em Jesus Cristo, passa por uma profunda transformação interior, o que é também evidenciado na sociedade. “A razão pela qual sabemos que Deus existe é porque Ele nos disse e a nós Se revelou... Deus não só existe, mas Ele também nos comunicou este fato. Ele nos contou sobre quem Ele é, como Ele é e qual o Seu plano para o planeta Terra. Ele revelou essas coisas à humanidade através da Bíblia”.22 O ser humano pode revelar seus pensamentos a quem ele quiser, isso pode ser feito através da palavra oral ou mesmo da escrita, ou até por gestos e ações. O Ser Supremo não poderia fazer o mesmo? Sim, e isso Ele o fez, Ele Se revelou por meio da Bíblia.

3 A LÓGICA DA TEOLOGIA

Quando um homem diz: “Eu conheço o presidente”, ele não quer dizer: “Eu sei que o presidente existe”, porque isso se subentende na sua declaração. Da mesma maneira os escritores bíblicos nos dizem que conhecem a Deus e essas declarações significam a sua existência.23 As Escrituras não procuram provar a existência de Deus, elas simplesmente tratam como que a existência de Deus é um fato inerentemente irrefutável. As Escrituras iniciam com Deus: “No princípio, criou Deus os céus e a terra” (Gênesis 1.1). As Escrituras não tratam de provar a existência de Deus mediante provas formais. Ele O atesta como fato auto-evidente e como crença natural do homem. As Escrituras declaram o fato de Deus e chamam o homem a aventurar-se na fé. “O que se chega a Deus, creia que há Deus”, é o ponto inicial na relação entre o homem e Deus. O Deus da Bíblia é auto-existente e eterno. Deus criou o mundo do nada.

“No princípio, criou Deus os céus e a terra” Gênesis 1.1;

“Lançou os fundamentos da terra, para que não vacile em tempo algum. Tu a cobriste com o abismo, como com uma veste; as águas estavam sobre os montes; à tua repreensão, fugiram; à voz do teu trovão, se apressaram. Subiram aos montes, desceram aos vales, até ao lugar que para elas fundaste. Limite lhes traçaste, que não ultrapassarão, para que não tornem mais a cobrir a terra” Salmo 104.5-9;

“Os céus manifestam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos” Salmo 19.1;

“Onde estavas tu quando eu fundava a terra? Faze-mo saber, se tens inteligência. Quem lhe pôs as medidas, se tu o sabes? Ou quem estendeu sobre ela o cordel?” Jó 38.4,5;

“Quem mediu com o seu punho as águas, e tomou a medida dos céus aos palmos, e recolheu em uma medida o pó da terra, e pesou os montes e os outeiros em balanças?” Isaías 40.12;

“Porque assim diz o SENHOR que tem criado os céus, o Deus que formou a terra e a fez; ele a estabeleceu, não a criou vazia, mas a formou para que fosse habitada: Eu sou o SENHOR, e não há outro” Isaías 45.18;

“Porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder como a sua divindade, se entendem e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis” Romanos 1.19,20;

“Pela fé, entendemos que os mundos, pela palavra de Deus, foram criados; de maneira que aquilo que se vê não foi feito do que é aparente” Hebreu 11.3.

“Não há, realmente, nenhum elemento de sublimidade já existente ou mesmo concebível na Natureza, que ultrapasse a idéia de Deus. Portanto, a proposição de que há um Deus, não tem nada igual, nenhum competidor; ela permanece sozinha em grandeza, sem rivais e inacessível; e se a sua sublimidade não prova a sua veracidade, ela pelo menos a torna digna de pesquisa, impondo uma tarefa de peso ao incrédulo; pois se for falsa, não é apenas o mais sublime dos erros, mas é um erro mais sublime que a própria verdade, sim, mais nobre e mais edificante do que qualquer verdade que a Natureza possa apresentar às nossas contemplações. Se isto for um paradoxo, sua solução é uma tarefa que cabe àqueles que negam a existência de Deus”.24

Para todos os fins, a Bíblia dá a reconhecer a Existência de Deus. Ela afirma que os homens são por isso indesculpáveis (“Porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder como a sua divindade, se entendem e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis; porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu” Romanos 1.19-21). O fato, é que a capacidade natural do homem permite-lhe reconhecer a existência de Deus por meio da Criação.

O universo é uma prova da existência de Deus, foi Ele Quem o criou (“Os céus manifestam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos” Salmo 19.1; “No princípio, criou Deus os céus e a terra” Gênesis 1.1). Como este universo foi criado por Deus, evidencia também que Ele é o Seu Planejador, o Arquiteto (“Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda impiedade e injustiça dos homens que detêm a verdade em injustiça; porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder como a sua divindade, se entendem e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis “ Romanos 1.18-20; “Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez” João 1.3).

O homem foi criado por Deus, ele é um ser moral e inteligente, possui uma consciência que chama por Deus, logo, o Criador, no caso Deus, também deve ser um Ser moral (“Sendo nós, pois, geração de Deus, não havemos de cuidar que a divindade seja semelhante ao ouro, ou à prata, ou à pedra esculpida por artifício e imaginação dos homens” Atos 17.29; “O SENHOR, com sabedoria, fundou a terra; preparou os céus com inteligência” Provérbios 3.19; “Ó SENHOR, quão variadas são as tuas obras! Todas as coisas fizeste com sabedoria; cheia está a terra das tuas riquezas” Salmo 104.24; “Ele fez a terra pelo seu poder; ele estabeleceu o mundo por sua sabedoria e com a sua inteligência estendeu os céus. Fazendo ele soar a voz, logo há arruído de águas no céu, e sobem os vapores da extremidade da terra; ele faz os relâmpagos para a chuva e faz sair o vento dos seus tesouros” Jeremias 10.12,13; “Aquele que fez o ouvido, não ouvirá? E o que formou o olho, não verá? Aquele que argúi as nações, não castigará? E o que dá ao homem o conhecimento, não saberá?” Salmo 94.9,10; “Tudo o que o SENHOR quis, ele o fez, nos céus e na terra, nos mares e em todos os abismos. Faz subir os vapores das extremidades da terra; faz os relâmpagos para a chuva; tira os ventos dos seus tesouros” Salmo 135.6,7; “E dizendo: Varões, por que fazeis essas coisas? Nós também somos homens como vós, sujeitos às mesmas paixões, e vos anunciamos que vos convertais dessas vaidades ao Deus vivo, que fez o céu, e a terra, e o mar, e tudo quanto há neles; o qual, nos tempos passados, deixou andar todos os povos em seus próprios caminhos; contudo, não se deixou a si mesmo sem testemunho, beneficiando-vos lá do céu, dando-vos chuvas e tempos frutíferos, enchendo de mantimento e de alegria o vosso coração” Atos 14.15-17).

Para ser Criador, Deus é auto-existente em Si mesmo (“E disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós” Êxodo 3.14; “E eu apareci a Abraão, e a Isaque, e a Jacó, como o Deus Todo-poderoso; mas pelo meu nome, o SENHOR, {Heb. JEOVÁ} não lhes fui perfeitamente conhecido” Êxodo 6.3), portanto, Deus é Eterno (“E plantou um bosque em Berseba e invocou lá o nome do SENHOR, Deus eterno” Gênesis 21.33; “Antes que os montes nascessem, ou que tu formasses a terra e o mundo, sim, de eternidade a eternidade, tu és Deus” Salmo 90.2; “Mas tu és o mesmo, e os teus anos nunca terão fim” Salmo 102.27; “Mas, amados, não ignoreis uma coisa: que um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos, como um dia 2 Pedro 3.8

O homem é um ser criado por Deus (“E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou” Gênesis 1.27; “Estas são as origens {ou gerações} dos céus e da terra, quando foram criados; no dia em que o SENHOR {Heb. JEOVÁ} Deus fez a terra e os céus. Toda planta do campo ainda não estava na terra, e toda erva do campo ainda não brotava; porque ainda o SENHOR Deus não tinha feito chover sobre a terra, e não havia homem para lavrar a terra. Um vapor, porém, subia da terra e regava toda a face da terra. E formou o SENHOR Deus o homem do pó da terra e soprou em seus narizes o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente. E plantou o SENHOR Deus um jardim no Éden, da banda do Oriente, e pôs ali o homem que tinha formado. E o SENHOR Deus fez brotar da terra toda árvore agradável à vista e boa para comida, e a árvore da vida no meio do jardim, e a árvore da ciência {ou conhecimento} do bem e do mal. E saía um rio do Éden para regar o jardim; e dali se dividia e se tornava em quatro braços. O nome do primeiro é Pisom; este é o que rodeia toda a terra de Havilá, onde há ouro. E o ouro dessa terra é bom; ali há o bdélio e a {ou o ônix, ou o berilo} pedra sardônica. E o nome do segundo rio é Giom; este é o que rodeia toda a terra de Cuxe. {ou Etiópia} E o nome do terceiro rio é Hidéquel; {ou Tigre} este é o que vai para a banda do oriente da Assíria; e o quarto rio é o Eufrates. E tomou o SENHOR Deus o homem e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e o guardar. E ordenou o SENHOR Deus ao homem, dizendo: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore da ciência do bem e do mal, dela não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás. E disse o SENHOR Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma adjutora que esteja {ou lhe assista} como diante dele. Havendo, pois, o SENHOR Deus formado da terra todo animal do campo e toda ave dos céus, os trouxe a Adão, para este ver como lhes chamaria; e tudo o que Adão chamou a toda a alma vivente, isso foi o seu nome. E Adão pôs os nomes a todo o gado, e às aves dos céus, e a todo animal do campo; mas para o homem não se achava adjutora que estivesse como diante dele. Então, o SENHOR Deus fez cair um sono pesado sobre Adão, e este adormeceu; e tomou uma das suas costelas e cerrou a carne em seu lugar. E da costela que o SENHOR Deus tomou do homem formou {Heb. edificou} uma mulher; e trouxe-a a Adão. E disse Adão: Esta é agora osso dos meus ossos e carne da minha carne; esta será chamada varoa, porquanto do varão foi tomada. Portanto, deixará o varão o seu pai e a sua mãe e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne. E ambos estavam nus, o homem e a sua mulher; e não se envergonhavam” Gênesis 2.4-25).

CONCLUSÃO

É maravilhoso verificarmos que a despeito de tantos ataques que enfrentamos sobre a existência de Deus, há provas que são irrefutáveis para uma crença no Ser Supremo. Deus têm Se revelado por meio de muitas maneiras e a Sua existência é visto em cada fato que ocorre neste universo.

A existência de Deus corrobora para a existência deste universo. Se não existisse um Deus, um Ser Supremo, este mundo, o universo, estaria em um caos total. Não teria ninguém que pudesse controlar as suas leis e mesmo regê-las.

O fato da existência de Deus é demonstrado por meio da Sua criação, da Consciência e Intuição do homem, pela vida do próprio homem, pelas leis morais e absolutas que existem, pela distinção do bem e do mal, pela história, pela crença universal de um Ser Supremo, pelo testemunho da Palavra de Deus, as Escrituras Sagradas, pela Vida Terrena de Jesus Cristo, o Deus Homem.

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7 Re: As evidências da existência de Deus em Sex Out 02, 2009 3:30 pm

PROVAS METAFÍSICAS DA EXISTÊNCIA DE DEUS

http://www.consciencia.org/cursofilosofiajolivet27.shtml

201 Podem-se distinguir dois grupos de provas da existência de Deus: o das provas metafísicas e o das provas morais, conforme estas provas partem da realidade objetiva do universo, ou da realidade moral. Na realidade, toda prova de Deus é metafísica, uma vez que a existência de Deus não é, propriamente, objeto de apreensão intuitiva e não pode ser demonstrada a não ser com a ajuda de princípios metafísicos. É possível, contudo, e ressalvada esta observação, conservar a divisão em provas metafísicas e provas morais.
ART. I. OBSERVAÇÕES GERAIS SOBRE AS PROVAS METAFÍSICAS
1. A experiência, nas provas metafísicas. — Estas provas também são chamadas muitas vezes provas físicas, por assinalar o fato de se apoiarem na experiência objetiva. Mas toda prova da existência de Deus, seja metafísica ou moral, deve necessariamente partir dos dados de experiência, quer dizer, deve ter sua origem ou seu ponto de apoio nos seres e fatos concretos que a experiência nos revela, para elevar-se daí a um Ser real, sem o qual estes seres e estes fatos e todo o universo permaneceriam inexplicados e inexplicáveis.
202 2. Visão geral das provas metafísicas. — Antes de expor os diversos argumentos, é útil tomá-los em conjunto, de forma sintética, a fim de tornar mais claramente acessível à inteligência o que constitui o eixo comum de uns e outros.
a) O fato do condicionamento universal. Tudo o que vemos em torno de nós, e tudo o que a ciência, cada vez mais, nos ensina, aparece-nos como um encadeamento de seres ou fenômenos que se sucedem e se imiscuem uns nos outros e assim formam séries que têm os seus anéis sòlidamente articulados. É a isto que podemos chamar fato do condicionamento universal, pelo qual todos os seres e todos os fenômenos do universo encontram sua condição, quer dizer, sua causa ou razão de ser, num outro ser ou outro fenômeno.
b) A causa primeira incondicionada. O princípio que nos orienta neste ponto é o de que, de condicionado a condicionante, é preciso necessariamente chegar a um princípio ou a uma causa absolutamente primeira, absolutamente incondicionada e, conseqüentemente, colocada fora da série causai. De nada adiantaria, com efeito, prosseguir o infinito, uma vez que a série causai, mesmo concebida como infinita, seria ainda condicionada no conjunto, quer dizer, composta unicamente de intermediários que transmitissem simplesmente a causalidade. Na ordem causai, é o primeiro termo incondicionado que produz tudo, pois o resto não tem por função senão transmitir o movimento ou o ser. (Um canal, por mais longo que seja, não é a explicação da água que nele circula; apenas a fonte explica a corrente. Da mesma forma, não se explica o movimento das bolas de bilhar, multiplicando o número das bolas, mas unicamente recorrendo, qualquer que seja o número de bolas, à mão, que é a causa primeira do movimento que as bolas transmitem umas às outras.)
203 c) A causa universal absolutamente primeira. Nossa investigação só pode terminar numa causa única e por isto mesmo universal, pois a causa absolutamente primeira não pode ser senão única. Se ela fosse múltipla, seria necessário supor que as causas absolutamente primeiras são independentes umas das outras (senão, elas não seriam absolutamente primeiras). Ora, esta suposição é incompatível com a unidade e a ordem que reina no universo, e inconciliável com as exigências da razão, para a qual o inteligível, o ser e o uno são convertíveis (192). Se assim não fosse, seria necessário admitir que a lei absoluta das coisas não coincide com a de nosso pensamento e que, apesar do absurdo ser inconcebível, pode contudo constituir o cerne das coisas. Ora, nisto existe uma incompatibilidade radical, uma vez que, como já vimos na Crítica do conhecimento (177), os princípios da razão não são nada mais do que as próprias leis do ser.
É necessário, portanto, concluir que só existe uma Causa absolutamente primeira e que esta Causa, que, pela própria definição (sendo absolutamente primeira) não depende de nenhuma outra e domina todas as séries causais, deve ser um Ser necessário, quer dizer, de tal ordem que não possa não ser, exista por sua própria essência e tenha em si a razão total de sua existência.
204 3. Objeção kantiana. — Kant levantou contra o valor das provas da existência de Deus uma objeção geral que devemos examinar aqui. Todas estas provas, diz ele, apóiam-se no princípio da causalidade, pelo fato de que procuram mostrar que Deus é causa do universo. Ora, o princípio da causalidade não tem valor a não ser na ordem da experiência sensível. As provas de Deus são, portanto, ineficazes.
A esta objeção devemos opor o seguinte: em primeiro lugar, que o princípio da causalidade, como nós o empregamos aqui, não nos serve mais do que para provar que o universo exige uma causa, e isto em virtude mesmo do que apreendemos no universo, e de forma alguma para definir o que é ou deve ser em si esta causa, — depois, e de acordo com o que estabelecemos na Crítica do conhecimento (177), que o princípio de causalidade não é uma-forma subjetiva, quer dizer, a priori e arbitrária, de nossa razão, mas uma evidência objetiva, apreendida no próprio ser dado à experiência, e por conseguinte válida proporcionalmente para a universalidade do ser. Segue-se que, ao contrário do que afirma. Kant, o uso transcendente do princípio de causalidade é legítimo-e rigorosamente válido.
ART. II. AS CINCO VIAS
205 Uma vez que se aprendeu bem o esquema geral das provas, físicas (ou metafísicas) da existência de Deus, é fácil compreender os cinco argumentos (ou as cinco vias que conduzem a Deus) propostos por Santo Tomás. Estes argumentos partem das diferentes ordens de condicionamento ou de encadeamento que podemos observar no universo, e cada um nos conduz ao mesmo Princípio absortamente primeiro, que é Deus.



§ 1. Prova pelo movimento
Santo Tomás considera esta a prova mais manifesta de todas. Para bem compreendê-la, é importante ter bem presentes ao espírito ao mesmo tempo a noção de movimento e o princípio geral em que se baseia a prova.
1. O princípio do argumento.
a) A noção de movimento. O termo movimento não designa apenas o deslocamento de um lugar para outro, mas, em geral, toda passagem da potência ao ato, isto é, de uma modalidade de ser a uma outra. Como vimos em Cosmologia (73), o que há de essencial no movimento é propriamente a passagem enquanto passagem, o que faz do movimento uma realidade que participa a um tempo do ato e da potência. O movimento é, então, o sinal e a forma do que se chama em geral o vir-a-ser.
b) A inteligibilidade do vir-a-ser. Toda a questão estará então em descobrir o que torna inteligível (quer dizer, o que explica) o vir-a-ser. Para isto vai-se recorrer ao princípio, estabelecido na Ontologia (194), segundo o qual "tudo o que se move é movido por outro", quer dizer que nada passa da potência ao ato a não ser sob a ação de uma causa já em ato, o que significa, mais resumidamente, que nada pode ser causa de si mesmo.
2. O argumento. — Em virtude do princípio precedente, Santo Tomás estabelece que o movimento exige um primeiro motor (o que não é mais do que uma aplicação do princípio geral da inteligibilidade do vir-a-ser). "Com efeito, diz ele, é evidente (e nossos sentidos o atestam) que, no mundo, certas coisas estão em movimento. Ora, tudo o que está em movimento é movido por um outro. É impossível que, sob o mesmo aspecto, e do mesmo modo. um ser seja a um tempo movente e movido, quer dizer que se mova a si mesmo e passe por si mesmo da potência ao ato. Logo, se uma coisa está em movimento, deve-se dizer que ela está movida por uma outra (81). E isto porque, se a coisa que move por sua vez se move, é necessário, por outro lado, que ela seja movida por uma outra, e esta por uma outra ainda. Ora, não se pode ir assim ao infinito, porque não existiria então motor primeiro, e daí se seguiria que não existiriam tampouco outros motores, pois os motores intermediários não movem a não ser que sejam movidos pelo primeiro motor, como o bastão não se move a não ser movido pela mão. Logo, é necessário chegar a um motor primeiro que não seja movido por nenhum outro. E este primeiro motor é Deus."
3. Objeção. — Certos filósofos julgaram poder fugir a esta conclusão admitindo uma série infinita e eterna de motores e móveis. Se o mundo e o movimento, pensam eles, são eternos, não há por que procurar um primeiro motor.
Mas Santo Tomás responde que esta objeção não poderia atingir o argumento, porque não o toma no seu verdadeiro sentido. Com efeito, o argumento manteria toda a sua força na hipótese da eternidade do mundo, uma vez que o que se considera não é a série de motores acidentalmente subordinados no tempo, mas a série de motores atualmente e essencialmente subordinados: atualmente, a planta cresce, e seu crescimento depende do Sol; mas o Sol, de que depende? Seu movimento atual, de onde provém? Se o recebe de um outro astro, este astro, por sua vez, de onde recebe atualmente o seu movimento? É impossível prosseguir ao infinito, porque isto seria suprimir o princípio e a fonte do movimento, e, portanto, o próprio movimento. Ora, o movimento existe. Logo, existe um primeiro motor. E se o mundo fosse eterno, seu movimento exigiria eternamente um primeiro motor.
4. Corolários. — Da noção de primeiro motor imóvel, quer dizer, de um ser imutável na perfeição que lhe pertence por sua própria essência, podem-se deduzir imediatamente os corolários seguintes:
a) O primeiro motor imóvel é infinitamente perfeito. Com efeito, toda mudança implica imperfeição, uma vez que mudar é adquirir o ser que não se tem. Se, pois, o primeiro motor é absolutamente imóvel é que ele possui toda a perfeição, quer dizer, a plenitude do ser. Em outras palavras, ele é Ato puro.
b) O primeiro motor imóvel é um ser espiritual, pois a matéria é corruptível, portanto essencialmente imperfeita. Sendo espiritual, o primeiro motor deve ser também inteligente e livre, pois inteligência e liberdade são propriedades essenciais dos seres espirituais.
c) O primeiro motor imóvel é eterno, uma vez que é absolutamente imutável.
d) O primeiro motor imóvel é onipotente, pois, sendo princípio do movimento universal, está presente por seu poder a tudo aquilo que move, quer dizer, a todo o universo.
§ 2. Prova pela causalidade
206 1. O argumento.
a) Há uma Causa absolutamente primeira. Na prova pelo movimento, colocando-nos do ponto-de-vista do vir-a-ser fenomenal. Aqui, encaramos a causalidade propriamente dita. Tudo o que se produz, como dissemos, é produzido por outra coisa (senão, o que é produzido seria causa de si mesmo, quer dizer, anterior a si, o que é absurdo). Concluímos daí, por exclusão da regressão ao infinito, que há uma Causa absolutamente primeira, fonte de toda causalidade.
b) Esta Causa primeira é transcendente, a todas as séries causais. Em outras palavras, ela não pode ser um elemento da série das causas. Com efeito, se ela não fosse mais do que o primeiro elemento da série causai, seria necessário explicar como este primeiro elemento teria começado a ser causa, quer dizer que, em virtude do princípio de que nada se produz a si mesmo, seria necessário recorrer a uma causa anterior a que se desejaria considerar como primeira, o que é contraditório. É preciso, então, necessariamente, que a Causa primeira transcenda (quer dizer, ultrapasse absolutamente e domine) todas as séries causais, que ela seja causa por si, incausada e incriada.
2. Objeção. — Tem-se pretendido muitas vezes opor a este argumento a hipótese de uma causalidade circular, quer dizer, de uma causalidade recíproca dos elementos do universo, em que a matéria se transformasse em energias diversas, para voltar em seguida a seu estado original e assim por diante, indefinidamente (hipótese defendida por certos filósofos gregos, que não tinham a noção de criação, e, entre os modernos, por Nietzsche).
Ora, mesmo que se encontrasse um fundamento para esta hipótese, ela não alteraria em nada o alcance da prova pela causalidade : que a evolução seja circular ou linear, isto não se refere senão à transmissão, e não à fonte de causalidade. Ficaria por explicar a existência do Universo, concebido como um Todo.
§ 3. Prova pela existência de seres contingentes
207 1. O argumento. — Esta nova prova parte do fato de que o mundo físico é composto de seres contingentes, quer dizar, de seres que são, mas poderiam não ser, pois estes seres, ou nós OS vimos nascer, ou então a ciência nos mostra que eles foram formados, ou ainda a sua composição exige, para explicá-los, uma causa de sua unidade.
Ora, os seres contingentes não possuem em si mesmos razão de sua existência. Com efeito, um ser que tivesse em si, quer dizer, na sua própria natureza, a razão de sua existência, existiria sempre e necessariamente. Os seres contingentes devem, portanto, ter, num outro, a razão de sua existência, e, este outro, se também é contingente, também tem a sua num outro. Mas não é possível prosseguir assim ao infinito: de ser em ser, devemos chegar, afinal, a um ser que tenha em si mesmo a razão de sua existência, quer dizer, a um ser necessário, que exista por si, e pelo qual todos os outros existam.
Este ser necessário, que existe por sua própria natureza, e que não pode não existir, é Deus.
2. Objeção panteísta. — Os panteístas admitem, efetivamente, este raciocínio, mas não a sua conclusão. Para eles, o ser necessário não seria um Deus pessoal, mas o próprio mundo, tomado no seu conjunto, e concebido por eles como um ser único e infinito.
Mas esta doutrina vai, evidentemente, contra a razão. Com efeito, o todo, que é a soma das partes, não pode ser de uma natureza diferente das partes. Ora, o mundo é composto de seres contingentes. Logo, ele também é contingente e, assim como cada uma das suas partes, não existe por si mesmo. Portanto, sua existência, para ser inteligível, postula a existência de um ser que existe por si e que é Deus.
§ 4. Prova pelos graus de perfeição dos seres
208 1. O argumento. — Parlamos do aspecto de beleza que as coisas manifestam diferentemente. Diremos: se a beleza se encontra em diversos seres segundo graus diversos, é necessário que ela seja produzida neles por uma causa única. É impossível que esta qualidade comum a seres múltiplos e diversos pertença a estes seres em razão de sua própria natureza, pois, do contrário, não se compreenderia por que a beleza se encontraria neles, ora em maior, ora em menor quantidade. Eles seriam esta beleza por sua própria essência, quer dizer, necessariamente a possuiriam perfeita, sem limite, nem restrição. O fato de que há diferentes graus de beleza obriga então a que os diversos seres em que descobrimos estes graus participem simplesmente de uma Beleza que existe fora e acima desta hierarquia de beleza, e que é a Beleza absoluta e infinita.
Este argumento se aplicaria validamente a todas as perfeições ou qualidades, que podem ser levadas ao absoluto: ser, unidade, verdade, bondade, inteligência e sabedoria. O primeiro Princípio deve, então, ser necessariamente Ser perfeito, Unidade absoluta, Verdade, Bondade, Beleza, Inteligência e Sabedoria infinitas.
2. Alcance do argumento. — Este argumento não exige, apenas, uma Beleza ideal, mas uma Beleza subsistente, nem, apenas, uma Verdade ou uma Bondade ideal, mas uma Verdade e uma Bondade subsistente (e assim por diante para as outras perfeições), quer dizer que ele conduz, como os argumentos precedentes, a um Ser que existe em si e por si, e que é, por essência, Verdade, Bondade, Beleza, Unidade etc, absolutas e infinitas.
É que este argumento, como os precedentes, também é investigação de uma razão de ser, a saber, investigação da razão ou da causa da semelhança ou hierarquia dos seres compostos. Sob esse aspecto, estabelece que os seres que possuem graus desiguais de perfeição não têm em si mesmos a razão última desta perfeição, e que esta não pode explicar-se senão por um Ser que a possui absolutamente e essencialmente, enquanto que todo o resto a possui apenas por participação.
§ 5. Prova pela ordem do mundo
209 1. O argumento.
a) Princípio do argumento. A prova pela ordem do mundo (ou argumento das causas finais) se apóia no princípio de finalidade, e toma a seguinte forma: a organização complexa, objetivando um fim, exige uma inteligência ordenadora. Com efeito, apenas a inteligência pode ser razão da ordem, quer dizer, da organização dos meios objetivando um fim, ou dos elementos tendo em vista o todo que compõem: os corpos ignoram os fins e, por conseguinte, se os corpos ou os elementos corporais conspiram em conjunto, é necessário que sua organização tenha sido obra de uma inteligência.
b) Forma do argumento. O argumento parte do fato da ordem universal. Esta ordem é evidente: considerado no seu conjunto, o universo nos aparece como uma coisa admiràvelmente ordenada, em que todos os seres, por mais diferentes que sejam, conspiram para um fim comum, que é o bem geral do universo. Por outro lado, cada um dos seres que compõem o universo manifesta uma finalidade interna, quer dizer, uma exata apropriação de todas as suas partes, objetivando o bem deste mesmo ser.
Ora, esta ordem é inteligível unicamente pela existência de um princípio inteligente, que ordena- todas as coisas a seu fim, e ao fim do todo que elas compõem. É isto que resulta do princípio1 demonstrado mais acima. Ê necessário, então, admitir que existe uma Causa ordenadora do universo.
210 2. Objeções.
a) O argumento não conduziria, a ima Inteligência infinita. É a objeção de Kant. O mundo, diz ele, não é infinito, e, se, de fato, é necessário uma inteligência ordenadora para explicar sua unidade interna, seria suficiente, a rigor, uma inteligência de um poder seguramente prodigioso, mas não formalmente infinito.
A objeção não procede, pois incide no erro de supor que a ordem do mundo resultaria de uma simples arrumação de materiais preexistentes. Neste caso, uma inteligência não infinita seria uma explicação suficiente da ordem do mundo. Mas tudo muda de figura se a ordem não é mais do que um aspecto do ser, sendo uma ordem interna, que resulta da essência e das propriedades-mesmas das coisas, ainda mais que o autor da ordem é, necessariamente, por isto mesmo, o criador do ser universal, a um tempo.. Poder infinito e Inteligência infinita.
b) Fruto do acaso. É difícil negar que a ordem reine no mundo. Mesmo os ateus não o contestam. Mas para escapar à
conclusão do argumento, afirmam que a ordem do mundo pode ser explicada pelo acaso. O mundo atual, dizem eles, é o produto
de forças inconscientes e fatais; passou por fases extremamente diferentes da que conhecemos, e esta não se perpetuou a não ser graças à harmonia que estas forças misteriosas acabaram por gerar fortuitamente.
É fácil ver que esta explicação é, na realidade, fuga de uma. explicação. O acaso tem por caracteres a inconstância e a irregularidade, o que é o contrário mesmo da ordem. O acaso pode, a rigor, explicar uma ordem acidental e parcial, mas não uma ordem que governa inumeráveis casos, e que se perpetua, seja no interior dos seres, seja em suas relações mútuas, com uma constância invariável.
c) A evolução. Invocou-se, também, a evolução, para explicar a ordem do mundo. Mas a evolução, longe de estabelecer a ordem, a supõe, uma vez que se faz de acordo com leis e leis necessárias. A evolução exige, portanto, de forma absoluta, uma inteligência. É que as causas eficientes não excluem de forma alguma as causas finais: ao conutrário, o mecanismo não tem sentido, ou mesmo existência, senão pela finalidade. Por isso, já mostra mos (84) que as causas que podem explicar a evolução dos seres do universo não fazem mais do que obedecer a uma idéia, imanente, e, por conseguinte, supõem a existência de uma ordem anterior e superior a elas.

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8 Re: As evidências da existência de Deus em Sex Out 02, 2009 3:32 pm

AS PROVAS DA EXISTÊNCIA DE DEUS

http://www.veritatis.com.br/article/4522

Por Prof. Rui Machado

A certeza da existência de Deus não é evidente, de modo que se possa alcançá-la sem a ajuda da razão. Não é, portanto, possível uma demonstração a priori da existência de Deus, porque esta tem, obrigatoriamente, que partir do conhecimento do finito até chegar ao infinito. Contudo, existem provas bastante objetivas de que existe um Deus, apesar de agnósticos e ateus deturparem essas provas. De qualquer forma, a aceitação de Deus pela fé, por sua vez, não está condicionada a argumentos racionais, mas a fé pressupõe o conhecimento natural. Santo Tomás pretendeu, assim, demonstrar a existência de Deus por cinco “vias”, que se dividem em dinâmicas (aristotélicas) e estáticas (platônicas). Por essas cinco “vias”, pode-se chegar a um conhecimento de Deus por analogia. As três primeiras dessas “vias” constituem-se no argumento cosmológico, porque partem do movimento, da causalidade e da contingência das coisas criadas até chegar até Deus, e, a despeito de ter sido deturpado, esse argumento nunca foi devidamente refutado, seja pelo agnosticismo ateísta, seja pelo agnosticismo protestante de Kant.

As cinco vias

Deus, Motor imóvel (primeira via)
Deus, Primeira Causa (segunda via)
Deus, Ser necessário (terceira via)
Deus, Ser perfeitíssimo (quarta via)
Deus, causa final de todas as coisas (quinta via)

Primeira, segunda e terceira vias: explicitando o argumento cosmológico

Iremos analisar aqui, de preferência, o argumento cosmológico, por ser o mais conhecido.

Pode-se, por este argumento, chegar a uma demonstração da existência de Deus, posto que sabemos que causa e efeito são uma realidade. Logo, nenhuma mudança ou “vir-a-ser” pode dar-se sem uma causa. Na verdade, isto faz do Universo um enorme complexo de séries causais, que se confrontam, dando origem aos acasos. Uma série causal, por sua vez, é um conjunto de causas encadeadas, de forma que cada uma é causa eficiente da seguinte, e todas são efeitos de uma primeira causa que dá sustentação a toda série, uma primeira causa não-causada.

Como chegamos a isso? Vamos analisar passo a passo como se dá o movimento em cada uma das séries causais:

Sabemos, realmente, que, do nada, nada pode surgir (“Ex nihilo nihil fit”), até porque é absolutamente irracional pensar, e nunca se soube, por experiência alguma, que, do nada, pudesse surgir alguma coisa. Isso seria, na realidade, um acaso desprovido de causas, quando, na verdade, o acaso nada mais é do que o encontro de duas ou mais causas pré-existentes. Se algumas partículas parecem provir do nada, isso só reflete o fato da moderna mecânica quântica estar descobrindo o que seria, na realidade, um outro nível da “matéria”. De qualquer forma, nada do que surge, está isento de “condições”.

Diante disso, a única saída para o ateísmo, que se nega a admitir a “primeira causa”, seria considerar eternas as cadeias de causalidade, ou séries causais, o que nós discordamos por razões filosóficas. Não podemos regredir as causas “ad infinitum” porque isso seria ilógico. Teríamos, na realidade, efeitos sem causa, o que seria uma verdadeira violação do princípio da causalidade. Não havendo causalidade eficiente, uma vez que todas as causas possíveis seriam efeitos, não haveria, na realidade, nenhuma causalidade. Por esta razão, pode-se crer que quem assim sugere, age como quem não pensa verdadeiramente no infinito, mas em algo que tende ao infinito. Aceitar que uma cadeia de causas possa tender ao infinito não é o mesmo que dizer que ela é infinita. Ainda que se sugira que ela possa tender ao infinito, continuará necessitando de uma primeira causa, porque é absurdo que seja infinita. Em outras palavras, ter-se-ia que admitir, no infinito, uma primeira causa, o que eliminaria, de fato, o infinito. Afinal, não se explica o movimento dos vagões que se puxam um ao outro, eliminando-se a locomotiva, e aumentando infinitamente o número de vagões. Ainda que se quisesse, não se chegaria à explicação alguma, procurando-a no infinito. Ainda que se supusesse um movimento eterno, a interrupção, a mudança de direção, a passagem de um movimento ao outro não se explicariam sem a ação de uma causa.

Tem-se que a forma simples e ingênua que os ateus pensaram ter encontrado, para impugnar o argumento da “primeira causa”, foi equiparar a única verdadeira causa com causas, que, no fundo, não são causas, mas efeitos. “Se tudo necessita de uma causa, então Deus também necessita de uma causa”, dizem os céticos. Seria o caso dos ateus provarem que tudo tem, necessariamente, que ter uma causa. Como tal sentença não se pode sustentar, uma vez que não leva em conta a possibilidade de uma coisa poder existir por si mesma, apenas constata-se que, quando alguma coisa não se justifica por si mesma, tem uma causa diferente de si mesma. Assim, o que é móvel e contingente é, visivelmente, efeito de uma causa, o que não obriga à não-existência de algo que exista por si mesmo.

Por esta razão, dizemos que quem não aceita o argumento da “primeira causa”, na realidade, nunca o entendeu. Perguntar quem criou Deus é absurdo, pelo fato de que não precisa de qualquer causa para existir, por ser imutável. O mundo também não precisaria de causa para existir, caso fosse imutável. Mas, se ele muda, é de se prever que algo o impulsiona à mudança. Se ele se move, não pode ser causa de si mesmo. Causa e efeito não se confundem. Há de se procurar uma causa que não seja efeito, e que, por isso, seja única verdadeira causa e fundamento de toda causalidade. Isto porque é causa de todas as causas que, no fundo, não vêm a ser causas, mas efeitos, o que exige que seja imutável. Isso descarta, de uma vez só, o ateísmo e o panteísmo.

Não havendo uma verdadeira causa, como os efeitos poderiam sustentar toda a causalidade de uma série causal? Faz-se necessária a existência de uma causa que não seja efeito. Segundo o “princípio da razão suficiente”, todas as coisas ou eventos são reais quando existe uma razão suficiente para sua existência. Por outro lado, já vimos que não é verdade que “tudo necessita de uma causa”. O axioma verdadeiro baseia-se na verificação de que aquilo que não se justifica por si mesmo, que não se mantém, nem se explica por si mesmo, precisa de uma causa diferente de si mesma. Nada obriga à não-existência de uma causa não-causada.

É também falsa a alegação de que acreditar numa causa não-causada seja tão absurdo quanto crer que a cadeia de causas possa regredir ao infinito, só pelo fato de uma causa não-causada nunca ter sido observada. Na verdade, é assim que o positivismo de Auguste Comte pretende negar todos os postulados da metafísica, e faz isso como se a ciência também não deduzisse nada através de simples rastros, ou efeitos.

Ora, uma causa não-causada não é impossível. Por acaso, que uma causa seja também efeito é da natureza da causação? Verifica-se que só pode haver uma causa não-causada, porque, para que a causalidade seja eficiente, é necessário haver uma causa que não seja efeito, do contrário, toda causalidade estaria comprometida. A despeito disso, há, no mundo, verdadeiras causas secundárias, que causam verdadeiramente os seus efeitos, mas que devem sua existência à causa primeira, por serem efeitos dela. Essa existência é a base da causação secundária, mas não de modo que toda e qualquer causa tenha que ser efeito de outra causa. Quanto à causa não-causada, isso não torna absurda a sua existência, antes a torna necessária.

Algumas saídas foram propostas para explicar a mutabilidade do mundo sem que se precise recorrer a Deus, mas nenhuma delas tem consistência alguma:

1. Pensar, por exemplo, que o tempo seja cíclico, num circuito de causas, é o mesmo que imaginar que eu possa ser o pai do meu bisavô ou filho do meu bisneto, ao menos que se pensasse também numa razão universal que controlasse todo esse processo, enfim, uma “primeira causa”, que seria, de fato, a causa eficiente de todos os fenômenos ou causas aparentes. O que determinaria, por exemplo, qual a extensão desse circuito?

2. Imaginar, por sua vez, uma realidade que seja dinâmica, onde todas as coisas “fluem”, é o mesmo que dizer que as coisas mudam porque têm que mudar. O que as obrigaria à mudança? Não há dúvidas de que um mundo onde as coisas mudam porque têm que mudar é um mundo sem nenhuma causalidade. Sabemos que esse mundo não existe, porque as coisas só mudam porque alguma coisa as impulsiona à mudança.

3. Por último, pensar que toda a causalidade não passa de uma ilusão, como Hume ou Kant, não é muito sensato, nem muito científico. Nada muda sem ter tido uma causa própria e específica, do contrário a própria ciência seria uma fantasia. Não haveria nada a se descobrir, além de que isso inviabilizaria todo o conhecimento, porque nada teria razão de ser.

Além disso, o princípio da causalidade é um princípio lógico e necessário à própria inteligibilidade do mundo. Não podemos argumentar ou contra-argumentar tomando por base aquilo que não se evidencia, nem pode ser demonstrado, como fazem todas essas pretensas “saídas” que contemplamos.

Desde a pré-história, o homem observa os fenômenos e é capaz de ligar causas a seus efeitos. Negando-se o princípio da causalidade, a razão não teria onde se sustentar. Por outro lado, se é possível afirmar que é pela razão que temos ciência desse mesmo princípio, creio ser ainda mais possível afirmar justamente o oposto: que é a razão que nasce com a causalidade. Do contrário, como poderia a razão ser causa dela mesma? Logo, a causalidade é anterior à própria razão, porque ela força a existência da própria razão. Por isso mesmo, Santo Tomás de Aquino ensinou que não se pode demonstrar a existência de Deus a priori, mas esta demonstração supõe a existência do princípio da causalidade, que é necessário à inteligibilidade.

Pode-se argumentar que, se há diferentes séries causais, há diferentes movimentos, e que cada movimento exige um motor diferente. Aristóteles postulava a existência de vários motores imóveis. Logo, como se pode saber que Deus seja a primeira causa de cada uma das séries causais?

Não importando quantas séries causais possam existir:

- As razões que nos levam a afirmar que Deus existe forçam-nos também a concluir que ele é só um. Se houvesse vários deuses, teriam de se distinguir por alguma diferença, visto que, sendo imateriais, não poderiam ser individuados pela matéria. E a diferença seria necessariamente uma perfeição que pertencesse a um e não aos outros, que, assim, não seriam absolutamente perfeitos. Não pode, portanto, haver senão um Deus.

- É a matéria a origem dos encontros de séries causais, e efeitos acidentais; e é nisso, como disse, que consiste o acaso.

- Cada uma das séries causais primordiais, ao menos no mundo físico, parece ter surgido, embora independente, concomitantemente à existência da matéria no tempo e no espaço, na dita “grande explosão” (“Big Bang”).

Pode-se defender tal coisa de um ponto de vista científico?

Se a existência tem sentido, se pode ser explicada (assim como quer a ciência com todo o mundo natural), então a hipótese de um ser que contenha em si próprio a essência de existir é uma condição sine qua non para esse problema. Mas se partimos do princípio que a existência não demanda e nem tem explicação (princípio, aliás, muito confortável para os ateus e afins), então, por conseqüência, nenhum dos eventos naturais teriam explicação, nem tão pouco careceriam de uma, mas a realidade ao nosso redor é absolutamente contra esse princípio. Ou se abraça a ciência e, com ela, o Ser Absoluto, ou ninguém explica mais nada, o mundo é sem sentido e com isso jogamos fora todo o nosso conhecimento.

Terceira e quarta vias: Ser necessário e ser perfeitíssimo

A causalidade está ligada à natureza dos seres contingentes. Um ser contingente é um ser que, de si mesmo, em nada se obriga a existir. Existe, mas a sua existência não se faz necessária em si mesma. Um exemplo é a vida na Terra. A vida na Terra poderia não ter ocorrido, se não o planeta não tivesse conhecido os fatores necessários ao seu desenvolvimento. Caso isso ocorresse, o planeta apenas seguiria o curso dos outros planetas onde a vida não desenvolveu.

Um ser contingente poderia nunca ter existido, ou seja, a sua existência não se faz necessária em si mesma. Na verdade, um ser contingente existe, mas poderia nunca ter existido, se algo não o tivesse causado. Isto porque deve a sua existência a outro ser que o causa, ou seja, torna a sua existência possível. Um ser contingente, portanto, faz a sua existência depender de outro. Temos, por exemplo, que a origem da vida na Terra dependeu de uma série de fatores.

Para que algo não seja contingente, tem que existir por si mesmo.

Para que uma coisa possa existir por si mesma, poderíamos pensar em duas opções:

- ela teria que ser causa de si mesma

- ela teria que ser eterna (existir sempre).

Para que uma coisa pudesse ser causa de si mesma, teria que ser anterior a si mesma. Haveria, nesse caso, um grave problema de lógica. Só resta uma opção: ser eterna

Um desafio que deve ser feito aos ateus é apontar uma só coisa que exista agora e que tenha existido sempre. Não vale o Universo, porque, a despeito do Universo ser tratado pelos ateus como uma coisa ou uma entidade, ele não é uma coisa ou entidade. O Universo é um conjunto de séries causais independentes que se encontram dando origem ao nosso popular “acaso”. A existência de “sistemas algorítmicos”, onde subsistem uma multiplicidade de causas, é prova suficiente disso. Espaço, tempo e energia também não são coisas, nem entidades. Espaço e tempo são, respectivamente, as dimensões horizontal e vertical da causalidade. Energia é o próprio movimento impresso pela Causa primeira, o qual existe na forma de potencialidade e de atualidade. Leis também servem. Leis não têm causas, porque uma lei nada mais é do que a descrição de uma relação de causa e efeito.

Por outro lado, é impossível demonstrar que “tudo o que existe precisa de uma causa”, porque isso eliminaria a possibilidade de algo existir por si mesmo (existir sempre na mesma forma). O princípio da causalidade não impede que algo exista por si mesmo, porque, do contrário, o mesmo princípio não poderia existir por si mesmo. O que permitiria a existência do princípio da causalidade?

Além disso, a existência não demanda uma causa. O que demanda é a contingência, melhor ainda, a potência, o poder “vir-a-ser”, porque só o que mudou do que era para o que é, ou mudará, demanda uma causa. Para que se possa estabelecer a tese de que a existência demanda uma causa, ter-se-ia que provar primeiro a existência do “nada”, o que a metafísica e a moderna mecânica quântica negam que exista.

Deus não criou o melhor dos mundos possíveis. Podemos percebermos a contingência do mundo (contigentia mundi), inclusive, imaginando que pudessem existir infinitos mundos paralelos, isto é, sem qualquer ponte que os unisse, e, correspondentemente, não possuindo, para nós, qualquer existência efetiva. Cada um dos mundos poderia ser idêntico ao nosso, ou não, entendendo que Deus é um Ser necessário e independente, e o mundo um apêndice contingente-dependente. Em razão disso, podemos responder satisfatoriamente a um argumento muito utilizado pelos céticos, que consiste em alegar que o perfeito não pode gerar o imperfeito:

O Ser Supremo possui, em si, tudo aquilo que é capaz de preencher, ou, como diríamos, o bem absoluto e total (infinito), de modo que nada pode adicionar-se a ele. O mundo é um apêndice, que, de maneira nenhuma, completa aquilo que Deus é, mas depende infinitamente dele, tanto quanto o Ser Supremo não depende infinitamente de nada. Deus mantém o cosmos livremente, de modo que todo o bem de que o cosmos se constitui, é ganho e não perda. Deus nada deve ao mundo, de modo que, de acordo com a sua “disposição”, o bem de que o mundo se constitui pode variar desde o não-ente (conjunto vazio = mal absoluto), até o limite do bem infinito, embora não possa atingir o bem infinito, porque isso significaria ser igual a Deus. Isso significa que poderiam existir mundos melhores ou piores do que o nosso, embora não possa existir um Deus melhor ou pior do que o nosso. Santo Tomás de Aquino argumenta, também, que a existência, no mundo, de diferentes graus de perfeição sugere que Deus seja a fonte das perfeições dos outros seres (quarta via).

O bem relativo é perfeitamente atingível pela disposição de Deus, mas o bem infinito não é atingível, porque o mal absoluto é absoluto, o que equivale a um conjunto vazio, mas não é infinito. O bem infinito, por sua vez, não é atingível, porque ele já existe em Deus.

Na distância que separa o absoluto não-ente e o bem infinito, Deus pode manter o mundo. Não se diz que ele cria o mundo, senão que este deriva dele, uma vez que o verbo “criar” implica em algo que se realiza no tempo, mas podemos dizer também que Deus mantém o seu mundo (e para Santo Tomás, não é possível demonstrar racionalmente que o mundo tenha tido um começo).

A distância que separa o não-ente do bem infinito é, de fato, uma distância infinita, de sorte que Deus não pode manter um cosmos que se equipare a ele, porque não pode duplicar-se. Com isso, dizemos que a distância é verdadeiramente infinita, de sorte que, por esse percurso, que passamos a chamar a partir de agora de “percurso infinito”, não se pode atingir o bem infinito, embora se entenda que Deus é perfeitamente livre para manter o cosmos que desejar e seja “onipotente”. Isso explica, por exemplo, porque Deus não pode, fazendo alusão a algo cognoscível, manter um cosmos que atinja o ponto final do “percurso infinito” ou o ultrapasse (o que seria absurdo, uma vez que Deus é infinito), embora isso seja pensável pelo fato de que a nossa mente, acostumada com o analógico, que começa por considerar separadamente os elementos duma definição contraditória, só quando os quer ligar reconhece a sua impossibilidade. Assim, no senso comum, diríamos que isso explica porque Deus não pode fazer uma pedra que ele mesmo não possa carregar. Conforme dissemos, não se trata de Deus não poder fazer a pedra, mas que, por se tratar de um “percurso infinito”, esse feito é inatingível.

Quinta via: o argumento teleológico

Parece inegável, por exemplo, que a árvore está destinada a produzir a semente, e esta a dar origem a outra árvore, embora nem todo acontecimento da natureza envolva finalidade de ou para alguma coisa, pois existem os encontros acidentais de causas, ou acasos. Há, no entanto, ocasiões em que o agente natural age inconscientemente para um fim, como no caso da árvore ou da semente.

Se há causalidade, é imprescindível que haja finalidade, posto que não há causa sem efeito.

O contrário de se admitir o princípio da causalidade, seja por se seguir Hume ou Kant, é admitir que, do nada, pode surgir alguma coisa. É mais absurdo crer nisso do que em contos de fadas, porque, além de ser uma premissa não provada, é contrária à própria razão. Se admitíssemos isso, não poderíamos procurar a razão de nada, posto que o princípio da causalidade seria um absurdo. Isso não poderia explicar, de forma alguma, o surgimento de toda a sorte de coisas, inclusive seres que se complementam, como macho e fêmea, uma vez que é impossível dizer não terem sido projetados para uma finalidade. De qualquer forma que seja, aquele “relojoeiro cego”, dos ateus, por ser cego, não vê adiante, não planeja conseqüências, não tem finalidades em vista. No entanto, os ateus poderiam dizer que essa aparente finalidade é um produto de ensaio e erro, ou talvez um produto de uma regularidade natural. Ensaio e erro? Mas de quem?

Produto de uma regularidade natural? O que impede de ser diferente?

Esses argumentos, para mim, já são mais do que suficientes para provar a existência de Deus e de como o ateísmo é ingênuo. Provas a favor da inexistência desses princípios lógicos não são sustentáveis.

Deus pode ser entendido enquanto princípio e fim de todas as coisas. Não é sensato pensar que esse princípio e que esse fim não existam, até porque qualquer contra-argumentação nesse sentido só pode se sustentar na desconfiança em relação às provas fornecidas neste tópico. No entanto, para buscar entender essas provas, os ateus teriam que buscar, passo a passo, refazer o caminho pelo qual se chegou até elas, para que não aconteça de estarem refutando aquilo que, na verdade, nunca conheceram.

Refutação de argumentos dos céticos contrários às cinco vias

Quanto à prova do movimento, Guilherme de Ockham nega a validade dos dois princípios em que ela se funda. Na verdade, observa ele, pode-se razoavelmente afirmar que alguma coisa se move por si, como a alma ou o anjo, ou o próprio peso que tende para baixo; e que o processo ao infinito se dá freqüentemente na experiência, por exemplo, quando se fere em uma das extremidades um comprimento contínuo: a parte ferida moverá a parte mais próxima, e esta uma outra, e assim por diante infinitamente (Cent. theol.; Concl. I,D). Ockham também argumentou que a prova do movimento não teria qualquer valor para explicar, por exemplo, a existência de seres imateriais, como a alma ou o anjo, ou, como se podia pensar na época, a questão de um corpo em queda livre, onde o movido é também motor de sua queda.

Ora, para que alguma coisa possa existir por si mesma, teria que ser causa de si mesma ou existir sempre na mesma forma. Enfim, para que alguma coisa fosse causa de si mesma, teria de ser anterior a si mesma. O anjo não pode existir por si mesmo, porque está sujeito a mudar de operação, tampouco a alma que já animou um corpo. Assim, o que não se resolve pela prova do movimento, resolve-se pela prova da contingência. O peso não seria problema hoje, quando sabemos da gravidade e das leis envolvidas. Assim, as “quinque viae” não só formam uma unidade perfeita, como cada uma delas poderá ser usada na explicação dos casos mais particulares.

Hume rejeita a validade da prova cosmológica; indica (Dialogues on Natural Religion, IX) que não é necessário recorrer ao conjunto, ou ao conjunto de uma série (nem a nenhum membro fora da série) para explicar a existência dos membros da série. A explicação de cada um dos membros da série equivale à explicação de toda a série. Assim, portanto, um conjunto de membros é uma soma de membros, não uma entidade distinta dos membros que compõem o conjunto.

No caso de Hume, ele apenas ignora a dependência que existe dentro de cada uma das séries causais.

Kant argumenta que o princípio transcendental, segundo o qual inferimos uma causa de algo contingente, é aplicável apenas ao mundo sensível, mas não tem significações fora desse mundo. Tendo-se visto, segundo Kant, que a noção de causalidade é uma categoria aplicável à experiência, é inadmissível usá-la fora da experiência. Contudo, mesmo sendo a série de causas restrita a este mundo, não se justifica inferir a existência de uma primeira causa com base na impossibilidade de uma série infinita de causas. Além disso, haveria na prova cosmológica uma confusão entre a possibilidade lógica de um conceito de realidade e a possibilidade transcendental dessa realidade.

No que diz respeito a Kant e sua argumentação, vimos que o princípio da causalidade é a base de todo o conhecimento, portanto é o que de mais evidente a razão pode ter à sua disposição. Impugnando-o, como Kant pôde pretender conhecer os limites da própria razão?

A afirmação de que as leis do pensamento são as mesmas em todos os homens é lógica e natural em quem, como nós, entende que se pode concluir do que se vê para o que as coisas realmente são. Se verificamos, pela observação, que a natureza humana é idêntica nos outros homens e em nós, podemos afirmar que as leis naturais do seu pensamento devem ser as mesmas que as do nosso. Mas Kant, fechado em si mesmo pela sua teoria do númeno inacessível, não conhecendo dos outros senão as suas próprias percepções, que só têm valor subjetivo, e nada dizem sobre a realidade do objeto, como pode fundamentar tal afirmação? Há aí incoerência ou petição de princípio.

Desde a pré-história, o homem observa os fenômenos e é capaz de ligar causas a seus efeitos. Negando-se o princípio da causalidade, a razão não teria onde se sustentar. Por outro lado, se é possível afirmar que é pela razão que temos ciência desse mesmo princípio, creio ser ainda mais possível afirmar justamente o oposto: que é a razão que nasce com a causalidade, pois todo o nosso conhecimento racional tem base nos sentidos. Do contrário, como poderia o conhecimento racional ser causa de si mesmo, como postulava Kant? Logo, a causalidade é anterior à própria razão, porque ela força a utilização da própria razão.

Alguns céticos não hesitam em dizer que todas as provas metafísicas acerca da existência de Deus não passam de esforços lógicos para salvar o Deus cristão. Procuram, assim, invalidar as provas metafísicas, trazendo-as para a esfera do religioso, isto é, da fé, e não da razão. Quanto a isso, é interessante notar que os gregos antigos, que não estavam, de forma alguma, comprometidos com o cristianismo, tenham chegado ao conhecimento de Deus, com o uso da razão.

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9 Re: As evidências da existência de Deus em Sex Out 02, 2009 3:33 pm

VOCÊ PODE PROVAR A EXISTÊNCIA DE DEUS?

http://www.apologia.com.br/?p=17

Desde que Immanuel Kant escreveu sua “Crítica da Razão Pura”, tem sido comum para as pessoas pensantes insistir que é impossível provar a existência de Deus. Na verdade, essa afirmação tem sido elevada ao nível de dogma, na cultura intelectual americana. A razão que me faz saber que isso é considerado um dogma inquestionável é a reação que eu provoco quando trago a tona essa questão. Quando alguém diz: “Você não pode provar a existência de Deus”, tenho vontade de perguntar: “Como você sabe? Você acabou de me conhecer! Como você sabe o que eu posso fazer ou não?”

O que a maioria das pessoas quer dizer quando pronunciam essa afirmação? A maior parte das pessoas quer dizer que eu não posso dar um argumento filosófico para a existência de Deus que convença todo os seres pensantes. É impossível dar um argumento que possa forçar uma concordância, então o problema continua. Se o meu argumento não convencer o ateu mais ardente, eles dizem, então não provei a existência de Deus. Enquanto não convencer tal ateu a acreditar, meus argumentos não podem ser considerados como uma prova. Ora, se eles não podem ser considerados como provas, para que servem?

Eu concordo que não posso dar um argumento que convença todo ser pensante. Mas o que isso me diz? Diz qualquer coisa a respeito de Deus? Não. Diz mais sobre a natureza da prova do que sobre a existência de Deus. Eu não posso dar um argumento que convença qualquer um, sem a possibilidade de dúvida, de que Deus existe. Mas isso não é problema. Veja, eu não posso dar argumento a favor de nenhuma conclusão filosófica interessante que seja aceito por todos sem a possibilidade de dúvida.

Eu não posso provar, sem que haja a possibilidade da dúvida - de uma forma que convença todos os filósofos - que as montanhas rochosas estejam realmente aqui, como um objeto independente da mente. Eu não posso provar que o universo inteiro não tenha passado a existir cinco minutos atrás e que todas as nossas aparentes memórias não sejam ilusões. Eu não posso provar que as outras pessoas que você vê no campus tenham mentes. Talvez sejam robôs super inteligentes.

Não há nenhuma conclusão filosófica interessante que possa ser provada sem que haja a possibilidade de dúvida. Assim, o fato de o argumento que defende a existência de Deus não produzir certezas matemáticas não enfraquece certamente por si só a possibilidade da existência de Deus. Apenas coloca a questão da existência de Deus na mesma categoria que outras questões tais como a da existência de um mundo externo independente da mente e a questão de como sabemos que as outras pessoas têm mentes.

Isso significa que os argumentos para a existência de Deus são inúteis? De modo algum. Claro, eu não posso dar um argumento que convença todo ser pensante, mas isso não significa que eu não tenha uma boa razão para acreditar em Deus. Na verdade, algumas das minhas razões para acreditar em Deus podem ser persuasivas para você. Mas, mesmo se você não for convencido a acreditar que Deus existe, meu argumento não será inútil. É razoável acreditar que as montanhas sejam reais e nossas memórias sejam geralmente confiáveis e que outras mentes existam. É razoável acreditar nessas coisas mesmo que elas não possam ser provadas. Talvez alguns de meus argumentos sobre a existência de Deus irão persuadir você que acreditar em Deus é razoável.

Assim, como podemos saber que Deus existe? Ao invés de procurar conclusões acima da possibilidade de dúvida, pesamos as evidências e consideramos as alternativas. Que alternativa corresponde melhor à evidência?

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10 Re: As evidências da existência de Deus em Sex Out 02, 2009 3:36 pm

A ciência não explica tudo, mas explica Deus?

http://www.romulogondim.com.br/noticias.php?id=8328&cat=1026

30–09–2008

por Daniel Lopes - Se houvesse por aí um livro com o subtítulo “Evidências científicas da não-existência de Deus” eu ainda assim iria atrás de ler, porque com quase absoluta certeza seria um festival de abobrinhas divertidas e perda de tempo, com ampla vantagem para as abobrinhas divertidas. E se o subtítulo é “Evidências científicas da existência divina”, aí então é que a coisa promete mesmo. Pois este é exatamente o subtítulo de Deus não está morto (Aleph, 2008), do crente e cientista (claro! claro!) indiano Amit Goswami.

Todas as minhas esperanças e idéia original de levar o livro do senhor Goswami muito a sério ficaram aí por entre o Prefácio e o Prólogo. Eu tenho inclusive que parar de ler esse tipo de autor, senão daqui a pouco vou acabar me transformando num detestável ateu praticante, eu que estou tão feliz (conformado, se quiserem) em minha condição de ateu não praticante, ou agnóstico, ou sei lá o quê – vai ver nutro apenas a mais absoluta desconfiança pelas religiões instituídas, e não tenho nenhuma querela com o Homem, em especial. No primeiro semestre li I don’t believe in atheists, de Chris Hedges (escrevei sobre alhures), e encerrei a leitura quase achando os 10 Mandamentos do Dawkins uma genialidade.

Acreditem em mim: não é possível explicar a existência ou a não-existência de Deus. Pelo menos explicar de uma forma que seja compreensível para mais de 1 por cento da humanidade, ou seja, de uma forma que não seja pura embromação. Então, você me pergunta, se quase todos os humanos não podem entender uma lógica dedicada a explicar a existência de Deus, como é que quase todos acreditam Nele? Bem, pela mesma razão pela qual eu não acredito: por nada – ou por inércia – ou por preguiça (uma colega do Encontro de Jovens me disse, dentro de um ônibus, para (perdão) Deus e o mundo, que eu não sou ateu, e sim um preguiçoso, que tenho preguiça de ir nas missas e nos Encontros disso e daquilo; não pude refutá-la).

Não é que as explanações dos teólogos não tenham qualquer utilidade. Sem elas, sem dúvida haveriam menos motivos para rir neste vale de lágrimas. Padre Copleston, em célebre debate com o cientista Bertrand Russell, pergunta se ele, Russell, pode provar que Deus não é uma realidade. Russell diz que provar isso ele não pode, e que portanto, desse ponto de vista, é um agnóstico. Mas o padre Copleston, esse sim, pode provar a existência do Senhor. Filosoficamente:

Tome a proposição “se há uma existência contingente, há uma existência necessária”. Considero que essa proposição expressa de maneira hipotética é uma proposição necessária. (…) Mas a proposição é uma proposição necessária somente diante da suposição de que a existência contingente existe. Que há um ser contingente que realmente existe é algo que tem de ser descoberto pela experiência, e a proposição de que existe um ser contingente certamente não é uma proposição analítica, apesar de, uma vez que se sabe da existência de um ser contingente, devo reiterar, segue-se a isso a necessidade da existência de um ser necessário.

Não é óbvio?

É bem verdade que entre “evidências da não-existência de Deus” e “evidências da existência divina” ainda fico com a primeira, pois pro bem ou pro mal os meus sentidos só percebem o material e o que dele provém, e a minha mente só processa o que meus sentidos percebem, ou, no máximo, bola de vez em quando uma das suas em períodos de sono – o que, afinal de contas, não passa de mais uma conseqüência das percepções nos períodos de vigília. Se, no fundo, não é assim, e eu estou errado, a culpa é de Deus, por me ter brindado com uma mente tão limitada. Ou vai ver a existência de mentes inacreditavelmente limitadas como a minha também são frutos de Sua inteligência e bondade, embora não bondade para comigo, mas com aqueles que acreditam em Sua existência, posto que a crença só existe em contraponto com a descrença, e vice-versa.

Mas esqueçam a filosofia do padre Copleston, e bem-vindos à ciência do senhor Amit Goswami. Ou melhor, à “nova ciência” do senhor Goswami, pois é com esse termo que ele orgulhosamente classifica o campo em que atua e onde situa sua teoria. O título do seu livro, claro, é um contraponto à célebre frase de Nietzsche. E, indiretamente (na verdade, diretamente, como fica provado ao longo da obra), uma ratificação da famosa frase daquela personagem dostoievskiana, para quem, se Deus não existe, então tudo é possível. Não lembro agora quem disse certa vez que, efetivamente, se Deus não existe, tudo é possível – inclusive viver como se Deus existisse. Mas, adiante.

O Deus do cristianismo popular não serve ao senhor Goswami – Ele não passaria de um “Deus de palha”. Os cristãos discordam, mas a existência desse ser superior – aparentemente tão simples, patente, evidente, clara e fácil de ser comprovada – tem mesmo esse poder de suscitar controvérsias infinitas e onipresentes. É que o autor precisa de um deus mais, hum…, natural, ou seja, com mais conexão com o material, sem a qual sua idéia de atestar Sua existência através da ciência dará em nada com coisa nenhuma.

No entanto, o autor reconhece que, apesar das infindáveis discordâncias entre religiões e seitas, todas identificam em Deus (seja lá qual for sua verdadeira identidade) “três aspectos fundamentais”, que ele enumera na primeira página de seu Prefácio:

O primeiro aspecto é que Deus é um agente de causação acima da causação que provém do nível terreno e mundano. Segundo, há níveis da realidade mais sutis do que o nível material. E, terceiro, há qualidades divinas – o amor é uma das mais importantes – às quais todas as pessoas deveriam aspirar e que a religião deseja mostrar e ensinar.

Sobre as “causações”, nenhum teórico conseguiu explicar razoavelmente (o que dizer cientificamente) até hoje qual foi a causa de Deus. Um outro Deus? Neste caso, a quem adorar, ao Deus 1 ou ao Deus 10? Deus não pode ter criado a Si mesmo, pois, segundo os crentes, nada surge do nada – pelo menos é o que eles dizem quando criticam a teoria evolucionista. Segundo, as “realidades” que fogem (ainda ou para sempre) da mera explicação material têm realmente que ser provas de uma existência divina? Ou será que o senhor Goswami está pensando nas atitudes humanas que não podem ser “explicadas” cientificamente? É verdade, às vezes, raramente, acontece de alguém levar um tapa e, em seguida, dar a outra face. Mas essas atitudes têm que ser provas da existência de Deus? E depois, fora o fato de que não se precisa ser um crente ou ter religião para cometer atos de bondade, não são apenas atitudes de perdão e de amor que são por vezes inexplicáveis. E no caso daquele pai de família que todos têm como exemplar e que, de repente, violenta e mata a filha pequena? É isso um atestado da existência de Deus? Como já disse Christopher Hitchens, se Deus realmente queria uma espécie que fizesse da bondade o motor da vida na Terra, melhor teria feito em criar algo muito diferente do homem.

De qualquer forma, para Goswami esses “aspectos fundamentais” que unem as desunidas facções de crentes não passam, por assim de dizer, de abstrações – embora sirvam de fonte inesgotável para discursos proselitistas. Ele, não esqueça, está interessado é na comprovação científica da existência de um ser superior a todos nós. Daí, as “assinaturas quânticas do divino” e os “domínios sutis da realidade”.

É que a física quântica, nascida para explicar o comportamento da matéria e da energia dos átomos e subátomos, e que hoje também serve para se estudar fenômenos macro como o Big Bang, inevitavelmente, segundo Goswami, com seus pontos não explicáveis acaba por provar a existência de Deus, já que põe em xeque o determinismo causal da “velha ciência” de Descartes, Galileu e Newton. Sim, nosso autor acredita que “a única explicação possível” para o inexplicável é que ele é “causado pela intervenção de Deus”. Pensando assim, quem precisa da velharia de um método que busca compreender cientificamente o que ainda não foi esclarecido, se o não esclarecido é nada mais que a prova… etc? Agora imaginem se tivessem tido que louvar o inexplicável que um dia foram a rubéola, a malária e a AIDS. Nada animador, não é verdade?

Por falar em doenças e curas, o que na verdade o senhor Goswami quer dizer na passagem seguinte?

A ciência materialista tem tido muito progresso e tem nos proporcionado muitas tecnologias úteis, mas quanto mais nós a aplicamos a problemas biológicos e humanos, menos parece capaz de nos oferecer soluções palpáveis.

Por ciência materialista, entendam a “velha ciência”, em contraponto à “nova”, espiritual. Parece até um estalinista falando da “arte burguesa”. Ou um extrato de discurso da Madre Teresa de Calcutá, que pregava aos miseráveis a resignação, mas, quando ela mesma teve um grave problema de saúde, pegou o primeiro vôo rumo a uma clínica californiana contaminada pela ciência burguesa, digo, materialista.

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11 Re: As evidências da existência de Deus em Sex Out 02, 2009 3:39 pm

"DEUS. A EVIDÊNCIA" (por Patrick Glynn)

http://www.sinaisdostempos.org/ateus/aevidenciadeDeus.htm

A descoberta da fé:

Em síntese: O autor do livro é Ph. D., formado em Harvard (U.S.A.) e Cambridge (Inglaterra). De ateu que era, tornou-se homem de fé, guiado pela evidência da verdade que seus estudos lhe propiciaram, ao pesquisar a grandeza e harmonia do universo, o psiquismo humano feito para os valores transcendentais e o vazio da sociedade que, sem fé, procura prazer nas drogas e no abuso da sexualidade. Patrick Glynn enuncia os dados da ciência que o levaram a descobrir e reconhecer a existência de Deus.
* * *

Patrick Glynn é Diretor Associado e Acadêmico residente da George Washington University Institute for Communitarian Policy Studies em Washington, DC. Estudou Literatura, Filosofia e História em Harvard e Cambridge, chegando ao título de Ph. D. Escreveu o livro "Deus. A Evidência. A Reconciliação entre a Fé e a Razão no Mundo atual"[1], livro em que apresenta quatro razões que o levaram a passar da incredulidade para a fé:

- os físicos descobrem uma ordem inexplicável no universo;

- os médicos relatam o poder de cura da oração;

- as experiências no limiar da morte mostram aos psicólogos que a fé estimula a saúde mental;

- os sociólogos reconhecem as conseqüências deletérias de uma sociedade desprovida de valores espirituais.

O livro é altamente interessante, vista a sinceridade com que o autor aborda as relações entre a ciência e a fé; a própria evidência decorrente de sérios estudos levou o autor por si mesmo a professar a fé em Deus. Nas páginas que se seguem, apresentaremos alguns dos dados que P. Glynn propõe como persuasivos de que a fé não está ligada à ignorância e o ateísmo não é uma característica necessária do cientista.

1. "Um Universo nem tão aleatório"

Tal é o título do capítulo 1º, no qual Patrick Glynn se associa aos físicos que afirmam "o princípio antrópico", a saber: "as inúmeras leis da Física foram orquestradas ordenadamente desde o início do universo até o aparecimento do homem; o universo em que habitamos aparenta ser explicitamente planejado para o surgimento dos seres humanos" (p. 29). "Brandon Carter e outros cientistas descobriram uma série de misteriosas coincidências ou acidentes de sorte no universo, cujo único denominador comum era preparar o aparecimento do homem. A mais leve alteração das forças fundamentais da Física - gravidade, eletromagnetismo, a sólida energia nuclear ou a fraca energia nuclear - teria como resultado um universo irreconhecível: universo formado de hélio, sem prótons ou átomos, sem estrelas, universo que desmoronaria sobre si mesmo antes dos primeiros momentos de sua existência. Modificar as proporções exatas da massa das partículas subatômicas em relação umas às outras traria efeitos semelhantes. Mesmo a base da vida, como carbono e água, depende de uma fina sintonia extraordinária em nível subatômico, coincidências estranhas nos valores, para as quais os físicos não possuem explicação" (p 334). Patrick Glynn apresenta alguns exemplos dessa fina sintonia sem a qual não haveria o universo:

"A gravidade é cerca de 1039 vezes mais fraca que a força eletromagnética. Se a gravidade fosse 1033 vezes mais fraca, as estrelas teriam um bilhão de vezes menos massa e queimariam um milhão de vezes mais rápido.

A fraca energia nuclear tem 1028 vezes a força da gravidade. Se a fraca energia nuclear fosse levemente mais fraca, todo o hidrogênio no universo se teria transformado em hélio (impossibilitando a existência de água, por exemplo).

Uma forte energia nuclear (de 2%) teria impedido a formação dos prótons, produzindo um universo sem átomos. Decrescendo seu valor em 5%, teríamos um universo sem estrelas.

Se a diferença em massa entre um próton e um nêutron não fosse exatamente a que é - cerca de duas vezes a massa de um elétron -, então todos os nêutrons se transformariam em prótons e vice-versa. E diríamos 'adeuzinho' à química como a conhecemos - e à vida.

A natureza propriamente dita da água - tão vital para a vida - é algo misterioso... A água, única entre as moléculas, é mais leve em estado sólido que em estado líquido: o gelo flutua. Se isso não acontecesse, os oceanos congelariam de baixo para cima e a Terra, agora, estaria coberta de gelo sólido. Por sua vez, essa propriedade pode ser atribuída a propriedades exclusivas do átomo de hidrogênio.

A síntese do carbono - o núcleo vital de todas as moléculas orgânicas - em uma escala de importância, envolve aquilo que os cientistas denominam uma 'estarrecedora' coincidência na proporção da energia forte (strong force) para o eletromagnetismo. Essa proporção permite ao Carbono 12 atingir um estado estimulado de exatidão da ordem de 7,65 MeV na temperatura típica do centro das estrelas, o que cria uma ressonância que envolve o Hélio 4, o Berilo 8 e o Carbono 12, possibilitando a ligação necessária que ocorre durante uma janela diminuta de oportunidade, que dura 10E-17 segundos" (p. 35).

Comenta Patrick Glynn:

"A profundidade do mistério envolvido aqui foi apresentada da melhor maneira pelo astrônomo Fred Hoyle, um antigo propositor da teoria do estado estático:

'Tudo o que vemos no universo de observações e fatos, em oposição ao estado mental dos esquemas e suposições, permanece inexplicado. E mesmo em seu supostamente primeiro segundo, o universo em si não é casual. Isso quer dizer que o universo precisa saber com antecedência o que irá acontecer antes de saber como iniciar a si próprio. Porque, de acordo com a Teoria do Big-Bang, por exemplo, em um período de 10E-43 segundos o universo precisa saber quantos tipos de neutrino irão existir no período de 1 segundo. Isso funciona de modo a iniciar a expansão na taxa exata para adequar-se ao número final de tipos de neutrino'.

O conceito de Hoyle sobre a necessidade do universo em 'saber com antecedência' resultados que viriam posteriormente, captou a profundidade do mistério. A sintonia fina de valores e proporções aparentemente heterogêneos, necessários para ir do Big-Bang à vida conforme a conhecemos, envolve uma coordenação intrincada sobre amplas diferenças na escala - desde o nível intergalático ao subatômico -, e através de sistemas de tempo de vários bilhões de anos" (p. 36).

Ora, isto tudo aponta para a Inteligência Criadora.
2. As manifestações da psyché humana

O cap. 2º do livro trata da influência da fé e dos valores religiosos no comportamento humano, influência averiguada pela Psicologia Contemporânea; longe de causar alienação, a fé bem atendida (não crendice nem superstição) contribui poderosamente para estruturar sadiamente a personalidade. - Eis o que afirma Patrick Glynn:

"O Fator 'Fé'

Na raiz da psicologia moderna encontrava-se uma ambição digna do Dr. Fausto: substituir a compreensão da religião tradicional por um mecanismo totalmente novo, 'livre de valores', devido à vida mental baseada completamente na ciência. Essa ambição foi anunciada há tempos, no século XVII, por Thomas Hobbes - o primeiro pensador moderno a tentar aplicar os métodos das novas ciências físicas às vidas social e mental. ("A negação da alma", por Hobbes, valeu-lhe ampla condenação como ateísta).

Os comentários de Freud sobre religião e ciência consistiram simplesmente em uma declaração repetida desse tema moderno e original do Iluminismo. Mas, com a proximidade dos ventos do século XX, o paradigma psicológico moderno, após a fase de ruptura com a Igreja, é um estado de colapso intelectual. Longe de confirmarem as diversas teorias modernas sobre a vida mental, décadas de pesquisa e prática clínica demonstraram, na verdade, com freqüência, a impossibilidade de formular uma visão coerente da vida humana sem moral nem horizonte religioso. De forma lenta, mas acertada, a psicologia moderna encontra-se tardiamente redescobrindo a alma.

Tomemos a própria pesquisa sobre a crença religiosa. O veredicto, aqui, é avassalador. Fica difícil encontrar uma relação de interdependência mais consistente entre a saúde mental e a sólida fé religiosa. Eis alguns exemplos da descoberta:

Suicídio - Em 1972 um estudo amplo descobriu que as pessoas que não frequentavam igrejas tinham quatro vezes mais probabilidade de cometer suicídio que os participantes mais freqüentes. Um exame de doze estudos sobre a relação entre o compromisso religioso e o suicídio encontrou uma correlação negativa em todos os doze casos. Descobriu-se que a ausência no comparecimento à igreja aumenta os índices de suicídio.

Vício em Drogas - Estudos numerosos mostraram uma correlação inversa entre o compromisso religioso e o vicio em drogas. Um levantamento com cerca de 14.000 jovens descobriu que o vício varia na proporção direta da força do compromisso religioso, sendo que os jovens religiosamente mais conservadores são os que apresentam as menores taxas de vício. Os autores concluíram que a religião era a melhor forma de coibir os padrões de vício.

Alcoolismo - Diversos estudos descobriram que o alcoolismo é muito maior entre aqueles com pouco ou nenhum compromisso religioso. Um estudo descobriu que aproximadamente 90% dos alcoólatras perderam o interesse na religião em sua juventude.

Depressão e Estresse - Vários estudos descobriram que altos índices de compromisso religioso encontram-se relacionados a níveis mais baixos de depressão, de estresse e maior aptidão para lidar com o estresse. Pessoas religiosas apresentam uma recuperação de cirurgia mais rápida que os ateus e agnósticos.

Divórcio - Muitos estudos encontraram uma sólida correlação inversa entre a freqüência em igreja e o divórcio.

Satisfação Matrimonial e Sexual - Um estudo de 1978 descobriu que o comparecimento à igreja previa satisfação matrimonial de modo mais eficaz que outra variável. Casais em matrimônio de longa duração, que passaram pela pesquisa em outros estudos, relacionaram a religião como uma das 'prescrições' mais importantes para um casamento feliz. O mais extraordinário: uma análise de dados partindo de uma pesquisa maciça entre leitores da revista "Redbook" nos anos setenta descobriu que 'várias mulheres religiosas relataram uma maior felicidade e satisfação com o sexo matrimonial do que as mulheres de prática religiosa moderada ou sem prática religiosa'. Assim, as pessoas religiosas, de forma exata, parecem desfrutar mais do sexo matrimonial!

Felicidade e Bem-Estar Psicológico no Âmbito Geral - Aqueles que professam uma fé de modo mais sólido relatam maior felicidade no âmbito geral, bem como satisfação com a vida. Em uma pesquisa do Instituto Gallup, os entrevistados com sólido compromisso religioso concordavam duas vezes mais em que 'Minha fé religiosa é a influência mais importante em minha vida' do que aqueles com um mínimo de compromisso espiritual, para descreverem a si mesmos como 'muito felizes'.

Para termos certeza, existem exceções para toda a regra, e sem dúvida podemos encontrar casos em que perspectivas extremadas sobre a religião encontram-se ligados à psicopatologia. Mas as estatísticas formam uma declaração poderosa sobre as condições típicas da humanidade. Para resumir; se a religião é uma 'neurose obsessiva devemos esperar que sejamos todos 'neuróticos' dessa maneira" (pp. 60-63).

O autor volta-se para outro traço do comportamento humano estritamente relacionado com os valores religiosos:

"Uma Vida sem Valores

Interessante verificar que os dados que relacionam o compromisso religioso com o bem-estar mental são refletidos com crescente evidência por uma avassaladora relação entre conduta lasciva e vida infeliz, ou aquilo que podemos chamar; em uma linguagem mais franca, pecado e angústia. Um dos exemplos mais notáveis vem de "The New Harvard Guide to Psychiatry" (que não é um texto religioso), publicado em 1988. Em um capítulo sobre adolescentes, o editor, professor psiquiatra da Escola Médica de Harvard, colocou em pormenores algumas das conseqüências perniciosas, sobre a psicologia e a saúde, da revolução sexual e da promiscuidade entre os jovens dos anos sessenta, setenta e oitenta:

'Muitos dos que trabalharam com adolescentes durante a última década têm percebido que a liberdade sexual não tem levado, de forma alguma, a maiores prazeres ou a relações mais consistentes entre os sexos, ou a uma libertação estimulante das inibições asfixiantes. A experiência clínica tem mostrado que a permissividade leva, com freqüência, a relacionamentos vazios, a um sentimento de desrespeito a si próprio e inutilidade, epidemia de doenças venéreas, um rápido aumento dos índices de gravidez não desejada. Os clínicos que trabalham com estudantes de Faculdades começaram a comentar esses efeitos já há vinte anos. Notaram que os estudantes que se encontravam dentro dessa nova liberdade sexual achavam-na insatisfatória e sem sentido... Um estudo mais recente com estudantes normais de Faculdades (que não se encontram sob os cuidados de um psiquiatra) revelou que, embora seu comportamento sexual de modo geral parecesse uma tentativa desesperada de superar um sentimento profundo de solidão, descreveram seus relacionamentos sexuais como menos do que satisfatórios e proporcionando pouco da proximidade emocional que desejavam... descreveram sentimentos difusos de culpa e a preocupação de que estivessem usando outras pessoas e também sendo utilizados como objetos sexuais'" (pp. 63s).

Mais adiante conclui o autor:

"A psicologia moderna no final do século XX, longe de substituir a religião, parece reconciliar-se com ela - importando para dentro da teoria psicológica muitas das idéias religiosas e categorias morais que haviam sido banidas como vestígios de uma visão do mundo obsoleta e não científica. Claro que existiu sempre um elemento alternativo de raciocínio entre os teóricos da psicologia bem menos hostil à religião do que Freud era. As diferenças entre Jung e seu antigo mentor a respeito desse tema são bem conhecidas. 'Dentre todos os meus pacientes na segunda metade da minha vida', observou Jung em 1932, '...não houve nenhum cujo problema, em último recurso, não fosse encontrar uma perspectiva religiosa para a vida. É seguro dizer que cada um deles se sentia doente por ter perdido aquilo que as religiões vivas de cada era têm dado a seus seguidores e nenhum deles curou-se de verdade sem ter recuperado sua perspectiva religiosa'. Jung exerceu papel indireto na criação dos Alcoólicos Anónimos, entre os quais o reconhecimento de um 'Poder Superior' forma um alicerce central do mais famoso tratamento de êxito para o alcoolismo. Frich Fromm era um agnóstico, com uma visão bem menos crítica da religião, que absorveu importantes conceitos religiosos em sua teoria da personalidade - em especial, a idéia do ágape ou do amor incondicional, no Novo Testamento. Viktor Frankl, sobrevivente de Auschwitz, formulou uma marca registrada de terapia existencial que incorporava os conceitos espirituais na terapia, por meio de um estilo exclusivo. Seu livro "Man 's Search for Meaning" foi um dos mais populares do século. Durante os anos setenta, Abraham Maslow foi o pioneiro da investigação psicológica das experiências místicas ou 'de pico' - tratando-as não como instâncias de um 'narcisismo primário', como Freud teria feito, mas como manifestações de uma forma superior de consciência" (pp. 66s).

E ainda a respeito da psicanálise freudiana:

"Um número crescente de psicólogos e psiquiatras começa a reconhecer os dados que mostram o forte elo positivo entre o compromisso religioso e a saúde mental. 'Enquanto Freud repudiava a religião, julgando-a algo pouco mais do que uma ilusão neurótica, o critério que está surgindo na psicologia é que pelo menos algumas variedades de experiência religiosa se mostram benéficas à saúde mental', publicou em 1991 o New York Tímes. 'O resultado é que um número crescente de psicólogos está descobrindo a religião, se não em sua vida particular, pelo menos em seus dados. O que antes, na melhor das hipóteses, era um tópico que não se adaptava à psicologia, renasceu como uma evidência respeitável para a pesquisa cientifica'.

Paralelamente a esses desenvolvimentos, surgiu uma modificação institucional. O uso da psicanálise tradicional encontra-se em declínio, em parte pela redução na confiança de sua eficiência, em parte porque os seguradores ficaram menos dispostos a pagar pelos tratamentos demorados que acarretam. Enquanto isso, uma das maiores fontes de desenvolvimento na indústria da saúde mental surgiu nos assim chamados Conselhos Cristãos das Congregações - patrocinados pela Igreja e com uma orientação religiosa; esses centros de conselho misturam explicitamente técnicas da psicoterapia secular aos temas religiosos. Uma das maiores organizações que oferecem terapia com orientação religiosa, a "New Life" atua hoje em setenta clínicas em cinqüenta cidades dos Estados Unidos. A Associação Norte-Americana de Consultores Cristãos, uma organização formada por terapeutas, em sua maioria protestantes, passou de 751 membros em 1991 para mais de 14.000 em 1995. 'Alguns dos maiores entusiastas defendem que o Conselho seja dirigido de modo espiritual', escreve o psicólogo Lewis Andres; 'São médicos e executivos de seguradoras que acreditam no poder da fé para ajudar muitos pacientes a lidar com doenças que ameaçam sua vida'.

Em resumo, a preocupação do meio do século XX de que a psicologia moderna suplantaria a religião não vingou" (p. 68).

3. A Fé e os Médicos

O capítulo 3º do livro tem o título acima. Aborda as relações entre fé e saúde física e psíquica. São palavras de P. Glynn:

"Conectados pela Oração

Algumas das descobertas mais interessantes que surgiram desta nova pesquisa estão relacionadas com os benefícios da oração. Claro que a oração não tem lugar no paradigma freudiano. De modo geral, não se trata de algo que tem seu lugar no consultório do médico moderno...

Contudo, os dados mostram que a oração desempenha função importante na vida da vasta maioria dos norte-americanos. Diversas pesquisas de opinião pública indicaram que mais de 90% das mulheres e 85% dos homens fazem orações. Mais de três quartos dos norte-americanos fazem orações pelo menos uma vez por semana, e cerca de 60%, uma vez ao dia. De modo paradoxal, mesmo entre os 13% da população que se descreve como ateísta ou agnóstica, uma entre cinco pessoas afirmaram rezar diariamente. E em uma pesquisa do Gallup, patrocinada pela "Time", 95% responderam 'sim' à seguinte pergunta: 'Suas orações já foram atendidas alguma vez?'

Será que nós, os 95% de norte-americanos que acreditam que alguma vez nossas preces foram atendidas, estamos sofrendo de alucinação coletiva? Em caso afirmativo, a pesquisa médica mostra que isso é uma das mais benéficas alucinações que uma pessoa possa ter. A oração vem produzindo benefícios enormes, tanto em escala macroscópica quanto microscópica. Ou seja, as pesquisas de opinião mostram, de maneira consistente, uma sólida relação entre a oração frequente e o bem-estar relatado pelas pessoas. E a pesquisa de laboratório revelou uma conexão entre determinados estados meditativos ou de devoção e os melhoramentos nos indicadores fisiológicos e na saúde geral" (pp. 77s).

O capítulo 4º do livro, intitulado "Insinuações de Imortalidade", trata dos relatos de pessoas que estiveram em coma profundo e recuperaram lucidez de mente. Tal assunto já foi abordado em PR 447/1999, pp. 367-375; os relatos atestam que os pacientes entrevistados acreditam numa vida póstuma e a imaginam suave e feliz; todavia não se pode, por causa disso, dizer que o além é precisamente aquilo que tais pacientes descreveram; é, antes, o indizível.

4. Conclusão

O livro de Patrick Glynn demonstra que o elemento religioso não é algo de acidental ou momentâneo para o ser humano, mas é um fator constitutivo ou integrante de qualquer personalidade. O capítulo 1º do livro vem corroborar, em termos de ciência moderna, a quinta via de S. Tomás de Aquino, que, para provar a existência de Deus, parte da ordem existente no universo. Os demais capítulos reforçam o argumento antropológico, que se fundamenta na estrutura e nas aspirações inatas do psiquismo humano. Ver nosso Curso de Filosofia, Módulos 43, 44 e 45.

A obra de P. Glynn vem a ser um marco na história do pensamento, pois dissipa muitos preconceitos nocivos à cultura humana. "Por 150 anos, os cientistas mantiveram-se presos ao estreito paradigma ateístico, mas em quatro áreas significativas tal paradigma está-se partindo como gelo na primavera" (Michael Novak, nas orelhas do livro).

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12 Re: As evidências da existência de Deus em Ter Jan 12, 2010 3:13 am

VOCÊ PODE PROVAR QUE DEUS EXISTE?

http://www.apologia.com.br/?p=20&cp=14

Peter Kreeft, Ph.D.

Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto*

Antes de responder essa questão, devemos distinguir cinco questões que são freqüentemente confundidas.

Primeiro, existe a questão de se algo existe ou não. Uma coisa pode existir, quer a conheçamos ou não.
Segundo, existe a questão de se sabemos ou não que esse algo existe. (Responder essa questão afirmativamente é pressupor que a primeira questão foi respondida afirmativamente, sem dúvida; embora uma coisa possa existir sem o nosso conhecimento dela, não podemos conhecê-la a menos que ela exista).
Terceiro, existe a questão de se temos uma razão ou não para o nosso conhecimento. Podemos conhecer algumas coisas sem sermos capazes de levar outros a esse conhecimento mediante razões. Muitos cristãos pensam que a existência de Deus é assim.
Quarto, existe a questão de se essa razão, se existe, equivale a uma prova. A maioria das razões não equivalem. A maioria das razões que damos para o que cremos equivalem a probabilidades, não provas. Por exemplo, o edifício no qual você está pode desmoronar num minuto, mas a confiabilidade do empreiteiro e os materiais de construção são uma boa razão para pensar que isso é muito improvável.
Quinto, se existe uma prova, ela é uma prova científica, uma prova pelo método científico, isto é, por experimento, observação e mensuração? Provas filosóficas podem ser boas provas, mas elas não precisam ser provas científicas.
Creio que podemos responder “sim” às quatro primeiras dessas questões sobre a existência de Deus, mas não à quinta. Deus existe, podemos saber isso, podemos dar razões, e essas razões equivalem à prova, mas não prova científica, exceto no sentido extraordinariamente amplo.

Existem muitos argumentos para a existência de Deus, mas a maioria deles têm a mesma estrutura lógica, que é a estrutura básica de qualquer argumento dedutivo. Primeiro, existe uma premissa maior, ou princípio geral. Então, uma premissa menor declara algum dado particular em nossa experiência que se encontra sob esse princípio. Finalmente, a conclusão segue ao aplicarmos o princípio geral ao caso particular.

Em cada caso a conclusão é que Deus existe, mas as premissas dos diferentes argumentos são diferentes. Os argumentos são como estradas, de pontos de partida diferentes, mas todas apontando para o mesmo destino: Deus.

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13 Re: As evidências da existência de Deus em Qui Jul 22, 2010 4:55 pm


Deus Existe? O artigo seguinte oferece razões diretas e realistas para se acreditar em Deus...

http://www.suaescolha.com/destaque/Deusexiste.html

Por Marilyn Adamson

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Pelo menos uma vez na vida, você não adoraria que alguém simplesmente lhe mostrasse a prova da existência de Deus? Sem quebra-de-braço, sem afirmações como: "Você tem que acreditar". Bem, tentaremos apresentar aqui algumas das razões que sugerem a existência de Deus.

Mas, considere que, se alguém se opõe radicalmente à possibilidade de Deus existir, então qualquer prova ou explicação apresentada aqui poderá ser imediatamente refutada. Ou seja, isso seria como se uma pessoa se recusasse a acreditar que o homem andou na lua. Nenhuma informação, por melhor que fosse, iria mudar o seu modo de pensar. Imagens via satélite de homens andando na lua, entrevistas com os astronautas, pedras lunares... todas as provas seriam sem valor porque a pessoa já concluiu que o homem não pode ir à lua.

Quanto à existência de Deus, a Bíblia diz que há pessoas que têm prova suficiente de que Ele existe, mas encobrem essa verdade.1 Por outro lado, há aquelas que querem saber se Deus existe; a essas Ele diz: "Vocês me procurarão e me acharão quando me procurarem de todo coração. Eu me deixarei ser encontrado por vocês..."2 Antes que você olhe para os fatos relacionados à existência de Deus, pergunte-se: "Se Deus realmente existe, eu gostaria de conhecê-lo?".

1. Deus Existe? Durante a história, em todas as culturas do mundo, as pessoas vêm sendo convencidas de que há um Deus.

Podemos dizer, com algum grau de confiança, que todas essas pessoas estiveram ou estão erradas? Bilhões de pessoas, que representam diversos compostos sociológicos, intelectuais, emocionais, educacionais etc., todas chegaram à mesma conclusão de que há um Criador, um Deus para ser adorado:

Pesquisas antropológicas atuais indicam que entre os povos primitivos mais distantes e remotos, existe uma crença universal em Deus. E, nas primeiras lendas e histórias dos povos de todo o mundo, o conceito original era de um único Deus, o qual foi o Criador. Um Deus altíssimo e original parece ter, uma vez, estado em suas consciências, mesmo naquelas sociedades que hoje se apresentam politeístas.3

2. Deus Existe? A complexidade do nosso planeta aponta para um Desenhista, que, intencionalmente, não apenas criou nosso universo, mas também o sustenta hoje.

Poderiam ser dados muitos exemplos mostrando o desenho que Deus fez da criação, e, possivelmente, não chegaríamos ao fim desse desenho. Mas aqui estão alguns traços dele:

A Terra... seu tamanho é perfeito. O tamanho da Terra e a sua gravidade correspondente seguram uma camada fina de gases nitrogênio e oxigênio que se estendem, em sua maioria, até uns 80 quilômetros desde a superfície da Terra. Se a Terra fosse menor, a existência de uma atmosfera seria impossível, como ocorre no planeta Mercúrio. Se a Terra fosse maior, sua atmosfera conteria hidrogênios livres, como em Júpiter.4 A Terra é o único planeta conhecido que é provido de uma atmosfera com a mistura na medida exata de gases para sustentar vida humana, animal e vegetal.

A Terra localiza-se na distância exata do sol. Pense nas variações de temperatura que enfrentamos, aproximadamente entre -34.4 a + 48.9 graus. Se a Terra fosse um pouco mais distante do sol, nós todos congelaríamos. Um pouco mais perto e nós nos queimaríamos. Até mesmo uma variação fracionária da posição da Terra em direção ao sol tornaria a vida impossível no planeta. A Terra mantém sua distância perfeita do sol enquanto gira em torno dele numa velocidade de aproximadamente 107.825 kph. Também gira em torno de seu próprio eixo, permitindo que toda a superfície seja apropriadamente aquecida e refrescada todos os dias.

Nossa lua tem o tamanho perfeito e está à distância exata da Terra por causa da força da gravidade. A lua cria movimentos importantes nas marés para que as águas não estagnem e ainda impede que os nossos oceanos massivos não inundem os continentes.5

Água... incolor, inodora e insípida e ainda assim nenhum ser vivente pode sobreviver sem ela. Plantas, animais e seres humanos consistem, na sua maioria, de água (cerca de dois terços do corpo humano é composto por água). Você verá porque as características da água são tão particularmente apropriadas para a vida:

A água possui pontos máximos de fervura e de congelamento incomuns, nos permitindo viver em um ambiente com temperaturas variantes, enquanto mantém nossos corpos em temperatura constante de 37 graus.

A água é o solvente universal. Pegue um copo cheio d'água e adicione uma colher de açúcar e nada vai transbordar; a água simplesmente absorve o açúcar. Essa propriedade da água significa que milhares de produtos químicos, minerais e nutrientes podem ser carregados pelo nosso corpo todo e até dentro de vasos sangüíneos minúsculos.6

A água também não apresenta mudanças químicas. Sem afetar o composto das substâncias que carrega, a água permite que comidas, remédios e minerais sejam absorvidos e usados pelo organismo.

A água apresenta uma tensão de superfície única, pois, nas plantas, ela pode subir contra a ação da gravidade, trazendo nutrientes vivificantes até o topo da árvore mais alta.

A água congela de cima para baixo, formando uma crosta que flutua; assim, os peixes podem viver no inverno.

Noventa e sete por cento da água da Terra encontram-se nos oceanos. Mas, em nosso planeta, existe um sistema que retira o sal da água e a distribui para todo o globo. É o processo de evaporação, que absorve as águas do oceano, deixando para trás o sal; depois forma nuvens que são facilmente levadas pelo vento a fim de dispersar, pela chuva, a água sobre a vegetação, animais e pessoas. Esse sistema purifica e recicla os recursos hídricos do planeta, para sustentar a vida aqui.7

O cérebro humano... processa simultaneamente uma quantidade incrível de informações. O cérebro reconhece todas as cores e objetos que você vê; assimila a temperatura à sua volta; a pressão de seus pés contra o chão; os sons ao seu redor; o quão seca sua boca está e até a textura deste artigo em suas mãos. O seu cérebro registra respostas emocionais, pensamentos e lembranças. Ao mesmo tempo, seu cérebro não perde a percepção e o comando dos movimentos ocorrentes em seu corpo, como o padrão de respiração, o movimento da pálpebra, a fome e o movimento dos músculos das suas mãos.

O cérebro humano processa mais de um milhão de mensagens por segundo.8 Ele avalia a importância de todos esses dados, filtrando o que é relativamente sem importância; um processo de seleção que lhe permite interagir com o ambiente em que você se encontra e se desenvolver de modo eficaz nele...

O cérebro é algo que lida com mais de um milhão de informações por segundo, enquanto avalia as mais importantes, permitindo que o homem aja somente com as mais relevantes... Podemos mesmo dizer que esse tão órgão fascinante foi criado pelo mero acaso?

Quando a NASA lança um foguete espacial, sabemos que não foi um macaco que planejou o lançamento, e sim mentes inteligentes e instruídas. Como explicar a existência do cérebro humano? Apenas uma mente mais inteligente e instruída do que a humanidade poderia tê-lo criado.

3. Deus Existe? Mero "acaso" não é uma explicação adequada.

Imagine-se olhando para o Monte Rushmore, onde se encontram talhados os semblantes de Washington, Jefferson, Lincoln e Theodore Roosevelt. Você poderia acreditar que eles foram criados por acaso? Mesmo com a ação do tempo, vento, chuva e acaso, ainda fica difícil acreditar que algo como aquilo, ligado à história, tenha sido formado na montanha a esmo. O bom senso nos diz que pessoas planejaram e, talentosamente, talharam aquelas imagens.

Este artigo apenas toca em poucos aspectos maravilhosos do nosso mundo: a posição da Terra em relação ao sol; algumas propriedades da água; um órgão do corpo humano. Alguma dessas coisas poderia ter sido criada por acaso?

O distinto astrônomo, Sir Frederick Hoyle, mostrou como os aminoácidos, juntando-se a uma célula humana, são, matematicamente, um absurdo. Sir Hoyle ilustrou a fraqueza do "acaso" com a seguinte analogia. "Qual é a chance de um tornado soprar sobre um ferro-velho que contém todas as peças de um boing 747; montá-lo por acidente e deixá-lo pronto para decolar? A possibilidade é tão ínfima a ponto de ser negligenciada, ainda que um tornado soprasse sobre ferros-velhos suficientes para encher todo o universo!"9

Quando se pensa sobre a complexidade da vida e do universo, é lógico pensar que um Criador inteligente e amoroso nos forneceu tudo que precisamos para viver. A Bíblia apresenta Deus como sendo o Criador e aquele que sustenta a vida.

4. Deus Existe? A noção de certo e errado inerente à espécie humana não pode ser explicada de modo biológico.

Sempre emerge de dentro de todos nós, vindos de qualquer cultura, o sentimento de certo e errado. Até mesmo um ladrão se sente frustrado e mal tratado quando alguém o rouba. Se alguém rapta uma criança da família e a violenta sexualmente, há uma revolta e raiva que confrontam aquele ato como maléfico, independente da cultura. De onde vem essa noção de errado? Como explicamos uma lei universal na consciência de todas as pessoas, que diz que assassinato por diversão é errado?

Em áreas como coragem, morrer por uma causa, amor, dignidade, dever e compaixão; de onde vem isso tudo? Se as pessoas são meros produtos da evolução física, "sobrevivência do mais forte", por que nos sacrificamos uns pelos outros? De onde herdamos essa noção interior de certo e errado? A nossa consciência pode ser mais bem explicada por um Criador amoroso que se importa com nossas decisões e a harmonia da humanidade.

5. Deus Existe? Deus não apenas Se revelou no que pode ser observado na natureza, e na vida humana, mas Ele se mostrou mais especificamente na Bíblia.

Os pensamentos de Deus, personalidade e atitudes podem ser conhecidos somente se Deus resolve revelá-los. Tudo mais seria especulação humana. Nós perderíamos muito se Deus não quisesse ser conhecido. Mas Deus quer que o conheçamos e nos contou na Bíblia tudo o que precisamos saber sobre Seu caráter e como nos relacionarmos com Ele. Isto torna a fidedignidade da Bíblia algo de importância.

As descobertas arqueológicas continuam confirmando, ao invés de refutarem, a precisão da Bíblia. Por exemplo, uma descoberta arqueológica no nordeste de Israel, em 1993, confirmou a existência do Rei Davi, autor dos muitos Salmos na Bíblia.10 Os pergaminhos do Mar Morto, e outras descobertas arqueológicas, continuam a provar, de modo substancial, a precisão histórica da Bíblia.

A Bíblia foi escrita em um período de mais de 1.500 anos, por mais de 40 autores diferentes, em diferentes locais e em continentes separados, escrita em 3 línguas diferentes, falando sobre questões diversas, em diferentes pontos da história.11 Ainda assim exite uma consistência incrível em sua mensagem. A mesma mensagem aparece por toda a Bíblia:

Deus criou o mundo em que vivemos e nos criou especificamente para termos um relacionamento com Ele;
Ele nos ama profundamente;
Ele é santo e conseqüentemente não pode ter um relacionamento com pessoas pecadoras;
Deus nos deu um caminho para nossos pecados serem perdoados;
Ele nos pede para que aceitemos o Seu perdão e que tenhamos um relacionamento com Ele que durará toda a eternidade.
Além desse roteiro central, a Bíblia nos revela, de modo específico, o caráter de Deus. O Salmo 145 é um resumo típico da personalidade, pensamentos e sentimentos de Deus por nós. Se você quiser conhecer Deus, aqui está Ele.

6. Jesus Cristo é a imagem mais clara e específica de Deus, diferente de outras revelações dEle.

Por que Jesus? Veja que em todas as outras principais religiões do mundo, você constatará que Buda, Maomé, Confúcio e Moisés se apresentam como mestres ou profetas; nenhum deles disse ser igual a Deus. Surpreendentemente, Jesus disse. E é nisto que Jesus se distingue de todos os outros. Jesus disse que Deus existe e que você estava olhando para o próprio Deus ao contemplá-lo. Apesar de Ele falar de Deus como Seu Pai Celestial, não era da perspectiva de separação, mas de uma união bem chegada, única para toda a espécie humana. Jesus falou que todo aquele que O tinha visto, tinha visto o Pai; todo aquele que acreditasse nEle, acreditaria no Pai.

Ele disse: "Eu sou a luz do mundo. Quem me segue, nunca andará em trevas, mas terá a luz da vida".12 Ele disse ter atributos pertencentes somente a Deus: ser capaz de perdoar as pessoas de seus pecados; libertá-las de hábitos pecaminosos; dar às pessoas uma vida mais abundante, dando-lhes, no céu, vida eterna. Diferente de outros mestres que faziam as pessoas se focarem nas palavras deles, Jesus faz as pessoas seguirem a Ele mesmo. Ele não disse: "sigam as minhas palavras e vocês encontrarão a verdade". Ele disse: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai a não ser por mim".13

Quais as provas que Jesus deu para dizer que era divino? E os pensamentos, expectativas e sentimentos de Deus pela raça humana? Ele fez o que as pessoas não podem fazer. Jesus fez milagres. Ele curou as pessoas: cegos, aleijados, surdos e até fez alguns viverem depois de estarem mortos. Ele teve poder sobre objetos: criou comida praticamente do nada; o suficiente para alimentar uma multidão de milhares de pessoas. Ele fez milagres na natureza: andou sobre um lago, ordenou uma tempestade em fúria parar por causa de uns amigos. Pessoas de todos os lados seguiam Jesus, porque ele sempre ia ao encontro de suas necessidades fazendo algo miraculoso. Ele disse: "Creiam em mim quando digo que estou no Pai e que o Pai está em mim; ou pelo menos creiam por causa das mesmas obras".14

O que Jesus revelou da personalidade de Deus? O que Ele nos mostrou sobre os pensamentos, expectativas e sentimentos de Deus pela raça humana? Jesus Cristo mostrou que Deus é gentil, amoroso, consciente do nosso egoísmo e defeitos e ainda assim quer ter um relacionamento conosco. Jesus revelou que, apesar de Deus nos ver como pecadores merecedores da Sua punição, Seu amor por nós venceu. Jesus mostrou que Deus propôs um plano diferente, fazendo com que o seu Filho recebesse a punição por nossos pecados. Jesus aceitou esse plano de livre e espontânea vontade.

Jesus foi torturado com um chicote de nove pontas afiadas. Uma "coroa" de espinhos de cinco centímetros cada foi colada em volta de sua cabeça. Prenderam-no em uma cruz, marretando pregos em Suas mãos e pés até a madeira. Tendo feito tantos milagres, esses pregos não O prenderam na cruz; o Seu amor por nós, sim. Jesus morreu em nosso lugar para que pudéssemos ser perdoados. Dentre todas as religiões conhecidas pela humanidade, apenas através de Jesus você verá Deus estendendo Suas mãos para os homens. Dando-nos uma maneira de termos um relacionamento com Ele, Jesus prova que há um coração divino que nos ama, indo ao encontro das nossas necessidades e nos aproximando dEle. Por causa da morte de Jesus, podemos ser perdoados, aceitos completamente por Deus e amados de forma genuína por Ele. Deus diz: "Eu a amei com amor eterno; com amor leal a atrai."15 Esse é Deus em ação!

A prova mais conclusiva de que Jesus é igual a Deus é o milagre mais esquadrinhado de Jesus - Sua própria ressurreição de dentre os mortos. Jesus disse que três dias depois de ser enterrado, Ele voltaria a viver. No terceiro dia depois de Sua crucificação, a pedra de quase duas toneladas que estava na frente do Seu túmulo tinha sido jogada para uma ribanceira.16 A guarda de bem treinados soldados romanos viu uma luz cegante e um anjo. O túmulo estava vazio, exceto pelos panos de enterro que haviam sido enrolados no corpo de Jesus. Durante todos esses anos, análises legais, históricas e lógicas vêm sendo aplicadas à ressurreição de Jesus e a única conclusão possível até agora é a de que Jesus voltou de dentre os mortos.

Deus existe? Se você quer saber, investigue sobre Jesus Cristo. Ele mesmo falou: "Pois Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna."17

Você quer começar um relacionamento com Deus e realmente saber se é aceito por Ele?

Essa é uma decisão sua, não há coerção aqui. Mas se você quer ser perdoado por Deus e vir a ter um relacionamento com Ele, você pode fazer isso agora mesmo, pedindo-lhe perdão e convidando-O para entrar em sua vida. Jesus disse: "Eis que estou à porta [do seu coração] e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei..."18 Se você quiser assim fazer, mas não sabe muito bem como colocar em palavras, isto pode ajudar: "Jesus, obrigado por morrer por meus pecados. Você conhece a minha vida e sabe que preciso ser perdoado. Eu peço para que me perdoe agora mesmo e peço que entre em minha vida. Obrigado por querer ter um relacionamento comigo. Amém."

Deus vê seu relacionamento com Ele como algo permanente. Referindo-se a todos que nEle acreditam, Jesus disse: "As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna, e elas jamais perecerão; ninguém as poderá arrancar da minha mão.19

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