Evidências de Deus , uma fé racional

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Algumas perguntas e respostas

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1 Algumas perguntas e respostas em Qui Set 23, 2010 10:25 pm

Algumas perguntas e respostas

http://www.freewebs.com/kienitz/resp.htm#perg6aa

O que é fé?
O que é ciência?
Ciência e fé excluem-se mutuamente?
Por que há pessoas que dizem que "ciência e fé são incompatíveis"?
Existem evidências científicas que provam a existência de Deus?
Como posso me informar sobre a fé cristã?
Como posso ter certeza da existência de Deus e conhecê-lo?
O que se pode obter com a fé cristã?
O exclusivismo cristão ameaça a diversidade cultural e a tolerância?
A Bíblia é digna de crédito? Como foi escrita?
O ensino da Bíblia é compatível com a atividade científica?
Os cristãos da Idade Média acreditavam que a terra é plana?
A condenação de Galileu pela Igreja Católica prova que fé e ciência são incompatíveis?
A "teoria da evolução" demonstrou que a Bíblia está errada?
Quais as principais objeções à "teoria da evolução"?
O que é fé?

"A fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos." Esta definição é dada na Bíblia. Fé está presente no cotidiano de cada ser humano. Pode-se enumerar muitos exemplos de fé: a confiança que depositamos num amigo ou numa instituição, a certeza de que seremos capazes de vencer alguma etapa especial da vida, etc. A fé no Deus da Bíblia é exemplo de uma fé especialmente valiosa. Ela não é uma compilação de opiniões aceitas sem demonstração. Consiste de confiança e resulta em manifestações observáveis. A Bíblia explica isto da seguinte forma. "Sem fé ninguém pode agradar a Deus, porque quem vai a ele precisa crer que ele existe e que recompensa os que procuram conhecê-lo melhor. É pela fé que entendemos que o Universo foi criado pela palavra de Deus e que aquilo que pode ser visto foi feito daquilo que não se vê. Foi pela fé que as pessoas do passado conseguiram a aprovação de Deus. ... Pela fé eles lutaram contra nações inteiras e venceram. Fizeram o que era certo e receberam o que Deus lhes havia prometido. Apagaram incêndios terríveis e escaparam de serem mortos à espada. Eram fracos, mas se tornaram fortes. Foram poderosos na guerra e venceram exércitos estrangeiros. ... Nós temos essa grande multidão de testemunhas ao nosso redor. Portanto, deixemos de lado tudo o que nos atrapalha e o pecado que se agarra firmemente em nós e continuemos a correr, sem desanimar, a corrida marcada para nós. Conservemos os nossos olhos fixos em Jesus, pois é por meio dele que a nossa fé começa, e é ele quem a aperfeiçoa." (textos bíblicos citados da Bíblia na Linguagem de Hoje, Sociedade Bíblica do Brasil)

O que é ciência?

Ciência é o conhecimento ou um sistema de conhecimentos que abarca verdades gerais ou a operação de leis gerais identificadas e testadas através do método científico. Com alguma frequência o método científico é confundido com a formulação de hipóteses e explicações plausíveis. Mas o método científico é um conjunto de regras básicas para o desenvolvimento de experimentos, verificações e testes a fim de produzir conhecimento, bem como corrigir e integrar conhecimentos pré-existentes. É baseado no uso da razão para juntar evidências observáveis, empíricas e mensuráveis. Embora procedimentos variem de uma área da ciência para outra, consegue-se determinar certos elementos que diferenciam o método científico de outros métodos. Primeiramente o cientista propõe hipóteses para explicar certo fenômeno ou observação de interesse. Baseado em suas hipóteses, o cientista faz previsões e então desenvolve experimentos e verificações para testar suas previsões. Previsões não confirmadas levam à rejeição das hipóteses. Hipóteses não rejeitadas eventualmente podem ser consolidadas em teorias. Toda hipótese ou teoria deve necessariamente permitir a formulação de previsões e permanece constantemente sujeita a novos testes, podendo ser refutada à luz de nova informação experimental. Todo o processo precisa ser objetivo, para que o cientista seja imparcial na interpretação dos resultados. Outra expectativa básica do método científico é que todo o procedimento precisa ser documentado, tanto os dados quanto os procedimentos, para que outros cientistas possam analisá-los e reproduzi-los.

A função do cientista e da ciência é explicada por John Polkinghorne da seguinte forma: "Os cientistas são fabricantes de mapas do mundo físico. Nenhum mapa nos diz tudo o que poderia ser dito sobre um terreno particular, mas em uma determinada escala pode fielmente representar a estrutura existente. No sentido de uma verosimilitude crescente, de aproximações cada vez melhores da verdade sobre a matéria, a ciência nos proporciona um domínio cada vez mais firme da realidade física." (de Faith, science and understanding, Yale University Press, 2001)

Ciência e fé excluem-se mutuamente?

Das definições dadas acima fica claro que ciência e fé não se excluem mutuamente.

Por que há pessoas que dizem que "ciência e fé são incompatíveis"?

Porque tais pessoas:

não possuem conceitos consistentes de fé e ciência, ou
possuem motivos ideológicos para dogmatizar uma incompatibilidade entre fé e ciência que de fato não existe. Como exemplos pode-se citar Bertrand Russell e Richard Dawkins. Em seus livros Religion and science e Why I am not a Christian o filósofo e matemático Bertrand Russell lista estultícias cometidas em nome da religião, faz generalizações ousadas e apresenta paródias de certos aspectos da religião, mas evita a confrontação com a fé bíblica. Arranca alguns ditos de Jesus do contexto e, na maioria das vezes, restringe-se a atirar em alvos irreais, sendo notável a ausência de uma discussão equilibrada. A ideologia de Bertrand Russell é bem conhecida. Já o biólogo e escritor Richard Dawkins, no seu livro mais vendido, The God Delusion, esforça-se para ridicularizar e insultar a fé cristã usando argumentos filosóficos que "seriam avaliados com nota insuficiente numa classe de filosofia do segundo ano da faculdade." Leia aqui o comentário completo de um dos principais professores de filosofia da atualidade, Alvin Plantinga, da Universidade de Notre-Dame.
Existem evidências científicas que provam a existência de Deus?

Existem evidências científicas que apontam para a existência de um Criador. A página Internet Fomos Planejados, de autoria de Marcos N. Eberlin, membro da Academia Brasileira de Ciências e professor de Química da Unicamp, apresenta e discute muitas destas evidências.

Adicionalmente, evidências históricas, argumentos filosóficos e teológicos mostram ser mais razoável admitir a existência de Deus do que negá-la. Muitas publicações apresentam e discutem tais evidências e argumentos, por exemplo:

W.L. Craig - "Deus não está morto ainda", tradução do artigo "God Is Not Dead Yet," Christianity Today, julho de 2008, pp. 22-27.
W.L. Craig - Reasonable faith, Edição Revisada, Crossway Books, 1994.
W.L. Craig - "The existence of God and the beginning of the universe", Truth Journal (online), atualizado em 14.7.2002.
P. Glynn - Deus, a evidência, Editora Madras, 1998.
P. Kreeft e R.K. Tacelli - "Twenty arguments for the existence of God", In: P. Kreeft e R.K. Tacelli, Handbook of Christian apologetics, InterVarsity Press, 1994.
A. Plantinga - Two dozen (or so) theistic arguments. Este documento contém notas de aula distribuídas por Alvin Plantinga por ocasião do NEH (National Endowment for the Humanities) Institute in Philosophy of Religion, um evento realizado em 1986.
No entanto deve-se lembrar sempre que evidências possuem valor circunstancial e argumentos filosóficos e teológicos são objeto de debates acalorados. Crer em Deus ou crer na inexistência de Deus são e continuarão sendo posições de fé.
Como posso me informar sobre a fé cristã?

Através da leitura e do estudo da Bíblia obtém-se informações de primeira mão sobre a fé cristã. Também é muito informativa a leitura do seguinte livro de C. S. Lewis, um dos grandes professores de literatura da Universidade de Cambridge:

C.S.Lewis – Cristianismo puro e simples, Martins Fontes, 2005. (clique aqui para localizar este livro na editora)
Conversas com amigos cristãos de sua confiança e que conhecem a Bíblia são possibilidades adicionais para informar-se.

Como posso ter certeza da existência de Deus e conhecê-lo?

A Bíblia diz que podemos ter certeza da existência de Deus e conhecê-lo pela fé, através de um relacionamento pessoal com ele. O texto bíblico explica que tal relacionamento é possível a todos, começando com uma decisão pessoal de confiar em Jesus como Salvador: "todos quantos receberam a Jesus deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus. Bastava confiarem nele como Salvador. Esses nascem de novo; não no corpo nem de geração humana, mas pela vontade de Deus" (texto citado de acordo com a tradução O livro, Sociedade Bíblica Internacional). Informações adicionais sobre um relacionamento pessoal com Deus podem ser encontradas, por exemplo, no site Conhecer Deus.

O que se pode obter com a fé cristã?

Quero citar os dois itens mais importantes:

O primeiro é um relacionamento com o Criador, um relacionamento que proporciona segurança e sentido existencial. Blaise Pascal constatou que há no coração de cada ser humano "um vazio dado por Deus, que somente Ele pode preencher através de seu filho Jesus Cristo." Seu preenchimento produz nova vida e uma perspectiva transformada, pois "a todos quantos o receberam, aos que creem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus." Jesus colocou esta possibilidade de forma exclusivista: "Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim." É Sua graça que resulta na "confiança em que Deus me será fiel em qualquer situação da vida, e em que Ele é o garantidor e o fundamento da minha vida, de forma que minha vida não mais poderá perder seu sentido." (Helmut Thielicke, 1908-1986, ex-reitor da Universidade de Hamburgo)

O segundo é um relacionamento sustentável com a criação. Há evidências abundantes de que a interação do homem com a criação, inclusive o desenvolvimento e uso de ciência e tecnologia, é insustentável na ausência de valores, atitudes e comportamentos adequados. Os ensinamentos e o exemplo de vida de Jesus caracterizam-se pela preocupação com o próximo, disposição ao serviço, rejeição da discriminação de pessoas, e rejeição da apropriação indevida de qualquer tipo. Desses resulta um estilo de vida sustentável que contrasta fortemente com o individualismo hedonista, opção comum nas sociedades de consumo ocidentais. Infelizmente um estilo de vida cristão não tem sido praticado por muitos que se consideram cristãos.
O exclusivismo cristão ameaça a diversidade cultural e a tolerância?

Não. O exclusivismo cristão provém do compromisso com a verdade. Se for entendido consequentemente, leva indivíduos falíveis a viverem, dentro das suas respectivas culturas, uma vida orientada pelos ensinamentos e pelo exemplo de Jesus, opondo-se a orgulho, egocentrismo, violência, injustiça e desigualdade, se necessário com a afirmação construtiva e não-violenta de valores. Isto coíbe a intolerância e a discriminação de costumes, crenças e práticas diferentes pois o valor das pessoas que por elas se decidiram é plenamente reconhecido. Assim um cristianismo consequente favorece o pluralismo cultural por destruir pretensões absolutas de instituições e valores nacionais, étnicos ou sociais, liberando muitos deles para serem o que realmente representam: admiráveis, valiosas e finitas expressões de diferentes particularidades humanas.

Durante toda a história do Cristianismo muitos grupos têm buscado implementar esse estilo de vida. Entre os mais antigos estão:

desde o século XII as comunidades Valdenses
desde o século XV os Irmãos Morávios
desde o século XVI diversas comunidades Anabatistas
desde o século XVII as comunidades Quaker
desde o século XVIII a Igreja dos Irmãos
e muitas outras.
A Bíblia é digna de crédito? Como foi escrita?

Sim, a Bíblia é digna de crédito. Ao estudar a Bíblia com cuidado, verifica-se que ela não contém erros grosseiros como os encontrados em outros escritos antigos. Embora a Bíblia contenha muitas descrições não científicas, nenhum trecho da Bíblia precisa ser revisto em função de resultados conclusivos de pesquisas científicas.

A Bíblia foi escrita num período de cerca de 1500 anos. Estiveram envolvidos aproximadamente 45 escritores de diferentes origens e ocupações. Entre eles estão os intelectuais Moisés e Paulo, o comandante militar Josué, o ministro de estado Daniel, os reis Davi e Salomão, o pastor de ovelhas Amós, o pescador Pedro, o médico Lucas. Muitas vezes os textos da Bíblia foram escritos em lugares incomuns, como no deserto, na prisão, no palácio, em viagens ou no exílio. Sua redação se deu nas mais diversas situações emocionais como alegria e amor, medo e preocupação, necessidade e desespero. Apesar das 60 gerações que passaram durante sua composição e apesar da grande diversidade de escritores, a Bíblia expõe uma temática uniforme e coordenada, tratando de centenas de tópicos com harmonia e continuidade notáveis.

A Bíblia é dividida em duas partes: o Antigo Testamento (AT) com escritos de antes da era cristã, e o Novo Testamento (NT) com escritos da era cristã. Um catálogo ou lista dos escritos incluídos na Bíblia é chamado de cânon bíblico. Os cânones usados pelos cristãos católicos, protestantes e ortodoxos têm diferenças no AT. Não há diferenças na composição do NT.

As listas mais antigas de textos do AT correspondem ao Tanach, o principal conjunto de livros sagrados do judaísmo. Este é o cânon do AT adotado nas Bíblias protestantes. Textos adicionais, chamados de deuterocanônicos, existem no AT das Bíblias católicas e ortodoxas. Estes textos provém da Septuaginta, uma tradução de livros judaicos para o grego, muito usada desde antes da era cristã. As diferenças no cânon do AT podem ser entendidas como secundárias, pois para reformadores protestantes como Lutero os textos deuterocanônicos "não são considerados iguais às Sagradas Escrituras, mas mesmo assim de leitura boa e proveitosa."

A referência mais antiga ao cânon do NT é conhecida como o Cânon de Muratori e data do século II. Relaciona os quatro evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João), as cartas de Paulo, Judas, as duas primeiras cartas de João e o Apocalipse. Não inclui as epístolas Hebreus, Tiago e as de Pedro. Controvérsias existiram com relação à inclusão no cânon de Hebreus, Tiago, Judas, Apocalipse, a segunda e terceira cartas de João e a segunda de Pedro. Da mesma forma, outros escritos já estiveram no cânon do NT, e depois foram rejeitados. Dentre estes, os principais foram a primeira carta de Clemente aos Coríntios (do século I) e o Pastor de Hermas (do século II). Há documentos históricos, como por exemplo a História da Igreja escrita por Eusébio de Cesaréia (cerca de 260-340), que relatam os argumentos usados para inclusão ou não dos diversos textos no cânon bíblico.

A lista completa dos livros do NT aparece pela primeira vez numa epístola de Atanásio de Alexandria para a Páscoa de 367 d.C. Esta mesma lista foi confirmada posteriormente nos concílios regionais Hipona I (393 d.C) e Cartago III (397 d.C) e IV (417 d.C). Um documento conhecido como Decreto Gelasiano (496 d.C.) também confirma este cânon para o NT.

A autenticidade do NT, em especial a dos evangelhos, é significativa para a fé cristã, que neles tem fundamento. A evidência histórica e testemunhos arquelógicos evidenciam a proximidade entre a vida de Jesus e a redação dos evangelhos. A relevância desta proximidade é ressaltada no próprio NT, por exemplo por Pedro, que escreve em sua segunda carta: "Nós não estávamos contando coisas inventadas quando anunciamos a vocês a vinda poderosa do nosso Senhor Jesus Cristo, pois com os nossos próprios olhos nós vimos a sua grandeza." (1:16)

Dispõe-se hoje de mais de 5200 cópias manuscritas com textos do original grego do NT. Alguns são papiros (os mais antigos testemunhos do texto do NT), outros são códices unciais (escritos em caracteres maiúsculos sobre pergaminho), códices minúsculos (escritos mais tarde em caracteres minúsculos) ou lecionários (cópias para uso litúrgico). Há mais de 80 papiros, 260 códices maiúsculos, 2700 códices minúsculos e 2100 lecionários distribuídos por bibliotecas de vários países.

As pequenas variações encontradas nestes mais de cinco mil manuscritos são gramaticais ou sintáticas sem implicações relevantes de conteúdo. Analisando e comparando os manuscritos, os especialistas são capazes de reconstruir a face autêntica original do Novo Testamento que hoje usamos. A documentação existente para esta reconstrução é excepcionalmente privilegiada. Isto fica claro confrontando-se as testemunhas do texto original do NT com as dos textos clássicos latinos e gregos. As primeiras cópias das obras de escritores clássicos (Virgílio, Horácio, Platão, Eurípedes, etc.) consideradas autênticas e plenamente reconhecidas, são posteriores às primeiras cópias dos evangelhos.

A autenticidade do NT é também confirmada por historiadores antigos. Eusébio de Cesaréia, por exemplo, cita Pápias († 130) bispo de Hierápolis, nascido no primeiro século, isto é, no tempo em que João ainda vivia. Pápias disse sobre o evangelho de Mateus: "Mateus, por sua parte, pôs em ordem os dizeres [de Jesus] na língua hebraica, e cada um depois os traduziu como pôde." (História da Igreja III, 39:16)

Uma outra citação de Pápias na obra de Eusébio refere-se ao evangelho de Marcos: "Marcos, tendo se tornado intérprete de Pedro, anotou exatamente, embora não em ordem, tudo o que recordou das palavras e ações de Cristo. Pois não ouviu o Senhor nem o seguiu, mas depois, como eu já disse, seguiu a Pedro, que adaptava seu ensino às necessidades dos ouvintes, sem a intenção de dar um relato conectado dos discursos do Senhor. Assim Marcos não cometeu engano quando escreveu as coisas como as recordou, pois era cuidadoso em nada omitir do que tinha ouvido, e nada dizer de falso." (História da Igreja III, 39:15)

Outro testemunho foi dado por Irineu († 200). Ele foi discípulo de Policarpo, bispo de Esmirna, que por sua vez foi discípulo de João. Sobre a origem dos evangelhos Irineu escreve: "Mateus igualmente compôs um evangelho entre os hebreus no seu próprio dialeto, enquanto Pedro e Paulo pregavam em Roma, e lançavam os fundamentos da igreja. Após sua partida, Marcos, o discípulo e intérprete de Pedro, igualmente entregou-nos por escrito o que tinha sido pregado por Pedro. Lucas, o companheiro de Paulo, também anotou num livro o evangelho pregado por ele. Mais tarde, João, discípulo do Senhor, o mesmo que reclinou sobre o seu peito, publicou também um evangelho quando de sua estadia em Éfeso." (Contra as heresias I, 1)

Muitos autores discutem a credibilidade do texto bíblico com detalhe e objetividade. Para saber mais consulte, por exemplo:

J. McDowell - Evidências que exigem um veredito. Volumes 1 e 2, Editora Candeia, 2005. (clique aqui para localizar este livro no site da Livraria Cultura)
J.A. Thompson - A Bíblia e a arqueologia, Editora Vida Cristã, 2004. (clique aqui para localizar este livro no site da Arte Editorial)
F.F. Bruce - Merece confiança o Novo Testamento?, Editora Vida Nova, 2004. (clique aqui para localizar este livro no site da Editora Vida Nova)
G. Habermas - "Why I believe the New Testament is historically reliable", In: N.L. Geisler e P.K. Hoffman (Eds.), Why I am a Christian: leading thinkers explain why they believe, Baker Books, 2001. (existe uma edição na forma de e-book)
G. Habermas - "Recent perspectives on the reliability of the gospels", Christian Research Journal, 28(1), 2005.
G.L. Archer Jr. - Merece confiança o Antigo Testamento?, Editora Vida Nova, 1991. (clique aqui para localizar este livro no site da Editora Vida Nova)
O ensino da Bíblia é compatível com a atividade científica?

Sim. A atividade científica surge naturalmente de uma visão do mundo judaico-cristã alicerçada na Bíblia. Embora leis naturais e teorias científicas não se refiram explicitamente a Deus, um cristão não precisa ignorá-Lo para fazer ciência. A história da ciência ocidental e especialmente biografias de cientistas como Kepler, Newton, Leibniz e Maxwell o comprovam. O cristianismo não existe à margem da ciência, mas provê um alicerce fundamental de como e por que fazer ciência. Joule refere-se a isto quando diz que "após conhecer e obedecer a vontade de Deus, o próximo alvo deve ser conhecer algo dos Seus atributos de sabedoria, poder e bondade evidenciados nas obras de Suas mãos."

Uma resposta mais detalhada a esta pergunta pode ser encontrada no seguinte artigo do Prof. Loren Haarsma, Calvin College, EUA:

L. Haarsma - "Cristianismo como um fundamento para a ciência", traduzido de "Christianity as a foundation for science", In: D.C. Elliott (Ed.) - Proclaiming freedom in the land: the role of the professorate in promoting Christ centered learning, p. 51-62, Christian Educators Association International, Pasadena, CA, 2003.
Os cristãos da Idade Média acreditavam que a terra é plana?

Não. Jeffrey B. Russell, professor emérito de história, Universidade da Califórnia Santa Barbara, constata em seu livro Inventing the Flat Earth (ISBN 978-0275959043, leia um resumo escrito pelo autor) que desde o século III a.C. no Ocidente nenhuma pessoa instruída acreditou numa terra plana, com raras exceções.

Uma terra redonda aparece pelo menos a partir do sexto século a.C. com Pitágoras. Embora houvesse algumas dissensões, a esfericidade da terra foi geralmente aceita por gregos e romanos instruídos. O cristianismo nada mudou nisto. No máximo cinco pais da Igreja negaram a esfericidade da terra por tomarem passagens bíblicas como Salmo 104:2-3 equivocadamente como assertivas geográficas ao invés de indicações metafóricas. Mas a vasta maioria dos teólogos cristãos, poetas, artistas, e cientistas sempre consideraram a terra esférica. Historiadores da ciência têm insistido neste ponto há décadas, sem conseguir erradicar o falso ensino de que os cristãos da Idade Média acreditavam que a terra é plana.

Onde surgiu este falso ensino? Russell aponta Antoine-Jean Letronne (1787-1848) como um dos autores. Letronne foi um intelectual com fortes preconceitos anti-religiosos que num texto de 1834 descreveu os pais de Igreja e seus sucessores medievais como acreditando em uma terra plana. Na mesma época Washington Irving (1783-1859), conhecido por incluir erros em narrativas das histórias de Nova Iorque e de Washington, criou a cena do jovem Colombo em Salamanca diante de um conselho de inquisidores e teólogos encapuzados convictos de que a terra é plana. Houve de fato uma reunião em 1491 em Salamanca, mas o relato de Irving é, como cita Russell, "balela... Washington Irving, pressentindo sua oportunidade para uma cena pitoresca e comovente", criou um "conselho universitário inexistente" e "permitiu que sua imaginação divagasse... toda a estória é uma besteira enganadora e perniciosa".

O erro enraizou-se graças ao historiador John Draper (1811-1882) e vários de seus seguidores, tais como Andrew D. White (1832-1918), presidente da Cornell University, que asseguraram a propagação do mito em textos, enciclopédias e até mesmo em trabalhos científicos sérios até a data de hoje. O erro consta também de textos em português, como por exemplo da "Introdução" dos Diários da descoberta da América, Porto Alegre: L&PM Editores, 1998 (ISBN 8525409383).

Felizmente vários textos importantes apresentam a versão correta dos fatos. Entre eles Russell enumera The New Encyclopaedia Britannica (1985), Colliers Encyclopaedia (1984), The Encyclopedia Americana (1987) e The World Book for Children (1989).

A condenação de Galileu pela Igreja Católica prova que fé e ciência são incompatíveis?

Não. Galileo, que permaneceu cristão católico até o final de sua vida, teve rivais e aliados tanto no meio científico quanto no meio eclesiástico de sua época. Sua condenação foi o desfecho político-religioso de uma rivalidade entre intelectuais na qual autoridades político-eclesiásticas impuseram um ponto de vista que lhes parecia adequado. O ponto de vista imposto e a imposição em si não foram (nem são) representativos para a fé cristã em geral. Maiores detalhes são apresentados no seguinte texto:

E. McMullin - "The Galileo affair", Faraday Paper No. 15, Faraday Institute for Science and Religion, abril de 2009.
A "teoria da evolução" demonstrou que a Bíblia está errada?

Não. Embora a "teoria da evolução" não trate explicitamente da Bíblia, muitas pessoas são da opinião de que ela a contradiz, enquanto outras a consideram compatível com o texto bíblico. Uma visão geral sobre as origens e repercussões da "teoria da evolução" é apresentada no seguinte artigo:

A.S. Matos - "No princípio... o quê? Darwin, o evolucionismo e os cristãos", Ultimato, edição 317, março-abril de 2009.
Quais as principais objeções à "teoria da evolução"?

Objeções à "teoria da evolução" referem-se, entre outros itens:

à abordagem da "teoria" em si, que alega ser científica mas apresenta inquestionáveis dificuldades de transparência, lógica e método;
aos mecanismos postulados para o processo "evolutivo";
ao seu desempenho quando testada contra experiências especiais;
às formulações vagas utilizadas, por exemplo no enunciado de suas hipóteses ou quando (não) explica como exatamente um organismo supostamente evoluiu ou mudou a um outro.
Edgar H. Andrews (Professor Emérito do Departamento de Ciência dos Materiais, Queen Mary College, Universidade de Londres) escreve em seu livro No princípio ...: "A evolução não é uma boa teoria. ... Ela não explica todos os fatos, e aqueles que explica não são explicados de modo claro. A teoria não tem um bom desempenho quando testada contra experiências especiais, porque nenhum experimento jamais mostrou que o processo de evolução acontece realmente. A teoria é frequentemente vaga e obscura, por exemplo, quando se pergunta como exatamente uma criatura supostamente evoluiu ou mudou para uma outra. Não consegue dar respostas exatas, nem mesmo boas estimativas." A análise de Andrews é compartilhada por outros cientistas de renome. Richard Smalley (Prêmio Nobel de Química de 1996), por exemplo, refere-se ao assunto ao comentar um texto recente sobre evolução e suas alternativas: "A evolução acabou de receber seu golpe mortal. Após ler Origins of life com meu conhecimento de química e física, fica claro que evolução biológica não pode ter ocorrido."

Mesmo assim atualmente é comum que cientistas aceitem um darwinismo revisto chamado neo-darwinismo, a versão mais usual da "teoria da evolução". Outros, como foi exemplificado, vêem os modelos e postulados neo-darwinistas com ressalvas. E há também cientistas que desautorizam a "teoria" até mesmo como hipótese. Este é o caso de Wolfgang Smith (Professor Emérito de Matemática que lecionou no MIT, Universidade da Califórnia Los Angeles e na Universidade do Estado de Oregon). "Oponho-me ao darwinismo, ou melhor, oponho-me à hipótese transformista como tal, não importa qual seja o mecanismo ou causa (talvez até mesmo teleológica ou teísta) dos saltos macroevolutivos postulados. Estou convencido, além disso, de que o darwinismo, independentemente do formato, de fato não é uma teoria científica, mas uma hipótese pseudo-metafísica pomposamente vestida em roupagem de ciência. Na realidade, a teoria deriva sua sustentação não dos dados empíricos ou das deduções lógicas de natureza científica, mas da circunstância de ser a única doutrina sobre as origens biológicas concebível na limitada Weltanschauung (= visão do mundo) a que a maioria dos cientistas indubitavelmente subscreve." (citado em H. Margenau; R.A. Varghese - Cosmos, bios, theos, Open Court, 1992)

O seguinte trecho de autoria do Prof. Kenneth Hsu, Professor Emérito da Escola Politécnica Federal de Zurique (ETH Zürich), concisamente expõe a dificuldade de sustentar-se a denominação ciência para o Darwinismo:

O juiz William Overton [do Arkansas, EUA, na sua decisão dos anos 80 de que o criacionismo não seria científico] adotou cinco critérios para a definição legal de ciência, a saber:

É guiada pela lei natural.
Deve ser explanatória com referência à lei natural.
É testável contra o mundo empírico.
É falsificável.
Suas conclusões são tentativas, isto é, não são necessariamente palavras finais.
A teoria Darwiniana foi considerada científica porque é guiada pela "lei" da seleção natural, e é explanatória com referência a esta lei.

Mas é a seleção natural uma lei natural? Darwin emprestou a idéia da ideologia social de Malthus. Apresentou poucos fatos históricos, e durante o último século os paleontólogos não encontraram muita evidência que suporta a noção de que seleção natural é uma lei natural.

A teoria Darwiniana não é experimentalmente testável contra o mundo empírico, porque o mecanismo proposto opera num horizonte de tempo muito maior que nosso tempo de vida. Como uma teoria para explicar fatos históricos, é falsificável pelo registro fóssil. Assim, foi uma hipótese científica quando proposta inicialmente. Após mais do que um século, entretanto, percebemos que sua premissa não é suportada pelo registro paleontológico, e suas numerosas predições mostraram-se incorretas [o autor cita uma referência]. O atual estado do Darwinismo, em minha opinião, é comparável àquele da teoria geocêntrica de Ptolomeu durante a Idade Média. A teoria de Ptolomeu foi ciência durante a Antigüidade, mas transformou-se em dogma depois que suas predições foram falsificadas pelas novas observações de Galileu. Do mesmo modo, o Darwinismo foi uma hipótese científica, mas transformou-se numa ideologia durante o século XX.

O último critério do juiz Overton é uma expressão da filosofia de Popper de que "a verdade científica pode ser somente falsificada, mas não verificada". No que diz respeito a este ponto, Darwinistas ortodoxos, com sua insistência de que não há nenhuma alternativa científica à seleção natural, não se deram muito melhor do que fundamentalistas religiosos.

(Extraído de: Hsu, K.J. - "Evolution, ideology, darwinism and science", Klinische Wochenschrift, v. 67, pp. 923-928, 1989. Traduzido pelo autor desta página.)
A discussão de objeções à "teoria da evolução" não é objetivo deste site. Exemplos de tal discussão encontram-se nas referências listadas a seguir. Reconheço estas publicações como merecedoras de atenção; sua citação não implica concordância irrestrita com todos os pontos de vista e argumentos nelas expostos.

W. Gitt – Did God use evolution?, 2. edição, Bielefeld: CLV, 2001. ISBN 3-89397-725-2. (Neste livro Werner Gitt discute implicações e objeções científicas e não-científicas à "teoria da evolução". Uma versão online pode ser acessada aqui. Até sua aposentadoria em 2002, Gitt foi Professor da Universidade Técnica de Braunschweig e Diretor da Physikalisch-Technische Bundesanstalt Braunschweig, PTB, a entidade técnica normativa da Alemanha.)
K.J. Hsu - "Evolution, ideology, darwinism and science", Klinische Wochenschrift (título atual: Journal of Molecular Medicine), v. 67, número 17, pp. 923-928, 1989. (Neste artigo o Prof. K. Hsu explica porque darwinismo não é ciência.)
A. Locker – "Evolução e teoria da 'evolução' sob análise da teoria de sistemas e análise metateórica", Diálogo e Antítese, v. 1, número 1, pp. 69-93, 2009. (Este artigo de Alfred Locker é uma sinopse da sua crítica da "teoria da evolução". O conhecimento abrangente do autor bem como o rigor que busca na argumentação torna a leitura do artigo muito interessante, porém trabalhosa. O texto integral do artigo no idioma original - o alemão - está disponível aqui. Locker (1922-2005) foi Professor Emérito de Física Teórica da Universidade Técnica de Viena.)
A. Lourenço – Como tudo começou, São José dos Campos: Editora Fiel, 2007. ISBN 978-85-99145-38-8. (Este é um livro sobre origens dirigido ao público em geral. É auto contido, acessível e bem ilustrado.)
A.E. Wilder-Smith - The natural sciences know nothing of evolution, Master Books, 1981. ISBN 0890510628. (Este livro discute objeções empíricas à "teoria da evolução". Parte do conteúdo pode ser acessado aqui. Wilder-Smith, químico falecido em 1995, recebeu três títulos de doutorado e atuou em universidades da Europa e EUA, bem como na indústria farmacêutica.)
Referências adicionais podem ser obtidas em sites na Internet dedicados aos assuntos origem, evolução e criação. Mas fica aqui um alerta para a falta de objetividade e/ou confiabilidade das informações disponibilizadas em alguns desses sites. Um exemplo de site confiável é a Internet Library, um site mantido pelo Dr. W.-E. Lönnig, geneticista do Max-Planck Institute for Plant Breeding Research, Alemanha.

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